Quarta-feira, 01 de Abril de 2020
ETERNIZADO

David canta louvor 'Raridade' para homenagear Arlindo Jr. no Curral Zeca Xibelão

O apresentador Edmundo Oran leu no Zeca Xibelão a mensagem do Boi Caprichoso e da nação azul e branca para o artista. Confira a mensagem na íntegra



david_0F998CE4-EA6C-4F52-A6ED-56B81BCD0419.jpg Fotos: Arleison Cruz
31/12/2019 às 10:55

Após deixar a Arena do Bumbódromo, em Parintins, o corpo de Arlindo Júnior recebeu uma homenagem, nesta terça-feira (31), no Curral Zeca Xibelão, casa do boi-bumbá Caprichoso. No local, ao som de toadas eternizadas na voz do Pop da Selva, como "A Saga de Um Canoeiro", "Réquiem" e "Pesadelos dos Navegantes", itens oficiais do Touro Negro prestaram homenagens ao ícone do Festival Folclórico de Parintins.

Além de boi-bumbá, a homenagem ganhou outro tom com o levantador de toadas David Assayag. Ele cantou o louvor chamado "Raridade" em homenagem ao amigo que, segundo David, chegou a regravar a canção religiosa.



O apresentador Edmundo Oran leu no Zeca Xibelão a mensagem do Boi Caprichoso e da nação azul e branca para o artista. Em um dos trechos, Oran disse o seguinte: "Há 30 anos, aqui começou, talvez, a história mais emblemática do Festival de Parintins. Pelas mãos de J. Carlos Portilho, passaste no teste de levantador de toadas e chegaste ao nosso amado Boi Caprichoso para se eternizar como o nosso grande maestro, o Pop da Selva. Fez deste curral, o Zeca Xibelão, seu território e da toada de boi-bumbá a trilha sonora de sua vida".

Após a homenagem no Zeca Xibelão, o corpo de Arlindo seguiu para a Catedral de Nossa Senhora do Carmo onde uma  missa está sendo realizada. Após o ato o religioso, o corpo retornará para o aeroporto do município e seguirá para Manaus. Às 14h, o sepultamento deve ocorrer no Cemitério São João Batista, na Zona Centro-Sul da capital.

Confira na íntegra a Mensagem do Boi Caprichoso e da Nação Azul e Branca para Arlindo Jr.

Arlindo Júnior, Pop da Selva, nosso levantador de toadas, nosso apresentador, nosso embaixador, nosso ídolo. Lembras das tantas vezes que nos abraçamos nesse curral nos grandes shows, nas vitórias e até em nossas derrotas. Em todos esses momentos choramos a alegria de vencer, a tristeza ao perder, mas hoje essa dor é forte, aperta o peito, faz o dia cinza. Aqui neste tempo da cultura popular fizestes tua casa, cantastes, nos emocionantes. Quantas vezes gritávamos com todas as forças para responder a pergunta: Qual é o nome dele?? Quando você era anunciado.

Você foi a nossa voz, a voz do Festival, a voz da galera, a voz do lindo histórico de amor ao boi Caprichoso que silencia neste mundo para cantar no mundo celestial ao lado de tantas outras estrelas azuladas.

Há 30 anos, aqui começou, talvez, a história mais emblemática do festival de Parintins. Pelas mãos de J. Carlos Portilho, passaste no teste de levantador de toadas e chegaste ao nosso amado Boi Caprichoso para se eternizar como o nosso grande maestro, o Pop da Selva. Fez deste curral, o Zeca Xibelão seu território e da toada de boi-bumbá a trilha sonora de sua vida.

Sua voz silenciou precocemente, mas teu legado jamais será apagado de nossas memórias, porque continua presente entre nós. O ídolo dessa nação de apaixonados torcedores viverá dentro de nossos corações e pensamentos. Soluçamos de dor da saudade de quem partiu para outro plano, o plano de Deus. Nosso bravo canoeiro foi descansar no céu dos escolhidos, o Guajupiá, como ele cantava nas toadas de Ronaldo Barbosa. Tua voz se imortalizou em Parintins para ecoar ao Brasil e ao mundo, com o nosso ritmo quente do dois pra lá e dois pra cá.

Um filme passa em nossas cabeças. Quantas vezes sua voz deu o tom para que a galera explodisse com a toada Pesadelo dos Navegantes na arena do Bumbódromo?

Quantas vezes seus olhos derramaram lágrimas ao entrar na arena e ver que ali estavam todos os torcedores apenas aguardando o seu sinal, para que pudessem levar o Boi Caprichoso ao título?

Na memória e no coração azulado estamos com os grandes clássicos do Festival em sua voz. É difícil falar de você Arlindo, pois sua história é linda, grandiosa, mas ainda não queremos acreditar que atravessastes o grande rio, pois estava sempre aqui ao nosso lado, contagiado com sua alegria e na verdade achamos que nunca vai acontecer com um dos nossos.

Arlindo todo mundo falou de você, falaram bem e bonito, os torcedores do Caprichoso, seus amigos, pessoas anônimas, boi do contrário, as televisões, os jornais, o blogs, sites e os políticos. O Brasil te homenageou, os céus te homenagearam daquela forma como em 1993 quando a chuva nos ensinou a ser forte e você foi nas casas, nas ruas, convocou Parintins inteira para reconstruir o Caprichoso e quando chegou lá, tinha um exército de torcedores preparando o boi Caprichoso para as outras duas noites do Festival.

Quanto orgulho de você Pop, és um dos maiores nomes do Festival de Parintins. Chegou na ilha para cantar em um aniversário, aqui se apaixonou, e não quis mais ir embora. Comandou o programa Buteco do Arlindo na Rádio, formou sua banda de pagode, foi levantador das primeiras bandas do Boi Caprichoso. Se tornou levantador de toadas e quando o boi precisou dele também acumulou a função de apresentador e venceu nos dois itens em 1998. Quanto talento! Dois em um!

Arlindo você foi o verdadeiro canoeiro do boi Caprichoso. Levou nosso festival para programas nacionais de televisão, foi a grande voz do boi-bumbá em Manaus na Tevelândia, apoiado pelo Movimento Marujada. Arlindo Júnior você é a própria história e hoje eterniza sua memória não apenas na constelação azulada, mas no estado do Amazonas, onde foi reconhecimento pelo trabalho e dedicação à cultura popular.

Arlindo, Pop da Selva, como ficou conhecido, sua canoa segue a atravessar o grande rio acompanhado pelo silêncio da mata. Por aqui enfrentou banzeiros nas ondas dos rios e das correntezas fez os desafios, na tua canoa partes canoeiro, teu corpo está cansado de tantas viagens e tuas mãos estão calejadas do remo a remar. De tantas remadas, porto estava distante e agora realizas tua última viagem ao descansar.

Hoje você desce do palco pela última vez, hoje você deixa arena dos sonhos, da magia, do amor e da alegria. Para abrir os portais dos nossos corações azuis e vermelhos e se apresentar na arena eterna de nossa saudade.

O Boi Caprichoso hoje te versa

 

Meu povo já não canta

Meu tambor já parou...

No orvalho da ilha, minha voz serenou...

Só resta a saudade... Do rufar de um tambor...

A lua que descansa pro boi Caprichoso mostrar seu valor...

Eu vou outro ano eu vou voltar...(eu vou voltar)

Eu vou outro ano eu vou voltar...

Para brincar, novamente morena o teu coração venho para alegrar...

 

*Colaborou Carlos Alexandre / CNA7

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