Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2020
Despesa e frequência

Deputados estaduais faltaram 529 vezes e usaram R$ 7,3 milhões do cotão em 2019

Parlamentares fecharam o ano com 82% de frequência às sessões plenárias na ALE-AM. Em relação aos gastos do cotão, utilizaram 93% do total disponível



ALEAM_Arq_8C20B119-D5B5-48F6-96E0-9FF0261A29B4.JPG Foto: Arquivo/A Crítica
03/01/2020 às 19:29

Os 24 deputados estaduais do Amazonas registraram, em 2019, um total de 529 faltas em sessões plenárias, segundo dados do portal da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM). Juntos os parlamentares somaram 2.375 presenças, de um contigente de 2.904, o que equivale a 82% de frequência.

Percentual maior foi atingido no tocante aos gastos. De janeiro a novembro (os gastos de dezembro ainda não foram divulgados), os deputados utilizaram 93% da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap). De um total de 7,9 milhões, usaram R$ 7,3 milhões.



O deputado mais presente do ano foi Álvaro Campêlo (PP), com 118 registros das 121 sessões, representando 97% de assiduidade. A lista dos cinco mais assíduos inclui: Alessandra Campêlo - MDB-  (90%), Dr. Gomes (89,2%), Dermilson Chagas e Roberto Cidade ambos com 88,4%, e Josué Neto e Sinésio Campos com 85,1% de frequência.

Já o mais faltoso foi Augusto Ferraz (DEM), com 35 faltas. Seguido de Saulo Viana (PPS) com 32 ausências, Ricardo Nicolau (PSD) com 31, Felipe Souza (Patriota) e Joana Darc (PL), com 30 ausências cada, e Delegado Péricles (PSL) com 29 faltas.

Cotão

Entre os deputados reeleitos (receberam o cotão desde janeiro, enquanto os novatos só passaram a recebem em fevereiro), quem mais lançou mão da verba para despesas com assessorias especializadas, fretamento de aeronaves, combustível, e outros foi Adjuto Afonso (PDT). Gastou R$ 345,4 mil, deixando um saldo de apenas R$ 57,61 para dezembro.

Em seguida vem Alessandra Campêlo com despesas de R$ 343,7 mil. Na outra ponta, o deputado Serafim Corrêa (PSB) foi o que mais economizou. De um montante de R$ 345,4 mil disponíveis utilizou R$ 169,9 mil. Nesse grupo, o  segundo com  menos gastos foi Ricardo Nicolau (PSD) com R$ 248,9 mil. E o terceiro foi Sinésio Campos: R$ 291,2 mil.

Novos deputados

Do grupo de parlamentares novatos, o Delegado Péricles foi o que menos gastou. Utilizou R$ 199,6 mil. A segunda que menos utilizou a Ceap foi Mayara Pinheiro (PP) com R$ 303,4 mil. Já o que mais gastou foi Felipe Souza. Pediu reembolso de R$ 319,6 mil de um total disponibilizado de R$ 319,7 mil. O segundo foi Fausto Júnior (PV) com despesas de R$ 318,8 mil. E o terceiro no ranking de uso do cotão foi João Luiz (PRB). Gastou R$ 316,9 mil. Um pouco mais do que Carlos Bessa que utilizou R$ 316,7 mil.

 Justificativas

O presidente da Comissão de Empreendedorismo, Comércio Exterior e Mercosul, Adjuto Afonso, explicou que como suas bases eleitorais estão distantes de Manaus em comunidades do interior do Estado e considerando as precariedades logísticas a medida que a distância é maior, por vezes, a verba chega até a ser insuficiente. Ele enfatizou que não fosse a Ceap não teria como fiscalizar o Executivo.

“A Ceap é um instrumento de trabalho, não é um gasto. O dinheiro não fica com você. Um frete para Boca do Acre é R$ 20 mil, e se eu for de voo normal, ou voadeira, não consigo chegar aos municípios. Se você pegar, tem várias coisas que entra. A ALE-AM não te dá nada de material para funcionar, você tem que comprar material de expediente para o seu gabinete. Você compra no seu cartão, crédito, e presta contas no final do mês. A Assembleia verifica se é real e devolve. Quem tem base em Manaus, com programa de televisão, deve gastar pouco”, disse.

Álvaro Campelo, o mais assíduo nas sessões plenárias, disse que cumpriu com a obrigação parlamentar de garantir a presença. Dividindo viagens ao interior, nos finais de semana, o deputado concentra o reduto eleitoral nos bairros da capital e entorno, o que facilita as condições de frequência na Casa.

“Tenho tentado programar da melhor forma as viagens ao interior para estar presente na ALE-AM, fiscalizando e ouvindo as demandas. Vou aos fins de semana para não conflitar nas sessões. Hoje, meu trabalho é massivamente na capital, onde fico nas comunidades à tarde. Desenvolver o mandato tem um alto custo, e o uso da cota é essencial para dar prosseguimento ao trabalho, um  recurso que deve ser usado com muita responsabilidade”, afirmou.

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Jornalista
Formado pela Faculdade Boas Novas. Pós-graduando em Assessoria de Comunicação e Imprensa e Mídias Digitais. Com passagens por outros veículos locais, hoje atua nas editorias de política e economia de A Crítica. Valoriza relatos humanizados e contos provocativos do cotidiano.

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