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Deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) diz que Câmara Federal não será ‘puxadinho’

Em passagem por Manaus, candidato procura aliados regionais entre governistas insatisfeitos e oposicionistas; ele prega a 'independência' do Parlamento 09/01/2015 às 09:44
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Prefeito Artur Neto recebeu, nesta quinta-feira (8), no Palácio Rio Branco, o deputado federal Eduardo Cunha, líder do PMDB na Câmara
Raphael lobato Manaus (AM)

Durante passagem por Manaus em campanha pela presidência da Câmara Federal, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) disse, nesta quinta-feira (8), que a Casa “não será um puxadinho do Palácio do Planalto”. Alvo de resistência no governo Dilma, o líder da bancada peemedebista voltou a criticar sua ligação ao esquema de corrupção na Petrobras e defendeu a criação de uma nova CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para investigar as denúncias.

O parlamentar tem feito um périplo pelos estados para pedir apoio às bancadas regionais junto a prefeitos e governadores. Após ter passado anteontem pelo Acre, o favorito na disputa iniciou a maratona na capital se reunindo com o governador José Melo (Pros) e depois seguiu para um encontro com o prefeito Artur Neto (PSDB).

Candidato que articula um bloco entre governistas insatisfeitos e oposicionistas, Cunha voltou a defender a “independência” do parlamento. “O fato de você fazer parte da base não quer dizer que você tem que ser submisso. Nenhum deles [partidos que o apóiam] pede que eu exerça oposição. Mas todo mundo sabe que a Câmara não será um puxadinho do Palácio do Planalto”, disse.

Após o encontro, José Melo se limitou a dizer que Cunha “está fazendo campanha como eu fiz recentemente” e se referiu ao peemedebista como um “amigo que sempre vota a favor” da Zona Franca de Manaus (ZFM). O Pros de Melo está aliado ao bloco do adversário de Cunha na disputa, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Já Artur Neto disse que vê “com simpatia” a candidatura do peemedebista e prometeu conversar com aliados tucanos. “Uma candidatura como a dele, de independência, se firmada, poderá ser uma boa solução para os momentos difíceis que o País tem pela frente. Perder o protagonismo da Câmara diante desse cenário seria muito ruim”, afirmou.

O PSDB da Câmara, no entanto, integra o bloco de apoio a outro adversário de Eduardo Cunha na corrida: o deputado Júlio Delgado (PSB-MG). O apoio é resultado da aliança entre o ex-presidenciável tucano, senador Aécio Neves, com a ex-candidata socialista Marina Silva no segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto.

Apoiado pelo PTB, DEM, PSC e PRB, o candidato da bancada que será a maior da Câmara, de 63 deputados, é alvo de resistência do governo. Cunha acumula desavenças com aliados do Palácio do Planalto e no ano passado chegou a mobilizar um “blocão” independente que derrotou a presidente Dilma Rousseff (PT) em votações na casa.

Bancada do AM ignora passagem

Dos oito representantes da bancada amazonense na Câmara, apenas o deputado Pauderney Avelino (DEM) acompanhou a passagem da campanha de Eduardo Cunha pela capital amazonense. Nem mesmo o deputado Marcos Rotta (PMDB) esteve ao lado do peemedebista durante as reuniões.

Apenas Avelino e Rotta são votos garantidos ao candidato peemedebista na disputa. O PSDB de Arthur Bisneto e o PPS de Hissa Abrahão são aliados da campanha de Júlio Delgado (PSB-MG). O PSD de Átila Lins e Silas Câmara, o PR de Alfredo Nascimento e o PP de Conceição Sampaio, são partidos que ainda não se posicionaram entre Eduardo Cunha e o candidato do PT, Arlindo Chinaglia (SP).

Na passagem que fez por Rio Branco (AC), anteontem, o deputado teve mais acompanhantes. Ele reuniu sete parlamentares, representantes do PMDB, PSC e até o PP.

Cunha quer nova CPMI da Petrobras

Eduardo Cunha defendeu ontem a instalação de uma nova Comissão Parlamentar Mista de Inquério (CPMI) no Congresso para investigar as denúncias de corrupção na Petrobras. O peemedebista atacou o sistema de delações premiadas e disse que a ferramenta foi o motivo para “a morte” da antiga comissão.

“Nós, da bancada do PMDB, vamos assinar a criação da nova CPMI. A antiga comissão morreu por conta do sistema de delações premiadas, ao qual a comissão não teve sequer acesso”, declarou o candidato.

Cunha passou a defender a comissão para amenizar a sua ligação aos esquemas de desvio na empresa. A estratégia também é vista como uma resposta ao Palácio do Planalto, que privilegiou na reforma ministerial indicações com maior trânsito no Congresso, numa tentativa de ter maior controle sobre a base e impedir a instalação de novas comissões.

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