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Cotidiano
HIDROLOGIA

Descida rápida do rio Purus, ameaça bairros com fenômenos de terras no interior do AM

No período da cheia, o Purus ultrapassou a cota de emergência de 18 metros em Boca do Acre e causou prejuízos, deixando diversas famílias desabrigadas. Agora, na vazante, as comunidades sofrem 11/07/2017 às 08:13 - Atualizado em 11/07/2017 às 08:14
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Boca do Acre também está em situação de Emergência por causa do fenômeno das “terras caídas” (Foto: Reprodução)
Kelly Melo Manaus

A descida rápida das águas do rio Purus, no Município de Boca do Acre (distante  a 1.028 quilômetros de Manaus), pode deixar comunidades ribeirinhas isoladas nos próximos dias. A informação foi confirmada pela Defesa Civil do Município.

O secretário Municipal de Defesa Civil de Boca do Acre, Josemar Fidelquino, explicou que a vazante tem se mostrado mais rápida que o esperado para o período e algumas comunidades já começam a ter dificuldade  na navegabilidade do rio Purus. Em média, o rio tem descido de quatro centímetros a cinco  centímetros por dia. No município, a cota do rio está em quatro metros. “Se continuar assim, muitas comunidades podem ficar isoladas porque as embarcações não terão como navegar. A gente ainda não conseguiu ir nessas comunidades por falta de recursos”, afirmou.

No período da cheia, o Purus ultrapassou a cota de emergência de 18 metros em Boca do Acre e causou prejuízos, deixando diversas famílias desabrigadas. Agora, na vazante, as comunidades também sofrem com a falta de água própria para consumo.

Na semana passada, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e a Defesa Civil do Estado firmaram uma parceria para levar mais de 515 mil galões de água potável para 39 cidades atingidas pelas cheia. Boca do Acre é uma delas e deve ser beneficiadas nos próximos dias.

Terras caídas

Além das consequências de uma grande vazante, Boca do Acre também está em situação de Emergência por causa do fenômeno das “terras caídas”, que são deslizamentos de barrancos na área urbana. Quatro bairros são os mais afetados devido à falta de infraestrutura e saneamento no município.

“Estamos conversando com o governo do estado e federal para conseguirmos recursos para prover saneamento para a cidade. Boca do Acre tem poucos bueiros, por exemplo, e eles não dão conta da vazão da água da chuva. Então as ruas ficam encharcadas e por isso ocorre os deslizamentos”, explicou o secretário da Defesa Civil.

De acordo com Fidelquino, aproximadamente 300 pessoas foram afetadas pelos deslizamentos de terras ocorridos nos últimos dias e mesmo não tendo chuva há pelo menos 15 dias, muitas dessas famílias ainda não conseguiram retornar para as suas casas. “A chuva já cessou e em um dos bairros, houve um deslizamento de 20 metros, em menos de 6 horas. Mas estamos acompanhando esses casos e ainda temos muitas famílias no aluguel social”, informou ele.

História de mudanças

Boca do Acre é um município do Amazonas cujo nome tem origem na localização da cidade, que fica na embocadura do rio Acre com o rio Purus.

A sede do município já foi transferida algumas vezes exatamente por conta das terras caídas. Inicialmente ficava  nas terras altas onde hoje é aldeia Camicuã, quando ali se chamava Antimari, depois foi transferida para a divisa com o estado do Acre, local que atualmente recebe o nome de Antimari, mas em tempos pretéritos foi denominado de Vila Floriano Peixoto.

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