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Cotidiano
Entrevista

Novo reitor da Ufam, Sylvio Puga diz que principal desafio é implementar mudanças

Responsável por comandar a Universidade Federal do Amazonas pelos próximos quatro anos fala sobre projetos e mudanças para a instituição 09/04/2017 às 07:00
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A posse de Sylvio Puga e Jacob Cohen na direção da Ufam deve ser realizada em Brasília, no início de julho deste ano (Foto: Márcio Silva)
Silane Souza Manaus (AM)

“Mudança” é a palavra de ordem da nova gestão da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Os novos reitor e vice-reitor, Sylvio Puga e Jacob Cohen, garantem que, a partir de julho, quando assumirem os cargos, vão trabalhar propostas que aperfeiçoem e aprimorem a instituição e apontem mudanças em várias questões institucionais. Medidas que beneficiem professores, técnicos e alunos, bem como as que ampliem a oferta de cursos, serão priorizadas pela dupla. Em entrevista ao A CRÍTICA, Sylvio Puga falou sobre estes projetos e os desafios de mudança na condução dos rumos da administração da Ufam para os próximos quatro anos. 

“Ufam: conectada para o futuro”. Que Ufam é esta que vocês propõem?
Significa uma universidade mais ágil nos seus processos internos para melhor atender a sociedade.

Quais as propostas que vocês colocarão em pauta como prioridade?
Uma delas será a proposta que foi o carro-chefe da nossa campanha: a “Ufam Saúde”, que é um plano de saúde público para os nossos técnicos, professores alunos e aposentados. Nós vamos institucionalizar o acesso ao nosso Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV) e ao Hospital Francisca Mendes, fazendo com que a nossa comunidade tenha esse atendimento, como existe em outras universidades que têm seu hospital universitário e a sua comunidade, como a carteira própria, tem acesso quando necessário efetivamente. 

Quais são as outras?
Além disso, nós vamos discutir, no âmbito da graduação, a questão da flexibilização curricular. É uma discussão importante neste momento, que outras universidades também estão fazendo. Também vamos enfrentar o problema de retenção e evasão dos cursos de graduação com estratégias muito bem definidas a partir da discussão com nossos colegiados de curso. No campo da pós-graduação, nós queremos ampliar a oferta de cursos e trabalhar com a nossa pró-reitoria de pesquisa e pós-graduação para apresentarmos novas propostas à Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), que é o órgão regulamentador. Em relação aos cursos já existentes nós vamos trabalhar para fortalecê-los cada vez mais. Na extensão, nós queremos fortalecer as ações existentes e trabalhar para que novas ações sejam fortalecidas. 

Quais os desafios para executar estes projetos?
O desafio muito claro é o orçamentário. Nós vamos trabalhar com menos recursos. Então, como eu disse em toda a campanha, vamos buscar recursos extra-orçamentários, a partir de projetos que vamos apresentar a instituições e entidades no Brasil e no exterior, para que possamos ampliar o volume de recursos para os nossos projetos internos. Vamos ter uma equipe altamente preparada e qualificada, com expertise em projetos, e vamos apresentá-los aonde quer que existam editais para busca de recursos. Também vamos buscar recursos junto a outros ministérios e onde temos possibilidade de acesso. 

Qual é o orçamento da Ufam?
Para o ano de 2017 o orçamento da Ufam é de  R$ 645 milhões.

E este volume, que é o quarto maior orçamento do Estado, fica aquém  das demandas?
Sempre existe aquela máxima que os recursos são escassos e as necessidades são ilimitadas. Isso é uma máxima da teoria econômica, então, como a necessidade é ilimitada, nós temos que buscar permanentemente recursos, independente do volume que tivéssemos nesse momento. Isso é uma tarefa do cotidiano institucional. 

Como enfrentar as possíveis greves de funcionários?
A nossa gestão será marcada pelo diálogo e pelo respeito. Essa é uma característica minha e do doutor Cohen. Nós respeitamos as entidades: Adua, Assua, Sintesam e DCE. Vamos estar permanentemente dialogando com as entidades porque o movimento de greve tem duas pautas: a nacional e a local. Nós entendemos que a pauta local nós podemos, enquanto gestores da universidade, estar trabalhando junto às entidades para que elas possam ser atendidas. 

E quanto às cinco unidades acadêmicas da Ufam no interior (em Benjamim Constant, Coari, Itacoatiara, Humaitá e Parintins), quais as propostas da nova reitoria para elas? 
O anseio das nossas unidades acadêmicas no interior é que elas se transformem em novas universidades federais. Quando a Ufam planejou, há dez anos, essa expansão que foi acolhida pelo governo federal, foi a semente para que futuramente elas se transformassem em universidades. Hoje, a gente percebe que esse sentimento é mais latente nessas unidades acadêmicas e nós apoiamos esse anseio da comunidade do interior e vamos levar essa pauta ao Ministro de Educação quando formos à audiência com ele. 

Perfil do entrevistado

Sylvio Mário Puga Ferreira tem 45 anos, é graduado em Ciências Econômicas pela Ufam, mestre em Economia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas, e pós-doutor em Economia pelo IE/Unicamp. É professor associado 2 da Ufam, lotado no Departamento de Economia e Análise (DEA) e foi diretor da Faculdade de Estudos Sociais (FES).

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