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Cotidiano
Empreendedorismo

Mesmo depois da aposentadoria, o sonho de abrir o próprio negócio

Pesquisa da Catho revela que metade das pessoas prestes a se aposentar deseja abrir o próprio negócio no Brasil 21/08/2016 às 09:14
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O aposentado Dilson Guedes ativo na telemensagem Gesto de Carinho. Foto: Clóvis Miranda
Rebeca Mota Manaus (AM)

Depois de anos dedicados ao trabalho, chega o momento da tão sonhada aposentadoria. Alguns querem aproveitar para curtir os netos e viajar, enquanto outros preferem ficar sossegados. No entanto, a necessidade de se manter produtivo ou o desejo de realizar sonhos antigos tem feito muitos aposentados concretizarem projetos empreendedores.

É o caso de três idosos empreendedores que resolveram montar o negócio, seja atuando como consultor ou como empresário, o que vale mesmo é ter disposição para enfrentar uma nova jornada.

O técnico de contabilidade aposentado, Dilson Guedes, 62 anos, cresceu com o objetivo de ter um próprio negócio, não queria ficar parado e sim investir em algo que pudesse lhe manter ativo em alguma função.

Aos 49 anos, pouco antes de se aposentar, começou a pensar em qualquer segmento que pudesse investir. E logo com ideias despertadas por amigos resolveu criar a Telemensagem Gesto de Carinho. O início foi sem auxílio de ninguém e as técnicas adquiridas foram através dele.

“Não aprendi com ninguém, comprei um programa, fiz pesquisas na internet, comprei um CD de São Paulo, participei e fiz com que as atendentes participassem de palestras também e fomos aprendendo na prática”, conta Dilson.

Hoje o empreendimento do senhor Dilson conta com a telemensagemfonada para qualquer ocasião, e enfatiza com características que deseja sempre ensinar as atendentes e conta que está satisfeito com seu trabalho, pois é algo que o deixa ativo.

“Sempre prezo pelo bom atendimento, pois isso é o ‘cartão-postal’ da empresa e que este negócio é um meio de renda e me sinto muito feliz, pois sempre estou ativo, gosto de trabalhar diretamente com meu projeto”, destaca.

Já o aposentado, Antônio Freitas, 73, desde novo projetava ter o próprio negócio na área da alimentação, algo que sempre teve aptidão. Natural do Pará e aposentado pelo o Amazonas com serviços para o Pólo Industrial de Manaus (PIM).

Seu sonho de ter o próprio empreendimento começou com vendas de lanches da feira do produtor, porém não deu certo e aos poucos foi juntando dinheiro juntamente com o da aposentadoria para construir o atual Restaurante Requinte.

“Eu sempre projetei isso, hoje o restaurante serve 300 refeições por dia e digo que tudo que consegui foi através do meu esforço e da minha família e com fé em Deus”, ressalta Freitas.


Salvio Rizzato, administrador, consultor de empresas e professor da UEA

O projeto de ter um próprio negócio na aposentadoria é estimulado pelo desejo de ter uma complementação de renda. Existe a questão de empreender por necessidade, porque a pessoa gosta de ser ativo na sociedade e também há aposentados que buscam isso pela a realização pessoal, fazer algo que gostam de fazer na forma de trabalho.

Na ‘pirâmide’ que sustenta, o negócio próprio é aquilo que gera autonomia para si, é uma oportunidade da pessoa ser seu próprio dono.

Os aposentados podem trabalhar com a mentoria, uma relação pessoal de desenvolvimento na qual uma pessoa mais experiente ou com mais conhecimentos ajuda a orientar outra com menor experiência. O foco é ajudar empreendedores iniciais em seus primeiros passos no mercado. E Também pode ser sócio, mas ajudando com este auxílio, de contribuir transportando os conhecimentos adquiridos.

As pessoas que continuam produtivas acreditam que ainda têm muito a contribuir e, com isso, elas ganham uma qualidade de vida mais extensiva.

Lazinha Costa, piscicultora

Na busca de ter o meu sustento diário e da minha família, eu e o meu esposo, resolvemos investir na piscicultura, uma atividade praticada há muito tempo, que é o cultivo de peixes, e este animal é um alimento diário do amazonense. E também criamos galinha, pato e peru.

O incentivo veio através de amigos, sempre eles afirmavam que nós tínhamos jeito para cuidar dos animais e com a ajuda deles juntamente com o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Amazonas (Idam) nós desenvolvemos o viveiro, as granjas e investimos no sítio Boa Esperança que fica na BR-174.

Também cultivamos uma horta e plantações de mandioca e laranja, tudo que criamos aqui no sítio nós levamos para vender na feira da Sepror.

Eu e meu marido temos vontade de criar outros tipos de animais e frutos, estamos investindo aos poucos. Mas estamos completamente satisfeitos com o que temos, é uma forma de estamos nos sentimos úteis e produtivos para com o Amazonas e é claro, ganhando uma renda.

5 em cada 10 profissionais pensam em abrir o próprio negócio após se aposentar

Para quem sempre foi acostumado a manter a vida ativa, a aposentadoria pode ser um martírio e, em alguns casos nem sempre é bem aceita. É este o motivo que leva muitas pessoas a montarem o próprio negócio, que é uma das opções mais desejadas, conforme a Pesquisa dos Profissionais Brasileiros da Catho realizada em 2015.

Após encerar o plano de carreira, 50,10% das pessoas pretendem ter um negócio próprio. Há também um aumento de 15% na preferência por atuar como consultor independente. Existem ainda os que desejam ser autônomos com 15,10% e também os que pensam em se aposentar e não trabalhar mais 7% e ainda os que não pensaram em nada 6% eaos que não pretendem fazer nada na aposentadoria 1,60%. E a pesquisa ainda revela que a idade que os profissionais pretendem se aposentar é com 60 aos 69 anos de idade (51,9%).

A pesquisa de 2015 contou com 23.011 profissionais de todo o Brasil, no período de 13 de junho a 29 de julho. 

Dicas de como empreender após os 50:

1) Experiência

A experiência profissional anterior pode ser usada no desenvolvimento do próprio negócio. 

 2) Planejamento

Elaborar um bom plano de negócios, estudar o mercado e buscar capacitação. Quanto mais planejamento, melhores as chances do negócio prosperar.

 3) Prazer no trabalho

 Pense nas coisas que gosta de fazer e avalie formas de ganhar dinheiro com elas.

4) Diferencial

É preciso pensar em um produto ou serviço que tenha demanda no mercado. Não se deve deixar de buscar a inovação, estar atento às tendências, investir em novas tecnologias, buscar negócios que sejam sustentáveis nos aspectos ambiental, econômico e social.

5) Necessidade

A desvantagem de qualquer empreendimento é quando é fruto de uma necessidade de sobrevivência e não apenas por oportunidade. É preciso fazer uma análise para verificar qual é o seu perfil. 

6)  Dedicação

Abrir uma empresa exige coragem e determinação. É preciso arriscar, planejar e investir dinheiro e tempo em um negócio.  

Fonte: Sebrae

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