Publicidade
Cotidiano
Notícias

'Decidi me pré-candidatar à Prefeitura', afirma coordenador do 'Fora Dilma' em Manaus

Com apenas 26 anos, Bruno Raphael Matos participou da coordenação do movimento “Fora Dilma” em Manaus e lançará em breve sua pré-candidatura à Prefeitura da capital pelo PMN, do ex-deputado Chico Preto 12/11/2015 às 19:48
Show 1
De acordo com Bruno Raphael, não basta ir para as ruas com cartazes e carro de som para combater a corrupção
Natália Caplan Manaus (AM)

Conhecido por coordenar o movimento “Fora Dilma” no Amazonas, Bruno Raphael Matos, 26, lançará a pré-candidatura à Prefeitura de Manaus na segunda quinzena deste mês. O economista se filiou ao Partido da Mobilização Nacional (PMN), o mesmo do ex-deputado Chico Preto. Em entrevista ao jornal A CRÍTICA, o jovem rebateu críticas sobre ser “muito novo” para disputar a eleição, como escolheu a legenda e o que o motivou a enfrentar o desafio.

De acordo com ele, não basta ir para as ruas com cartazes e carro de som para combater a corrupção. É necessário mudar o cenário político com a renovação dos candidatos e, inclusive, incentivar aos cidadãos a não se limitar à votação nas urnas. Para Matos, as passeatas e manifestações são válidas e democráticas, porém, os próprios brasileiros devem se filiar aos partidos e ajudar efetivamente na transformação do País.

Como surgiu a decisão de se pré-candidatar à prefeitura de Manaus?

Estávamos nesse processo de combate à corrupção desde novembro do ano passado e vimos que a cidade precisa passar por uma oxigenação política, um processo de renovação. Manaus não tem decisões fáceis a serem tomadas, temos questões muito complexas sobre mobilidade urbana, como a economia da cidade vai se desenrolar nos próximos anos e a revitalização da Zona Franca de Manaus [ZFM] — porque segurança jurídica não é segurança econômica. Eu decidi lançar meu nome como pré-candidato a prefeito de Manaus por causa da indignação com o que está acontecendo no nosso País, Estado e Município. Precisamos passar por um processo de renovação política e isso só ocorrerá quando as pessoas que pedem mudança, à frente dessa mobilização, se dispuserem a encarar, de fato, esse processo de peito aberto; ir para a política partidária de verdade.

Então, a solução é sair das ruas e ir para o pleito?

Para que haja mudança, não podemos ficar somente na cobrança nas ruas e a atual conjuntura política ser mantida. A solução mais efetiva é a mudança das pessoas que estão no pleito e isso deve ocorrer em todo Brasil. Eu acredito até que, esse processo de renovação política no País será mais forte desde as “Diretas Já”. Eu decidi me pré-candidatar, disponibilizar meu nome para o partido, porque eu acredito que Manaus precisa de renovação. Precisamos lembrar que a política começa na base. Eu incentivo até o cidadão de bem indignado com o processo político brasileiro: se candidate, seja o autor da mudança! O processo de renovação não vai ocorrer se as pessoas boas não se dispuserem a participar.

O que te levou a escolher o Partido da Mobilização Nacional?

Foi uma casa que nos abraçou, um espaço democrático que nos foi aberto. Hoje, o PMN é um dos partidos extremamente democráticos aqui, no Amazonas, e o Chico Preto nos deu a oportunidade de lançar o nome à pré-candidatura. Ele também está como pré-candidato, estudando a viabilidade de vir como pré-candidato a prefeito de Manaus ou vereador. Me foi dado esse espaço e pretendo usá-lo ao extremo. Trabalharei para transformar essa pré-candidatura em candidatura, em 2016 — isso vai depender da convenção do partido. O PMN é um partido de centro, onde consigo expressar muito bem aquilo que acredito e isso me dá liberdade. Isso é muito importante. Na minha trajetória política, eu começo nos movimentos de rua, combatendo a corrupção, pedindo o impeachment da presidente Dilma. E é o Partido da Mobilização Nacional, também agregado a isso, fundado nos princípios da Inconfidência Mineira. Foi uma escolha centrada, baseada nisso.

