Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019
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Defesa de Marcelaine Schumann, acusada de mandar matar ‘rival’ em Manaus, pede habeas corpus

Nova advogada da socialite Marcelaine solicitou ao Tribunal de Justiça do Amazonas o benefício do habeas corpus. Defesa justificou o pedido porque a acusada veio “por vontade própria” dos EUA para o Brasil



1.jpg Marcelaine está presa acusada de matar rival em triângulo amoroso
30/01/2015 às 13:12

A advogada Márcia Simone Coelho dos Santos, nova defesa da socialite Marcelaine dos Santos Schumann – acusada de tentativa de homicídio contra a “rival” em Manaus – entrou com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça do Amazonas em benefício da cliente. “Elaine”, como é conhecida a acusada, está presa em uma penitenciária desde 5 de janeiro, quando veio de Miami para o Brasil.

O pedido foi feito pela advogada na tarde de quinta-feira (29), com a justificativa de falta de justa causa para a prisão preventiva de Marcelaine. A advogada afirmou que a socialite “Elaine” voltou ao Brasil por vontade própria, já que “se [...] quisesse se evadir da aplicação da lei penal, (Marcelaine) possuía recursos suficientes para se manter em um local que não possuísse tratado de extradição com o Brasil”.

“Ela (‘Elaine’) retornou por livre e espontânea vontade, não havendo como subsistir o argumento tanto apresentado pela Autoridade Policial como pela Autoridade Coatora”, afirmou a advogada no documento. O perdido ainda precisa ser analisado e receber parecer do Ministério Público do Estado e depois passará pela decisão do juiz titular da Vara Criminal. O processo tramita desde 16 de janeiro.

Marcelaine está detida na ala feminina do Centro de Detenção Provisória (CDP), localizado no Km 8 da rodovia BR-174, desde 5 de janeiro. Ela foi denunciada pela Polícia Civil como mandante da tentativa de homicídio contra Denise Almeida da Silva, rival dela em um triângulo amoroso com o empresário Marcos Souto. Tanto “Elaine” quanto Denise e Marcos são casados. A história é formada por contradições.

O crime

O crime aconteceu no dia 12 de novembro no estacionamento da academia Cheik Clube, no Centro de Manaus. A universitária Denise Almeida saia do local quando foi surpreendida por um homem que bateu no vidro do carro e efetuou três disparos. Denise foi alvejada duas vezes, foi hospitalizada e sobreviveu. Ela dividiria o amante com “Elaine”, o empresário Marcos Souto.

Depoimento

Em depoimento à polícia, “Elaine” negou ter pagado R$ 7 mil para que Charles “Mac Donald” Lopes Castelo Branco, 27, matasse Denise, sua rival em um triângulo amoroso. Ela também negou à Polícia Civil que Charles tenha contratado por R$ 3 mil o pistoleiro Rafael Leal dos Santos, 25, o “Salsicha”, para matar ou deixar aleijada Denise.

Segundo ela, “Salsicha” teria ido ao estacionamento da academia Cheik Club para cobrar uma dívida que Marcos Souto mantinha com Marcelaine, um cheque de R$ 40 mil emprestado a ele. Assim, “Salsicha” teria alvejado Denise “acidentalmente”, achando que Souto estava no carro.

Ainda de acordo com “Elaine”, ela apenas teria emprestado o dinheiro ao empresário Marcos Souto, mas eles não eram amantes. Marcelaine é casada com outro grande empresário de Manaus, dono de uma importante agência de publicidade. Denise e Souto também são casados com outras pessoas.

‘Amizade’

Conforme Marcelaine, ela conheceu Charles quando ele era funcionário de uma agência bancária em Manaus onde ela era cliente. Os dois se tornaram amigos e “Elaine” visitou Charles no hospital quando o mesmo ficou doente. A polícia tem imagens da socialite entrando no hospital

Segundo “Elaine”, durante a visita ao hospital, Charles disse que estava com problemas financeiros e ela sugeriu a ele, pela amizade, que o mesmo fizesse a cobrança da dívida dos R$ 40 mil, já que o mesmo era funcionário de banco e tinha “habilidade” para cobranças. “Elaine” disse que, na época, prometeu pagar de comissão à Charles parte dos R$ 40 mil.

A socialite ainda relatou que não pediu que Charles, ou “Salsicha”, fossem armados até o local da cobrança, e que o tiro disparado contra Denise não foi ordenado por ela e nem que queria ver Marco Souto morto. Ela culpou o amigo Charles pelo crime.

Investigação

A primeira versão para o atentado contra Denise, a de que “Elaine” teria mandado matá-la por ciúme do amante, foi divulgado pela equipe de investigação da DEHS através do depoimento dos quatro envolvidos: Rafael Leal dos Santos, 25, o “Salsicha”, o atirador, Charles “Mac Donald” Lopes Castelo Branco, 27, o negociador, Karen Arevalo Marques, 22, quem conseguiu a arma de fogo, e o vigilante Edney Costa Gomes.

Prisão

Marcelaine foi presa pela Polícia Federal dentro do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes ao chegar de uma viagem de Miami, nos EUA, onde estava desde dezembro com o marido. Ela teve voz de prisão decretada dentro da aeronave. Após isso, ela foi levada ao Instituto Médico Legal (IML) para exames e depois para a cadeia. A condução dela pela PF e não pela Polícia Civil causou mal estar entre as polícias.

Vítima

A universitária Denise Almeida disse em entrevista ao A CRÍTICA no dia 19 de dezembro que nunca foi amante de Marcos Souto e que nem conhecia Marcelaine, mas que era ameaçada pela suspeita. “Eu não sou a amante desse homem (Marcos) que sequer conheço, assim como não conheço essa mulher (Elaine). Sou casada e vivo muito bem com o meu marido. Meu marido não é o corno da jogada”, disse Denise.

A universitária explicou, à época, os motivos do crime: “O que aconteceu é que há pelo menos um ano essa mulher começou a ligar para a minha casa, para mim e para o meu marido. Ela dizia que tinha encontrado algumas ligações com o número do meu celular na conta do telefone do amante dela”, disse.

A vítima continuou: “Algumas vezes eu e o meu marido fomos seguidos pelo carro do amante dela. Ele chegou a ligar para o meu celular dizendo que queria se encontrar comigo para me pedir desculpas pelos insultos e ligações que ela fazia, mas não aceitei e acabou acontecendo o que vocês já sabem”.

O amante

Em dezembro, o jornal A CRÍTICA também publicou matéria com o conteúdo do depoimento de Marcos, o amante, dado à polícia. Na época, segundo o delegado Martins, Souto se mostrou surpreso, mas confessou ter um caso amoroso com “Elaine” há nove anos.

Segundo Martins, o empresário Marcos Souto se negava a acreditar que “Elaine” teria sido capaz de ter encomendar a morte de Denise, quem conhecia apenas como amizade, segundo ele. Marcos chegou a repetir várias vezes “eu não acredito que ela foi capaz. A Elaine não”, relatou o delegado Martins à reportagem.


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