Terça-feira, 16 de Julho de 2019
COBERTURA

Descentralização dos atendimentos de HIV/Aids é desafio contra superlotação na FMT

Unidade exclusiva da rede estadual, Fundação de Medicina Tropical atende 12 mil dos 15 mil pacientes que vivem com o vírus no Estado



FMT.JPG FMT acaba sobrecarregada por conta da demanda
17/12/2017 às 14:46

A descentralização do atendimento às pessoas com HIV/Aids no Amazonas ainda caminha a passos lentos, de acordo com organizações da sociedade civil. Um exemplo disso é que das cercas de 15 mil pessoas vivendo com o vírus no Estado, em torno de 12 mil são tratadas na Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), em Manaus, o que deixa a unidade “superlotada”. 

“É vergonhoso o tratamento e o acolhimento que as pessoas vivendo com HIV/Aids recebem do Estado e dos municípios. Não há nada humanizado”, afirmou a representante estadual da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP+AM), Vanessa Campos. “A descentralização que estão engendrando fazer há algum tempo não funciona verdadeiramente como deveria”, completou. 

O gerente de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Jair Pinheiro, disse que, na parte da execução das políticas de enfrentamento de HIV/Aids, o Município avançou significativamente ao ofertar o teste rápido em todas as 147 unidades da atenção primária. O principal desafio hoje é fazer também o tratamento das pessoas vivendo com o vírus nesses locais. Isso vem sendo planejado, diz Pinheiro.

Capacitação

Conforme ele, quatro Unidades Básicas de Saúde (UBSs) receberam capacitação no ano passado, por meio de uma cooperação firmada entre Município, Estado e União, para integrar a rede de atendimento as pessoas vivendo com HIV/Aids, e uma delas, a UBS Arthur Virgílio Filho, na Zona Norte, está com o serviço funcionando. Atualmente, 25 pacientes com HIV fazem o tratamento no local e não precisam mais ir à FMT.

A previsão é que as outras três UBSs - Theodomiro Garrido (Zona Sul), Leonor de Freitas (Zona Oeste) e Leonor Brilhante (Zona Leste) - comecem a oferecer o serviço no primeiro semestre do ano que vem. “A meta é termos o tratamento implantado em pelo menos 10 UBSs até o final dessa cooperação. Além disso, nós assumimos o compromisso de implantá-lo também em outras 15 até 2022”, afirmou Pinheiro.

A ideia é que os novos casos de HIV diagnosticados, quando não tiverem complicações graves, não sejam mais encaminhados à Fundação de Medicina Tropical e sim para essas unidades de atenção básica. “Com a quantidade de casos que nós temos hoje não dá mais para os pacientes serem acompanhados só na FMT. Ampliar essa rede de tratamento é o desafio do momento da Semsa”, disse o gerente de Epidemiologia. 

Unidades com serviço especial

Além da UBS Arthur Virgílio Filho, a Semsa tem quatro unidades com Serviço de Atendimento Especializado (Sae) para pacientes com HIV/Aids. São elas: Policlínica Dr. José Antônio da Silva, no bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte, Policlínica Dr. Antônio Reis, bairro São Lázaro, Zona Sul, Policlínica Dr. Antônio Comte Telles, bairro São José III, Zona Leste, e Policlínica Dr. José Raimundo Franco de Sá, bairro Nova Esperança I, Zona Oeste.

Capacitar o ‘pessoal’ é essencial

Outro desafio para a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), de acordo com o gerente de Epidemiologia da pasta, Jair Pinheiro, é a capacitação dos profissionais de saúde para atender as pessoas vivendo com HIV/Aids. “Nossa função no serviço é o atendimento integral e igual para todos e, nesse processo, treinar os profissionais não só para fazer o atendimento, mas também para saber acolher, é importante e um desafio para nós”, disse.  

O coordenador da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo e Convivendo com HIV, núcleo Amazonas, Rafael Arcanjo, afirmou que muitas pessoas soropositivas não se tratam, não porque não querem, como dizem os governantes, mas porque o serviço é negligente e o preconceito e estigma da década de 80 e 90 ainda são persistentes, mesmo dentro das unidades de saúde. “Não existe tratamento humano dentro do serviço de saúde. Isso afasta os jovens”, apontou.

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