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Cotidiano
Propostas

Desafios da educação inclusiva são discutidos em seminário realizado em SP

O Amazonas foi representado pelo professor de Braille Carlos Fragata, do município de Parintins, que contou as experiências e desafios para promover a inclusão no município 21/06/2016 às 10:07 - Atualizado em 21/06/2016 às 16:42
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Cartilha indígena em braile, tintas e libras é proposta do professor Carlos Fragata (Foto: Luana Carvalho)
Luana Carvalho São Paulo (SP)

A Educação inclusiva foi tema de seminário que reuniu ao menos 200 profissionais da área, nesta sexta-feira (17), na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). O Amazonas foi representado pelo professor de Braille Carlos Fragata, do município de Parintins (a 369 quilômetros de Manaus), que contou as experiências e desafios para promover a inclusão no município e em cidades vizinhas.

Entre as propostas, ele sugeriu a criação de uma única cartilha indígena em libras, braile e em tinta. “Nós já produzimos uma cartilha na língua materna no sistema Braille e temos orgulho de dizer que é a única do Brasil. Mas precisamos de mais. Queremos que todos os alunos, indígenas ou não, compreendam as linguagens e sistemas e ajudem um ao outro, isso é inclusão”.

O evento foi realizado em comemoração aos 70 anos da Fundação Dorina Nowill e discutiu os avanços e possibilidades para a promoção da inclusão. Os participantes ressaltaram, principalmente, a importância e o apoio do professor e da sociedade no papel de estimulador do aluno com deficiência.  

“O ser humano só consegue ter qualidade de vida se interagir com a sociedade e com as pessoas. Grandes coisas começam com pequenas ações e nós temos que fazer as transformações nessa sociedade. Por isso, acreditamos que essas ações devem ser executadas tanto pelo poder público quanto pela sociedade”, frisou a presidente da fundação, Ika Fleury.

Especialista em educação inclusiva, a pedagoga Ana Cláudia Domingues explica que ainda há resistência do professor em enxergar o aluno com deficiência. “Ele enxerga a deficiência em primeiro lugar, quando na verdade é preciso entender que se ele não se apropriar e chegar junto desse aluno com deficiência, seja qual for, ele não vai trazer o aluno pra perto dele. É preciso que o profissional busque estratégias para desenvolver um trabalho de inclusão”.

Ela ressaltou, ainda,que o processo acontece de fato entre a relação educador com o  aluno. “O professor da sala regular precisa acreditar neste aluno, estimular e empoderar efetivamente, pois só assim a aprendizagem acontece”.

Doutora em educação inclusiva pela Universidade de São Paulo (USP), professora Shirley Maia explicou que umas das estratégias que deve ser trabalhada é a educação com ensino colaborativo. “A educação é para todos, não tem que ter uma diferenciação. Devemos pensar que tem muitas crianças que não são deficientes e que também possuem muitas dificuldades. Por isso uma boa estratégia é trabalhar uma ação conjunta entre professores da educação especial e do ensino comum”.

Um terço das escolas municipais são adaptadas

Só na rede municipal de educação de Manaus, há quase quatro mil alunos inclusos. Embora apenas 142 escolas de um total de 484 sejam adaptadas, o trabalho na área de educação especial já recebeu várias premiações, como o primeiro lugar no prêmio Professores do Brasil em dezembro do ano passado, com o projeto “Mãos na roda: recreação inclusiva no espaço escolar da educação infantil”, desenvolvido pela professora Michelle Nunes da Silva, do Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Caio Carlos Frota de Medeiros.

As deficiências vão desde altas habilidade (superdotação), autismo, deficiências multiplas à sindromes raras como a de Rett e de Asperger. A pasta informou que desde 2009 realiza formações, como a Sensibilizar para Incluir, Formação em Libras (Básico, Intermediário e Avançado), Curso de Interpretes; Formação na área da Deficiência Visual (Braille, Soroban, Orientação e Mobilidade e Tecnologia Assistiva) e Oficina de Práticas Pedagógicas.

Mais recentemente, passou a oferecer pós-graduação em Educação Inclusiva e Transtorno do Espectro do Autismo aos professores da rede. Assim como as especialistas em educação inclusiva que estiveram presentes no seminário, em Manaus a assessora de educação especial da Semed, Egley Nascimento, também acredita que a iniciativa de cada profissional faz a diferença no processo de aprendizagem.

“Penso que não existe profissional que atenda realmente sua demanda, que seja competente no que faz, se ele ficar apenas esperando que a rede vá proporcionar essa formação. É um processo trabalhoso, não temos receita pronta, até porque o ser humano é diferente independente de ter deficiência ou não, o que serve para um, não necessariamente vai servir para o outro”.

Egley começou a trabalhar com alunos inclusos em uma época em que não se falava sobre inclusão, tendo o primeiro aluno com deficiência em 1989. “Nem no meu magistério o assunto foi comentado. Historicamente falando, o fenômeno da criança com deficiência ir à escola regular é recente”.

Além de ser pedagoga, ela também é professora e destaca o trabalho realizado na rede. “Temos profissionais que fazem um trabalho maravilhoso, professoras comprometidas. Não vou dizer que não existe dificuldade, porque o processo de inclusão é bem trabalhoso e tem uma série de obstáculos, mas é viável, tanto é que estamos fazendo e tem dado certo”.

Na rede estadual de educação, são 2.938 alunos inclusos, sendo 1.237 estudantes com necessidades especiais matriculados nas escolas públicas estaduais da capital e 1.701 nas escolas do interior.

 

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