Terça-feira, 10 de Dezembro de 2019
HISTÓRIA

De Ritta Calderaro a Myrria: as charges no 70 anos de A CRÍTICA

Uma das fundadoras do jornal, Ritta foi a primeira chargista do periódico. De maneira irreverente, as charges provocam reflexões sobre os temas que rodeiam a sociedade



armas_E644266B-273D-4D8E-9E11-0ADCF6E12798.JPG Charge: Myrria/Arquivo/AC
21/04/2019 às 07:00

Carregado de sátira e ironias as charges são uma maneira irreverente e provocativa de retratar temas que rodeiam a sociedade, sobretudo ligados à economia e política. A palavra é de origem francesa e significa "carga", por isso normalmente exagera nos traços do caráter de alguém ou de algo para torná-lo burlesco. Profissionais renomados passaram pela redação do A CRITICA nesses 70 anos de história e deixaram suas marcas nos desenhos repletos de críticas.

A primeira chargista do veículo foi justamente uma de suas fundadoras: Ritta Calderaro, que também exerceu outros cargos no jornal. Outro nome relembrado com saudosismo pelo jornalista Sebastião Assante, que reuniu charges no e-book “Brasil: Um país da carne fraca – sátira política” é João Miranda de Queiroz, que por quase 30 anos retratou os mais variados temas com seu olhar analítico e afiado.



“Nenhum tipo de censura à imprensa deve ser tolerado. O chargista Miranda nos provou isso com a sua sabedoria. Soube honrar a nossa profissão e enfrentar uma crise política nacional com muito bom humor” diz Assante, que relembra ainda que nas décadas de 1970 e 1980 - época em que o Brasil vivia sob a ditadura militar - Umberto Calderaro foi corajoso ao levantar a bandeira do jornalismo e da democracia, mantendo as charges nas publicações. 


Miranda assinou as charges de A Crítica por 30 anos. Foto: Reprodução

“O [Umberto] Calderaro foi um baluarte nessa área. Ele teve a coragem de manter o jornal independente, levantou essa bandeira e segue até hoje. Nós estamos vivendo um momento muito difícil no jornalismo, parecido com à época do golpe”, avalia. 

A charge provoca a reflexão, causa discussões e quase nunca é bem recebida por quem é alvo dela, exemplo disso é o ataque à revista francesa Charlie Hebdo, ocorrido em 2015 e que vitimou mortalmente dez funcionários e dois policiais. No Brasil, não há registro de casos extremos.

No Amazonas, temas como a manutenção da Zona Franca de Manaus, os problemas da saúde, a segurança pública do Estado e a atuação dos políticos em todas as suas esferas são os mais recorrentes nas publicações. 

As charges também permeiam as escolas, servindo de instrumento de análise de conteúdos em aulas de língua portuguesa, por exemplo.

Olhar apurado

Carlos Myrria, atual chargista do jornal e sucessor de Miranda, está há 24 anos retratando o cenário nacional e internacional. Para ele, a charge tem uma facilidade de tratar assuntos complexos e despertar a curiosidade e o interesse do leitor para temas que interferem diretamente em suas vidas e podem passar despercebidos.
 
“A charge estabelece esse elo de comunicação, levando esses assuntos para dentro da rotina do leitor. Entre as matérias do jornal, a gente percebe que a charge tem um índice de leitura muito alto, inclusive tem pessoas que lêem primeiro as charges. Eu aprendi tudo o que sei com o Miranda, que foi um desbravador do mercado”, afirma Myrria.

O chargista diz que é necessário estar atento aos assuntos que já são do conhecimento do leitor e rendem um retrato sátiro ou despertam comoção do público. 

“Nós estamos passando pela reforma da Previdência, eu trago isso na charge questionando ‘poxa esse negócio vai mexer com minha aposentaria’, e elas discutem. Acho que isso é mais que um trabalho, é uma satisfação fazer a charge do Jornal A CRÍTICA”, garante.

*Por Suelen Gonçalves.

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