Você já tem um pré-candidato à vice?

Como ainda é um processo de pré-candidatura, ainda não definimos um vice. Vai começar, obviamente, um processo de ‘namoro’. Pretendemos encontrar um partido para coligar, mas é um processo a ser construído. Não é uma decisão pessoal, é do partido, e deve ser tomada até a convenção do partido, no próximo ano. Se a adesão fosse exclusivamente minha, eu gostaria de ter um vice mais velho, que transparecesse maturidade para o processo.

O que você tem a dizer às pessoas que te acham muito novo para ser prefeito?

As pessoas podem dizer ‘Raphael, você é muito novo para uma pré-candidatura a prefeito de Manaus’, mas as maiores mudanças na sociedade, tanto brasileira, quanto mundial, foram feitas por jovens. Quando você olha para os grandes nomes da política e pessoas que provocaram revoluções sociais, sejam empresários ou políticos, começaram muito novos. E eu estou aqui, hoje, para disponibilizar o meu nome como pré-candidato à Prefeitura de Manaus, com propostas efetivas.

Por que não começar a carreira política pela Câmara Municipal, por exemplo?

Algumas questões o vereador não tem poder de tomar decisões. Tem o poder quem tem ‘a caneta’, o Diário Oficial do Município [DOM], o poder de executar. O que foi feito nos últimos 12 anos precisa avançar, Manaus não pode continuar estagnada. Como vereador, eu não me vejo fazendo mais pela cidade. Isso exige esforço, novas propostas. O vereador tem atividades constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, faz leis e proposituras, mas o poder de verdade está com o prefeito. A pré-candidatura a prefeito me dá a oportunidade de apresentar propostas de mudanças que não se pode fazer como vereador.

O Brasil passa por uma crise econômica grave. Como Manaus deve enfrentar esse momento?

É uma cidade que precisa focar no turismo, no desenvolvimento e fortalecimento do Polo Industrial (PIM). Manaus precisa, com urgência, desenvolver esse processo e investir na diversificação do modelo econômico; ter um porto funcional para uma cidade industrial, investimentos em infra-estrutura portuária, aeroportuária e em fibra ótica. Precisamos torná-la uma cidade competitiva internacionalmente. Manaus não compete com São Paulo; essa rivalidade tem que acabar. O que não é feito de eletrônicos no PIM, é produzido na China. Nós produzimos tecnologia, competimos com o mundo.

Qual deve ser a prioridade da cidade nos próximos anos?

Hoje, Manaus vive um problema sério de mobilidade urbana. E o atual modelo está ultrapassado. Não acredito que a solução se restrinja a um único modal: ônibus. Toda cidade de grande porte precisa trabalhar um modelo multimodal. O BRT não funciona como deveria. Precisamos de múltiplas opções, soluções. E quando se pensa em mobilidade urbana é muito importante levar em consideração o trabalhador, que passa horas dentro de um transporte público. Tempo que ele poderia estar estudando, descansando ou passando com a família. Isso impacta diretamente a vida do cidadão. Manaus precisa se reinventar nessa área; a cidade está crescendo desordenadamente. Se não focarmos nisso, daqui a 10 anos, Manaus será o exemplo do caos.

Qual é o papel do Município quando se trata de segurança?

Muitos dizem ‘ah, isso é dever do Estado’. Negativo. O gestor público municipal pode fazer muito por segurança. Um exemplo simples é investir na iluminação pública. Estudos comprovam que isso impacta diretamente a segurança. Há parcerias que podem ser feitas com a sociedade civil, a iniciativa privada e o Poder Executivo Estadual para melhorar a segurança da cidade. O desemprego também gera uma pressão social e o prefeito pode buscar alternativas econômicas para combater a violência de maneira indireta, um trabalho de prevenção.

Publicidade
Publicidade