Sábado, 24 de Julho de 2021
Brasília

Deputados divergem sobre MP que viabiliza a privatização da Eletrobras

Os deputados Sidney Leite (PSD) e José Ricardo (PT) adiantaram que vão votar contra. O deputado Bosco Saraiva (SD) vai votar a favor do projeto que pode deixar a conta de energia mais alta



Sem_titulo__6__92D0B723-3690-428C-B88F-210D16DD0E0F.jpg Foto: Divulgação
18/06/2021 às 17:36

Após aprovação pelo Senado Federal nesta quinta-feira (17) da Medida Provisória (MP) que viabiliza a privatização da Eletrobrás, deputados federais do Amazonas na Câmara dos Deputados divergem sobre a desestatização da empresa pública. 

Os deputados Sidney Leite (PSD) e José Ricardo (PT) adiantaram que vão votar contra a MP do Governo Federal, que deve voltar à Câmara para uma nova votação até esta segunda-feira. O deputado Bosco Saraiva (SD) vai votar a favor. Os outros integrantes da bancada federal não responderam à reportagem. 



Por 42 votos a 37, a Medida Provisória 1031/2021 foi aprovada no Senado. A MP tem até o dia 22 para ser analisada, ou perde a validade. O senador Plínio Valério votou contrário à MP. 

Nas redes sociais, Plínio justificou o voto afirmando que o governo deve manter o controle da estatal a fim de assegurar o patrimônio nacional. Valério avalia que a entrega da empresa a acionistas vai mexer no bolso dos consumidores, aumentando o valor da conta de luz. Procurados, os senadores Omar Aziz e Eduardo Braga não responderam.

O deputado José Ricardo afirmou que a aprovação da privatização vai impactar na Zona Franca de Manaus (ZFM) com sucessivos aumentos na tarifa de energia elétrica das empresas. Ricardo registra que o setor privado não vai fazer investimentos no setor na proporção dos investimentos públicos nos últimos 40 anos.  

“Isso vai ter um custo tanto no orçamento familiar, mas também nos custos produtivos. O Polo Industrial de Manaus vai ser muito afetado por conta disso. Não vai parar de aumentar, vai ter margem de lucro necessário e o retorno financeiro dos investimentos feitos pelas empresas que compraram. Um grande retrocesso para o país”, argumentou.

Na mesma linha, Sidney Leite vê a abertura da Eletrobrás para capital privado como positiva, no entanto, Leite pondera que a inclusão de ‘jabutis’, propostas que fogem da natureza da matéria, prejudicou a viabilidade da MP.

“Colocaram jabutis na Câmara e agora outros no Senado e isso vai ser prejudicial, porque vai aumentar a conta de energia. Não é o objetivo que se discutiu em relação à privatização. Ela (MP) se tornou um monstrengo. A população brasileira não aguarda mais esse tipo de comportamento para interesse de grupos. Não dá para votar uma  medida de privatização que vai atender interesses outros”, alertou. 

Bosco Saraiva defendeu a desestatização proposta pela MP. Para o deputado, quando o governo deixar de ser acionista majoritário da Eletrobrás, a "empresa passará a crescer para atender às crescentes demandas e, ao mesmo tempo, o governo receberá parte dos lucros da companhia". 

Na primeira votação da MP na Câmara, em 20 de maio, a ampla maioria dos deputados do Amazonas ajudaram a aprovação da desestatização. Apenas José Ricardo e Sidney Leite foram contrários. 

A versão da Câmara para a MP da Eletrobras virou alvo de críticas de federações da indústria, como a Firjan e a Fiesp, que apontaram para o risco de oneração para o consumidor. De acordo com a Fiesp, o custo extra chegaria a R$ 400 bilhões no prazo de 30 anos.

Na segunda versão do relatório, o senador (DEM-RO) Marcos Rogério também alterou a distribuição das termelétricas a ser contratadas e passou a incluir a região Sudeste, e não apenas a região do Triângulo Mineiro. 

Mesmo com as alterações já feitas no relatório, a maioria dos senadores se manifestou contra a MP. Após o relator detalhar as últimas mudanças no parecer, o líder da Minoria, senador Jean Paul Prates (PT-RN), fez duras críticas ao texto e pediu que a MP não seja votada nesta quinta.


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