Terça-feira, 12 de Novembro de 2019
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‘Daria para plantar mandioca aqui’, afirma chefe da Embrapa Amazônia em entrevista

Luiz Marcelo Brum Rossi defende a ideia de que dá para aproveitar terras desmatadas para o plantio de mandioca, produto do qual se faz a farinha



1.gif Luiz Marcelo Brum Rossi é chefe da Embrapa Amazônia Ocidental
04/06/2013 às 08:16

Importador de mais 90% dos alimentos que consome, o Amazonas vive o desafio de aprimorar sua cadeia produtiva através das pesquisas desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), como no melhoramento genético de espécies tropicais ou combate às pragas e doenças.

A instituição, que completa 40 anos em 2013, foi responsável por tornar o Brasil o principal produtor de alimentos do planeta, a partir do desenvolvimento da tecnologia inovadoras, a exemplo o uso do Cerrado para a produção de grãos, o plantio de frutas temperadas no Nordeste e a adaptação do trigo ao clima tropical. O chefe da Embrapa Amazônia Ocidental, Luiz Marcelo Brum Rossi, conversou com A CRÍTICA sobre os principais desafios da instituição.



Quais as principais pesquisas desenvolvidas pela Embrapa Amazonas?

Nosso carro chefe é a produção de guaraná, onde somos líder no melhoramento genético da espécie, como no combate à pragas e doenças, onde 90% são problemas de fungo. Temos mais de 16 materiais lançados e estamos usando novos materiais para produzir melhor, como aumentar o teor de cafeína. Desenvolvemos projetos de fruticultura como o combate à vassoura de bruxa no cupuaçu; e o combate à sigatoka negra que quase dizimou a banana do mercado. Estamos retomando a pesquisa da seringueira, que atrai o mal das folhas, um fungo que dá na copa das árvores e que inviabilizou o seu plantio há décadas. Na piscicultura, desenvolvemos o sistema de produção que pode aumentar até 20 vezes sua reprodução em cativeiro do tambaqui e do pirarucu.

Qual a atual estrutura da instituição?

Temos 280 empregados e desses 66 são pesquisadores. Nossa sede fica da AM-010, além de termos cinco campos experimentais: um em Maués onde fazemos pesquisas com o guaraná; um na BR-174 que trabalha a questão da pastagem, parte florestal e alguns consórcios agroflorestais; um no Caldeirão, em Iranduba, onde pesquisamos grãos, culturais alimentares e hortaliças; um em Rio Preto da Eva onde está a estação de pesquisas com dendê (palmeira de óleo), e também onde está o maior banco de ativos de germoplasmas (coleção de plantas) da América Latina; e outro em Parintins que é um núcleo de transferência em tecnologia.

Essas pesquisas estão sendo adotadas na prática?

A maior parte das nossas tecnologias é aplicada, voltada para a agricultura familiar e projetos em pequena escala. Até porque o Amazonas não tem a característica de ter grandes produtores.

Qual o orçamento da Embrapa para 2013?

Nosso orçamento é de R$ 8 milhões para custeio e investimento. Estamos em fase de reestruturação física, já que passamos quase 30 anos sem qualquer melhoria na estrutura. Destinamos de R$ 2 milhões a R$ 3 milhões em reformas. Temos também recursos de parceria com outras instituições como Fapeam, Ufam, Inpa.

O que seria necessário para desenvolver o potencial agrícola da região?

Se você ocupasse o que tem de área desmatada para o plantio no Amazonas já daria para alimentar a nossa população, porque nosso solo é rico e não é muito exigente em fertilizantes. Daria para plantar mandioca, que é um exemplo típico. 70% da nossa fécula é importada do Paraná. Falta também incentivo público e a questão do transporte. Temos condição de produzir em escala comercial, mas não em escala industrial.

O que falar da denúncia de trabalhadores que acusa a Embrapa de negligenciar a saúde dos seus servidores no campos experimentais?

São denúncias infundadas que não foram comprovadas pela Delegacia Regional do Trabalho. Temos laudos da Polícia Federal e inquérito do Ministério Público Federal (MPF) comprovando isso.


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