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Demissão de Afonso Lins acontece quando Alfredo Nascimento negocia volta para o Governo Dilma

Presidente nacional do PR, senador Alfredo Nascimento disse ter ficado surpreso com exoneração de Afonso Lins, mas afirmou que esse ato não afeta negociações para a volta da sigla ao Governo Federal 29/03/2013 às 10:36
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Afonso Lins
Rosiene Carvalho Manaus

O ex-superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes do Estado do Amazonas e Roraima (Dnit-AM/RR), Afonso Lins, foi exonerado, nesta quinta-feira (28), em meio à negociação entre PR e Planalto para que a sigla volte a ocupar uma das pastas na Esplanada dos Ministérios. Lins era um dos últimos aliados do senador Alfredo Nascimento (PR), que está na linha de frente das conversas com a presidente Dilma Rousseff, a ocupar cargo no Ministério dos Transportes.

A exoneração foi assinada pelo ministro Paulo Sérgio Passos e publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta (28). A demissão de Afonso Lins ocorre em meio ao clímax de um longo processo de negociação entre o PR e a presidente Dilma tendo como pano de fundo a reorganização da base aliada para apoiar a reeleição da petista em 2014.

Na segunda-feira, a Executiva Nacional da sigla se reuniu para discutir sobre os cotados para representar o PR nos Transportes. O nome do atual ministro Paulo Sérgio Passos foi apresentado, mas rejeitado pela maioria.

A CRÍTICA apurou que a reunião foi presidida por Alfredo Nascimento e ocorreu dois dias antes de Paulo Sérgio exonerar o último aliado do senador nos Transportes. Entre os membros da sigla, em Brasília, o comentário era que a demissão poderia ser uma retaliação do atual ministro que teve o nome rejeitado na Executiva do partido.

Nos bastidores da política nacional, a expectativa é que o PR volte a ocupar a pasta dos Transportes, da qual Alfredo e seu staff foram afastados, em 2011, na “faxina” feita pela presidente sob escândalo que ficou conhecido com “mensalinho do PR”. Sem nunca se posicionar de fato como oposição, o PR ficou por dois anos no limbo e agora está prestes a voltar à Esplanada.

As duas últimas semanas foram marcadas por reuniões sucessivas entre o presidente da sigla, Alfredo Nascimento, e a presidente Dilma. O impasse era sobre o nome que representasse o PR e que fossse aprovado pela presidente.

A sigla apresentou a seguinte lista: os deputados Jaime Martins (MG), Luciano Castro (RR), Ronaldo Fonseca (DF) e o senador Antônio Carlos Rodrigues (SP). Todos foram rechaçados pelo Planalto, segundo a imprensa nacional. A manutenção de Paulo Sérgio Passos chegou a ser defendida pelo Planalto, mas foi rejeitada pela sigla que nunca aceitou o nome dele como uma representação do PR.

Por fim, o ex-senador baiano e atual vice-presidente do Banco Brasil, César Borges (PR), aparece como favorito para ser o novo ministro dos Transportes com as bênçãos da sigla. César Borges, segundo a imprensa nacional, é uma indicação da própria presidente por ter um perfil técnico e foi aprovado, segundo apuração de A CRÍTICA, pelo presidente do PR.

No atual contexto, Alfredo emitiu nota à imprensa, ontem, afirmando que o nome do PR que a presidente indicar para ser ministro dos Transportes terá o aval dele. Na semana que vem, Dilma e PR devem voltar a conversar sobre o assunto.

Senador afirma desconhecer motivo
O senador Alfredo Nascimento declarou, nesta quinta (28), a A CRÍTICA que foi surpreendido pela exoneração de Afonso Lins do Dnit, mas descartou que o ato represente um retrocesso nas conversas para que a sigla volte à base aliada ocupando espaço na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

Alfredo Nascimento afirmou que, na verdade, Afonso Lins não representava uma indicação do PR no Ministério dos Transportes. Para o senador, ele estava na cota de nomeações do atual ministro.

“Quando deixei o ministério, pedi para que as pessoas da minha equipe pedissem exoneração. O Afonso pediu demissão. Mas foi mantido não sei porquê. Foi convidado pelo ministro. Então, agora ele não era indicação do partido e nem minha”, declarou o presidente nacional do PR.

Alfredo disse desconhecer a motivação da exoneração de Afonso Lins e que a última vez que falou com ele foi há mais de um mês. “Não sei porque o Afonso saiu. Ninguém me disse nada. Até hoje o partido não tem relação com o Governo Federal oficialmente. Isso (participação no Governo) deve ser definido semana que vem”, afirmou o senador.

A reportagem fez contato, ontem à tarde, com o ex-superintendente do Dnit-AM/RR Afonso Lins pelo telefone 91XX-XX27 e por meio da assessoria de comunicação do orgão, mas as chamadas não foram atendidas.

Meta é reconstrução política nacional
A volta do PR ao comando do Ministério dos Transportes também representa a reconstrução política de Alfredo Nascimento, nacionalmente e no cenário local.

Em nível nacional, o senador teve a imagem desgastada ao sair da mesma pasta em meio a uma crise e a sigla que ele preside perdeu espaços de poder no Governo Dilma.

A gestão de Alfredo foi denunciada por corrupção numa publicação da revista Veja, em julho de 2011, com o título “Mensalão do PR” e com texto que falava sobre a insatisfação da presidente Dilma Rousseff (PT) com a explosão de valores de obras na pasta.

No Amazonas, Alfredo Nascimento ficou ainda mais isolado depois de sair do Ministério dos Transportes. O processo iniciou com a derrota, sob votação histórica, que ele sofreu em 2010 para o governador Omar Aziz.

Nas últimas semanas, Nascimento tem se alinhado com o senador Eduardo Braga e o ex-prefeito Amazonino Mendes.

Trajetória no MT
Alfredo Nascimento, que foi ministro dos Transportes nos dois mandatos do Governo Lula e reconduzido ao cargo após a vitória de Dilma Rousseff nas eleições de 2010 e derrota dele no mesmo pleito, no Amazonas, para o governador Omar Aziz, com quem rompeu desde a disputa.


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