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Cotidiano
'FARRA DAS PASSAGENS'

Denunciados, ex-deputados do Amazonas negam irregularidades em viagens

Lista de acusados pela Procuradoria da República tem 443 nomes de ex-deputados federais, incluindo sete que exerceram a função representando o Amazonas 03/11/2016 às 15:06
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Dos sete citados, quatro já se pronunciaram e negaram uso irregular da cota
Geizyara Brandão Manaus (AM)

Quatro ex-parlamentares pelo Amazonas que figuram na lista dos 443 denunciados pela Procuradoria da República na 1ª Região por uso indevido de dinheiro público, acusados de usar irregularmanete a cota de passagens quando exerciam mandato na Câmara, negaram quaisquer iregularidades. No total, a lista tem sete ex-deputados do AM.

Deputado Federal por três mandatos (2003-2014), ficando afastado do cargo de 2008 a 2010 para assumir como vice-prefeito de Manaus, Carlos Souza (PSD) afirmou que todas as cotas foram usadas corretamente e as que sobraram foram devolvidas. “Inclusive devolvi para a Câmara Federal as minhas passagens. Acredito eu, que fui o único deputado a devolver as passagens. [...] Fiz um ofício e devolvi através do ofício”, assegurou o ex-parlamentar.

“Só usava o que era permitido por lei, ninguém poderia usar mais do que isso”, enfatizou Carlos Souza. O parlamentar disse, ainda, que não tomou conhecimento da lista da Procuradoria da República.

Eleito deputado federal pela primeira vez em 2006, depois de três mandatos como vereador de Manaus, Sabino Castelo Branco (PTB) recorda que à época, além do parlamentar, era possível que os familiares também viajassem por meio das cotas aéreas e tempos depois, apenas o deputado e um assessor poderiam desfrutar das passagens. “Em 2009 poderia até viajar para o exterior, era livre”, disse.

Sabino admite que viajou para outros Estados, além da ponte Manaus-Brasília, como São Paulo e Rio de Janeiro, mas justificou que o PTB tem sede no Rio. O ex-deputado voltará para a Câmara Federal para assumir a cadeira deixada por Marcos Rotta (PMDB) que foi eleito como vice-prefeito de Manaus. Porém, Sabino está impedido de se candidatar até 2018 por pendência com a Justiça Eleitoral.

Também citado na lista, Praciano afirmou que sempre usou as passagens para compromissos do exercício do mandato, e não para turismo. "Um deputado federal é um deputado também do Brasil [...] Não considero nenhuma irregularidade, estou com a consciência tranquila de que todas as viagens que eu fiz foi a serviço da consciência política da sociedade”, defendeu o ex-parlamentar sobre o uso das passagens aéreas durante os dois mandatos na Câmara Federal (2007 a 2015).

Praciano participou como presidente da Frente Parlamentar de Combate à Corrupção por dois anos e esclareceu que todas as viagens realizadas com a cota de passagem foram a convite de entidades para debater questões relacionadas à frente ou à comissão de fiscalização, da qual fazia parte.“Sou cearense e todas as férias eu estava no Ceará, mas nunca usei (passagens) para minha mulher ou para os meus filhos. Sempre que eu ia para o Ceará comprava as passagens no cartão, porque eu sabia que [...] alguém poderia sugerir que eu tivesse vindo com passagens da Câmara”, explicou.As duas passagens que utilizou para o Ceará por meio da cota foram a convite da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC) com o tema sobre corrupção e outro a convite do município de Fortaleza para tratar do assunto de Transporte Coletivo”, disse.

Por meio de nota, Marcelo Serafim de manifestou na manhã desta segunda-feira e, assim como os ex-colegas de Parlamento, negou irregularidades. " Devo esclarecer que à época dessa reportagem o Site Congresso em Foco focou os 261 parlamentares que tinham comprado passagens com a cota parlamentar para familiares e para si para o exterior. Jamais utilizei essas verbas em viagens internacionais e jamais tive meu nome citado em nenhuma dessas matérias.  Todas as vezes que utilizei essas passagens foram dentro das regras estabelecidas pelo Congresso Nacional", disse ele.

Marcelo afirmou que ficou indigano ao ver explicações sobre o assunto no jornal O Globo, pois, segundo ele, os ex-parlamentares foram denunciados porque a Procuradoria não conseguiu as informações solicitadas pela Câmara dos Deputados. " (...) resolveu denunciar a todos para que provem sua inocência, esquecendo-se que a regra mãe do direito fala da presunção da inocência e não da presunção da culpa.  Lamento que o procurador desconsidere as regras estabelecidas pela Câmara dos Deputados e submeta 443 ex-parlamentares federais a esse constrangimento".

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