Quarta-feira, 21 de Agosto de 2019
Portadores de deficiência

Deficientes visuais superam a falta de visão através do esporte e dos estudos

Além de ter uma família estruturada, o esporte também foi um importante incentivador para fazer com Rodrigo Valério, 29, mantivesse o pensamento e firme e tivesse vontade de alcançar metas ainda maiores



1168709.JPG Rodrigo e Nelson estão entre o grupo de atletas portadores de deficiência visual que treina na Vila Olímpica de Manaus. (Foto: Antônio Lima)
06/12/2016 às 09:39

O administrador Rodrigo da Silva Valério, de 29 anos, tem apenas 10% da visão. O nascimento prematuro fez com ele nascesse com deficiência visual, porém, mesmo tendo tantas limitações no dia a dia, a dificuldade de enxergar não o impediu de sonhar. “Eu gosto de andar sozinho e de ter minha independência. A minha deficiência nunca me impediu de nada e sempre estudei. Ano passado me formei em Administração e agora estou cursando pós-graduação em Gestão de pessoas”, afirmou ele. 

Além de ter uma família estruturada, o esporte também foi um importante incentivador para fazer com Rodrigo mantivesse o pensamento e firme e tivesse vontade de alcançar metas ainda maiores.Ele também é atleta e todos os dias acorda de madrugada e segue até a Vila Olímpica, no Dom Pedro, na Zona Centro-Oeste, para treinar. Um dos objetivosé chegar a grandes competições. “A gente precisa acreditar que o universo conspira ao nosso favor. Temos que ir à luta e, às vezes, é preciso se sacrificar. Mas acima de tudo, temos que  acreditar que  é possível realizar os sonhos”, destacou. 

Rodrigo não é uma exceção. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)  apontam que, em todo o Estado, existem aproximadamente 800 mil pessoas com deficiência, 450 mil delas, residentes em Manaus. E, assim como ele, muitas também buscam no  esporte um “trampolim” para ter uma vida mais saudável e mais digna. É o caso do também atleta Nelson dos Santos  Peres, de 28 anos.

Ele também é deficiente visual e desde que nasceu só enxerga a claridade. Mesmo sendo de uma família humilde, procurou persistir e superar seus próprios limites. “Todo mundo pode superar suas limitações e eu sou muito feliz pelo que sou hoje. Consigo me locomover sozinho, fazer amigos, de ser feliz. Agora estou me preparando para competir em campeonatos de alto rendimento”, disse ele, que também tem um irmão com deficiência visual. 

Atitude

A secretaria de Estado do Direitos da Pessoa com Deficiência (Seped), Vânia Suely de Melo, afirma que, apesar do preconceito, muitos avanços já foram conquistados no últimos anos. Mas a principal barreira a vencida, de acordo com ela, é a falta de consciência e sensibilização. “As barreiras  que as pessoas criam é que são as verdadeiras deficiências. Ou seja, são os fatores externos que limitam e por isso precisamos do que chamamos de acessibilidade atitudional, quando as pessoas começam a ter um comportamento diferente em relação a isso”, explicou.

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