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Dermilson sai do PDT e critica presença de Amazonino na sigla: 'não agrega, é atrasado e omisso'

Deputado diz que legenda no Amazonas está atrofiada e doente e afirma que deixará a sigla por grave discriminação pessoal 06/09/2015 às 20:48
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O deputado Demilson Chagas
Aristide Furtado Manaus (AM)

Único representante do PDT na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), o deputado Demilson Chagas alegará grave discriminação pessoal para deixar a legenda antes do dia 2 de outubro, prazo limite para quem pretende concorrer na eleição do ano que vem. Prestes a desembarcar da sigla, o parlamentar disparou contra o presidente regional do PDT, Stones Machado, e contra o ex-governador Amazonino Mendes, cacique da agremiação, a quem tachou de atrasado e omisso.

Ex-superintendente regional do Trabalho, no Amazonas, Dermilson afirma que a relação dele coma direção estadual da legenda começou a se complicar quando ele determinou a fiscalização de irregularidades trabalhistas na empresa de Stones Machado.

“Eu era superintendente. Meu presidente era empresário na época e não gostou de fiscalização. Achava que eu tinha que passar a mão na cabeça dele. Fiz minha parte. Fiz o meu trabalho. Isso ficou mágoas, rancor e se transformou em perseguição. Só fui candidato porque pedi do presidente nacional Carlos Lupi. Porque por aqui não sairia a candidatura”, disse o deputado sem esclarecer quais as irregularidades na empresa do presidente regional do PDT.

Na avaliação do parlamentar, o partido que apostou no ingresso de Amazonino em setembro de 2011 para turbinar a legenda na eleição do ano seguinte atrofiou e hoje padece de uma doença imunológica.

“O Amazonino não agrega nada. Ele é só  biografia. Mais nada. A política mudou. A visão das coisas mudaram. Não se pode pensar que é dono das pessoas, que compra partidos. As pessoas não estão mais por essa linha.  Se for para viver de passado, vamos viver no atraso. Se for equiparar o avanço do Amazonas ao que deveria ser, ainda vive no passado, no período da borracha no período feudal. O Amazonino não vive o partido, não participa de reunião, ele pensa nele, tem  visão muito interna”, disse.

O deputado citou o PV, PEN e PTN, do colega de Assembleia Legislativa, Abdala Fraxe como alguns dos prováveis destinos dele. “Tenho vários convites para sair do PDT. A situação é que vai dizer. O partido está nas mãos de pessoas no interior que não têm voto, que não fizeram campanha no passado. Os filiados são atrofiados,  não crescem”, disse Dermilson.

 Segundo ele, a perseguição no PDT se intensificou durante a campanha do ano passado quando foi vetado no horário eleitoral do partido na TV e no rádio. “Vi um bilhete na produtora de televisão de que eu estava proibido de ter inserção na TV. Apareci uma única vez porque meu primo conhecia a menina da produtora e colocou o meu  nome na imagem do Gilmar Nascimento (vereador). Apareci por engano”, disse.

A reportagem não conseguiu contatar Stones Machado pelos celulares 981xx-83xx e 991xx-80xx, nem Amazonino.

Justa causa

O TSE permite a troca de legenda  nos casos em que a saída se dá por justa causa, ou seja quando  houver incorporação ou fusão do partido; a criação de novo partido; a mudança substancial ou o desvio reiterado do programa partidário e a grave discriminação pessoal. Se isso não ocorrer, a sigla pode pedir na Justiça o mandato de volta.

Partido cresceu em 2012

O PDT cresceu 400% em número de prefeitos eleitos no Amazonas, na campanha eleitoral de 2012, em relação a de 2008, depois do ingresso de Amazonino Mendes na legenda, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na última campanha municipal, a sigla lançou 18 candidatos a cargos majoritários no Amazonas. Destes, quatro foram eleitos.

O partido conquistou as prefeituras de Atalaia do Norte com o prefeito Nonato Tenazor;  Nhamundá, com Gledson Paulain Machado; Santa Isabel do Rio Negro, com Mariolino Siqueira; e Tabatinga, com Raimundo Carvalho Caldas. Em 2008, oito candidatos concorreram ao cargo pelo PDT,  mas nenhum deles foi eleito.

A sigla também ganhou espaço no Legislativo entre os dois períodos. Em 2012, registrou 339 candidaturas a vereador em todo o Estado, dos quais 38 venceram o pleito. Em Manaus, garantiu dois assentos na Câmara de Vereadores com Gilmar Nascimento e Francisco da Jornada. Em 2008, havia elegido 27 parlamentares.

Blog: Amazonino Mendes

Ex-governador do Amazonas

“Não sou  candidato a nada. Mas a verdade não pode ser manipulada ou esquecida”,  declarou o ex-governador Amazonino Mendes esta semana no programa do PDT na televisão, em sua primeira aparição pública desde a campanha eleitoral do ano passado, quando flertou com o governador José Melo, mas acabou apoiando a candidatura do senador e hoje ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga ao Governo do Amazonas.

Na inserção de 30 segundos, a sigla expõe obras do ex-prefeito e ex-governador na área de educação. “Seria bom se tivesse feito não só a construção de prédio, mas a transformação moral da sociedade”, criticou o deputado Dermilson Chagas ao avaliar a fala de Amazonino.

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