Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019
FOI, MAS CONTINUA

Demitido, presidente do Incra continua trabalhando por falta de substituto

Demissão do general João Carlos Jesus Corrêa pelo presidente Bolsonaro, é atribuída ao embate para levar adiante a promessa de regularização fundiária no país, principalmente na Amazônia



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04/10/2019 às 08:43

Demitido na terça-feira (1) depois de uma reunião com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), general João Carlos Jesus Corrêa, continua trabalhando normalmente e seu afastamento não foi até agora oficializado pelo governo.

Questionada pela Reuters, a assessoria do Incra confirmou que Corrêa está trabalhando normalmente. Sua demissão ainda não foi publicada no Diário Oficial.



Oficialmente o Ministério da Agricultura não se pronunciou, apesar de o secretário de Assuntos Fundiários, Nabhan Garcia —apontado como o responsável pela queda de Corrêa— já ter indiretamente confirmado a demissão e falar em um substituto “técnico” para o cargo.

Uma fonte disse à Reuters que a demissão de Corrêa foi acertada na tarde da última segunda-feira em uma reunião entre o presidente Jair Bolsonaro, Tereza Cristina e Nabhan Garcia, e informada ao general na manhã de terça.

No mesmo dia, ao ser perguntada sobre as mudanças no Incra, a ministra da Agricultura respondeu apenas “que mudanças?” e não quis mais tratar do assunto.

Na própria terça-feira (3) Corrêa assinou a demissão de três assessores especiais da presidência do órgão e do coordenador do programa de educação, militares levados por ele para o Incra. As demissões, no entanto, só foram publicadas no Diário Oficial da União desta quinta-feira.

De acordo com uma fonte que acompanha o assunto, o Ministério da Agricultura não tem um nome ainda para substituir o general e, por isso, ele continuaria a trabalhar como uma espécie de interino. Isso porque todos os cinco diretores do órgão, nomeados por Corrêa, também serão demitidos junto com o presidente.

Também neste caso, as exonerações não foram ainda publicadas no Diário Oficial, mas uma fonte disse à Reuters que isso deve ocorrer na sexta-feira, assim como a exoneração de Corrêa.

Uma outra fonte que acompanha os acontecimentos no órgão conta que Corrêa e seus diretores passaram os dois últimos dias em reuniões internas, a espera da oficialização das demissões.

A demissão do general, nomeado em abril e próximo ao ex-ministro da Secretaria de Governo, o também general Carlos Alberto dos Santos Cruz, é atribuída a Nabhan Garcia e ao embate para levar adiante a promessa de regularização fundiária no país. De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, o secretário e o presidente do órgão divergiam sobre os processos de distribuição de títulos, especialmente na região Amazônica.

Em conversa com jornalistas na última terça-feira (3), Nabhan praticamente confirmou que a queda de Corrêa era sua responsabilidade.

“Eu simplesmente passei algumas informações ao presidente (Bolsonaro) porque estou sendo cobrando constantemente. Em todas as audiências públicas que efetivamos eu venho sendo muito cobrado na questão da entrega de títulos. Lamentavelmente a regularização fundiária deu uma travada e são informações que eu preciso passar ao presidente”, disse.

Ligado a ruralistas, o secretário tem acesso direto a Bolsonaro e tenta ampliar sua influência no governo. No início de junho, o então presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Franklimberg Ribeiro de Freitas, também foi demitido e atribuiu sua queda à pressão de Nabhan e à bancada ruralista no Congresso, a quem o secretário é ligado.

Marcelo Xavier, indicado para ocupar o cargo, era assessor especial de Nabhan na secretaria e já assessorou parlamentares da bancada ruralista durante uma CPI em 2016, que investigou a Funai.


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