Sexta-feira, 22 de Novembro de 2019
DEFESA

Deputados do AM apresentam moção de apoio ao Fundo Amazônia

Fundo deixará de receber R$ 289 milhões após Alemanha e Noruega cortarem recursos do projeto



junio_matos_05BC3E68-B3FF-4ED8-B31E-1C6BEE9D4ED0.JPG Foto: Junio Matos/Freelancer
27/08/2019 às 15:05

O presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), deputado Josué Neto (PSD) e a líder do governo Joana D’arc (PL) apresentaram uma moção de apoio ao Fundo Amazônia, na manhã desta terça-feira (27). O Fundo deixará de receber R$ 289 milhões após dois financiadores europeus cortarem recursos do projeto. O programa beneficia 103 projetos no Brasil, sendo 19 no Amazonas.

“Estamos conversando diretamente com quem quer ajudar a Amazônia, com quem tem o interesse de trazer investimentos e de trazer recursos para que a gente não fique dependendo apenas de um posicionamento, de repente, de âmbito nacional que não apoia o Fundo Amazônia. O diálogo com a Alemanha e Noruega está acontecendo através das embaixadas com sede em Brasília. Nós estamos fortalecendo esse apoio e ajuda com a moção de apoio ao Fundo Amazônia dado conhecimento dos resultados dos projetos financiados pelo Fundo”, declarou a líder do governo, acrescentando que o diálogo é direto com os embaixadores e está sendo tratado em âmbito governamental.



Na semana passada, a Noruega bloqueou R$ 132,6 milhões do Fundo Amazônia por conta de declarações e ações do presidente Jair Bolsonaro sobre a ajuda financeira internacional. No último dia 10 de agosto, o Ministério do Meio Ambiente da Alemanha também decidiu suspender repasse de R$ 155 milhões. Os dois países são os principais doadores de verbas para a preservação das florestas na América do Sul e dos povos indígenas e tradicionais.

Estreitar laços

A Assembleia realizou a sessão plenária itinerante e uma sessão especial no Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs), na Zona Oeste de Manaus, na manhã desta terça-feira (27). De acordo com o presidente da ALE-AM, Josué Neto, a reunião no quartel militar visava “estreitar os laços entre as instituições e oportunizar o acesso de informações, pelos deputados, de ações de relevância para a Amazônia e o Amazonas”.

Durante a visita, o comandante do Cigs, Coronel Mário Brayner, ponderou a necessidade de parcerias com o poder legislativo estadual e a classe empresarial para expandir o alcance e as ações desenvolvidas pelo zoológico.

“Precisamos de parcerias para aumentar e desenvolver melhor. Somos calcados no recurso orçamentário do exército. Se tivermos uma participação da sociedade, efetivamente, dando esse apoio tenho certeza que esse zoológico será muito melhor. Buscar parcerias junto à Assembleia classe empresarial da cidade de Manaus e do Estado tenho certeza que será muito bom para o povo. Quem ganha é o povo”, declarou o militar acrescentando que o zoológico desenvolve pesquisas científicas da flora e fauna da região.

Questionado sobre a captação de recursos, por exemplo, do Fundo Amazônia para continuidade das ações de preservação ambiental, o comandante do Cigs disse o assunto é tratado entre o governo federal e o Comando Militar de Área. A reportagem tentou ouvir outras fontes do exército, mas não obteve retorno.

Na sessão, deputados enfatizaram a contribuição do Exército na defesa do território brasileiro e das florestas. “Não há instituição que entenda mais da Amazônia que o Exército brasileiro que tem como missão preservar a Amazônia. Qualquer opinião, atividade ou ação o Exército deve estar presente para tomada de decisões importantes, por exemplo, o combate às queimadas”, declarou Josué.

Da tribuna, Joana D’arc disse que vai destinar recursos das emendas parlamentares para ações de fiscalização do desmatamento e das queimadas na Amazônia. “Não podemos aceitar qualquer interferência ou ingerência sem ser ouvidos. Assim que acaba a ajuda somos nós que ficamos com as ações de combate ao desmatamento e as políticas públicas ambientais”, afirmou a parlamentar.

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Representante do Instituto Raiz da Amazônia, Raimundo Baré, disse que os povos indígenas, mesmo sem os cortes, não tinham acesso a verda do Fundo.

“Se o corte vai trazer impactos não é possível dimensionar. Em 2017, quando fui presidente da Fundação Estadual do Índio não tivemos acesso a nenhum recurso do Fundo Amazônia nem pela Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira) ou por outras organizações menores. Quando vem é muito pouco”, contou.

Segundo ele, “há uma série de organizações não governamentais (ONGs) que têm acesso a  esse recurso que, infelizmente, não chega na ponta levando o benefício que deveria levar para as comunidades indígenas.”

“ Estamos tratando diretamente com pessoas ligadas ao governo e empresários internacionais para ter acesso direto a esse recurso”, completou.

 ‘Retire o que disse’

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) condicionou uma eventual análise da ajuda de 20 milhões de euros oferecida pelo G7 para combater as queimadas na Amazônia a um gesto do francês Emmanuel Macron para “retirar os insultos” que o brasileiro reputa a seu colega europeu.

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