Segunda-feira, 17 de Maio de 2021
Críticas

Deputados criticam demissão de chefe da Polícia Federal no AM: 'Trágica'

Vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos (PL), e o deputado de oposição José Ricardo (PT), classificaram como 'absurda' a demissão do delegado Alexandre Saraiva, que apresentou notícia-crime contra o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles por crimes ambientais



Sem_t_tulo__1__FF3A2937-D078-46DB-8C59-FA134BD4F487.jpg Foto: Reprodução/Internet
15/04/2021 às 19:33

Ovice-presidente da Câmara de Deputados, Marcelo Ramos (PL) af irmou  nesta quinta-feira (15), que as denúncias que pesam contra o Ministro Ricardo Salles são graves e têm que ser apuradas com  rigor pelos órgãos competentes. Ele classificou como ‘trágica’ a exoneração ocorrida, ontem,  do superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva, que denunciou Salles ao Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes ambientais, advocacia administrativa e organização criminosa. 

“Levando em conta que o ministro tem, até o momento, como legado à frente da pasta, diversas ações de desmonte de órgãos de fiscalização e o esvaziamento de recursos para esse fim, quando abriu mão do Fundo Amazônia, é preciso uma ação enérgica do governo federal. O resultado da política de Salles se reflete nos maiores indicadores de desmatamento desde 2012. Espero que governo não deixe para agir quando o mundo começar a impor barreiras comerciais aos produtos brasileiros, com a catástrofe instalada”, disse Marcelo Ramos.



Saraiva que, em entrevista à Folha já havia dito que,  no Amazonas ‘não passaria a boiada”, em referência a críticas feitas por Salles a uma operação que apreendeu madeira ilegal, disse ontem  à GloboNews que a situação do desmatamento na região norte “não tem precedentes”.

Saraiva reforçou, na entrevista,  que as atividades do Ibama estão sendo desviadas no combate ao desflorestamento. “O Ibama sempre foi parceiro da Polícia Federal no combate à extração de madeira ilegal. O que está acontecendo agora não tem precedentes”, disse.

Nesta quinta-feira, A Crítica entrevistou o delegado Leandro Almada, que confirmou ter recebido o convite para assumir a superintendência da PF no Amazonas, substituindo o delegado Alexandre Saraiva.

Para o deputado federal José Ricardo (PT), a demissão de Saraiva após ter apresentado notícia-crime contra Salles é 'absurda'. O parlamentar de oposição criticou a medida que, para ele, 'enfraquece os órgãos de fiscalização.

"Considero  nessa decisão o que acontece nesse governo. Quando você tem eventuais policiais, superintendentes,  funcionários do Ibama, de fiscalização, fazendo denuncias, fiscalizando de verdade e portanto contrariando interesses de quem apoiou a eleição e apoia esse governo, acaba sendo demitido. É a cara do governo Bolsonaro da devastação, do desmatamento, da agressão ao meio ambiente, aos povos amazônicos, aos povos indígenas, e o um grande prejuízo para o país. A nível internacional isso afeta as relações inclusive de países que sempre colocaram recursos a fundo perdido para ajudar várias áreas ligadas a preservação e a qualidade de vida das populações tradicionais. Portanto é o absurdo que nós temos aí. É a boiada passando como eles estavam querendo. E portanto acho que isso tem que ser denunciado. O Partido dos Trabalhadores não aceita isso. E ao mesmo tempo isso enfraquece os órgãos de fiscalização. Nenhum  funcionário público pode fiscalizar nada porque pode ser demitido. É um absurdo”, disse o parlamentar.

Sem apego

Ainda em entrevista à Folha, Alexandre Saraiva disse ainda que não tem apego ao cargo de liderança na PF e está apenas “seguindo a lei”. “Não fiz concurso para superintendente da PF. Sou delegado da PF, não tenho apego ao cargo. Sigo a lei”.

Ressaltou que o combate ao desmatamento no Brasil é uma questão de estratégias de inteligência com baixo custo, mas que deve ser posto em prática de forma ágil. “Nós não chegamos nessa situação do dia para a noite e nem vamos sair da noite para o dia.”

“Precisamos atacar a emissão do Documento de Origem Florestal (DOF) que autoriza a extração de madeira. É possível combater o desmatamento ilegal com menos gastos e mais eficiência”, disse.

Na notícia-crime enviada ao presidente do STF, Luiz Fux, Alexandre Saraiva enquadra Ricardo  Salles, o senador Telmário Mota (Pros) e o presidente do Ibama, Eduardo Bim, na Lei de Crimes Ambientais, advocacia administrativa e organização criminosa. O caso foi para o STF porque Salles e Telmário têm foro privilegiado.

As irregularidades teriam sido praticadas durante a  Operação Handroanthus, que apreendeu  200.000 metros cúbicos de madeira em toras retiradas ilegalmente por associações criminosas que atuam na região.

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