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Depressão pós-parto atinge 40% das mulheres no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde

Casos são mais comuns do que se imagina: mulheres não se preparam emocionalmente para o momento do pós-parto e se deparam com a solidão 31/10/2015 às 18:37
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Diagnóstico da doença pode ser confundido com o chamado ‘baby blues’
Luana Carvalho Manaus (AM)

“É um momento muito difícil de transição. Você sai do papel de filha para ser mãe de alguém. Muitas mulheres não se preparam emocionalmente para esse momento e se deparam com a solidão”, conta Juliana*, 34, que sofreu de depressão pós-parto por quase um ano. Além dela, 40% das mulheres são acometidas pela doença no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.

“Eu tive o parto normal que eu queria, ocorreu tudo bem, mas não me planejei para o pós. Eu só fui entender o que eu passei quase um ano depois. Muitas vezes a gente não sabe que tem a doença, sente vergonha do que está pensando e ao invés de estar se sentindo feliz pelo momento, se sente triste”, desabafa.

Juliana relata que a depressão pós-parto causa angústia, uma tristeza sem motivos aparentes, acompanhada de desespero. “Existe um período em que a doença está em grau mais elevado na qual a pessoa chega a pensar até em morte por conta da angústia. São muitos pensamentos negativos”, desabafa.

Até hoje, ela não sabe a causa da doença. “Sempre estive amparada pela minha família e pelo meu marido, mas tinha sentimentos que eu não entendia. O parto e o pós-parto são momentos de reencontro e renascimento para a mulher, mas muitas mães não conseguem atravessar esse período”.

A médica obstetra e professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Sigrid Cardoso explica que o diagnóstico da doença pode, muitas vezes, ser confundido com o chamado “baby blues”, um conjunto de sintomas que aparecem geralmente entre o 3º e o 10º dia do pós-parto e que consistem em alterações de humor, com tristeza ou irritabilidade, e insegurança perante a nova responsabilidade.


Médica obstetra Sigrid Cardoso. Foto: Arquivo AC

“Nem todas as mulheres sentem essa tristeza, mas muitas, por causa da insegurança, acabam passando por esse momento de sensibilidade maior por conta da queda de hormônios. São muitas dúvidas, o corpo muda, muitas mães não sabem como vão fazer para cuidar da criança. Mas essa fase não se estende por muito tempo, é mais superficial e passageiro”, explica a médica.

A depressão pós-parto é mais intensa e a especialista alerta para não ser confundida com o ‘baby blues’. “A depressão é muito mais profunda e traz transtornos mentais e comportamentais, que precisam de tratamento psicológico e medicações”, ressalta.

Fatores de risco

A obstetra acrescenta que existem alguns fatores de risco e definições que podem estar relacionadas com problemas hormonais, devido às próprias transformações que acontecem no corpo da mulher. Muitas vezes falta um apoio do núcleo familiar, que às vezes é inadequado. Outros fatores relacionam a falta de algumas vitaminas. 

No próximo dia 23 de novembro, o Ministério Público Federal vai realizar uma audiência com o tema “violência obstétrica”. Nos últimos dois anos, o Ministério Público Federal registrou 53 denúncias de violência obstétrica no Brasil, sendo três no Amazonas. A intenção é reunir o máximo de mulheres que sofreram maus tratos na maternidade para uma realizar uma denúncia coletiva.

Especialistas afirmam que não não há uma única causa para depressão pós-parto. Fatores físicos, emocionais e de estilo de vida podem influenciar de alguma forma no surgimento da doença, conforme relata a médica obstetra.

Sintonas da depressão pós-parto

Os sintomas da depressão pós-parto são os mesmos de toda as depressões. “A mulher tem alteração de humor, irritabilidade, insônia, não sente vontade de fazer nada e nem de cuidar do bebê”. A médica Sigrid Cardoso explica que, nesses casos, a mudança pode ser notada facilmente pela família.

“É até mais fácil de diagnosticar do que a depressão de quem não teve um parto porque a família mesmo nota essa mudança radical na mulher após o nascimento do filho. Os médicos que acompanham essa paciente também percebem”.

Sigrid ressalta que é importante que a paciente relate seus sentimentos para o profissional que a acompanha. “Metade dos casos não são identificado porque a mãe acha que está cansado, nervosa, e isso vai passando desapercebido. Mas muitas chegam até em pensar em morte e por isso a importância do apoio emocional e psicológico nesta transformação importante na vida da mulher. ”.

Primeiros contatos

A depressão pós-parto tende a ser mais intensa quando a expectativa em relação ao bebê e os primeiros contatos com a maternidade não atendem as expectativas. A mão pode desenvolver sentimento de fracasso quanto à responsabilidade de cuidar da criança. Além disso, o humor pode variar em virtude do período de adaptação.

*Nome fictício

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