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Cotidiano
Alvos da “La Muralla”

Desembargadora é ouvida no TJ-AM sobre esquema de negociações judiciais

Além da desembargadora Encarnação das Graças, servidores do judiciário e advogados também foram ouvidos 10/06/2016 às 20:45 - Atualizado em 12/06/2016 às 07:24
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Os magistrados, incluindo a desembargadora Encarnação das Graças (foto acima), servidores do judiciário e advogados foram alvos da segunda fase da operação “La Muralla”, por conta de indícios que surgiram na primeira fase da operação
Joana Queiroz Manaus (AM)

A desembargadora Encarnação das Graças Salgado foi ouvida  no procedimento  instaurado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), para apurar o suposto envolvimento de membros do judiciário do Amazonas, servidores e advogados, no suposto esquema de negociações de decisões judiciais, envolvendo autoridades do Poder Judiciário do Estado Amazonas, para beneficiar integrantes de uma facção criminosa .

Em função da prerrogativa de foro por exercício de função, a magistrada escolheu o horário e o local para ser ouvida, que foi na sede do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). De acordo com o superintendente da Polícia Federal do Amazonas, Marcelo Rezende, até sexta-feira (10), já tinham sido ouvidos  os advogados Klinger Oliveira, as irmãs Maria Goreth Terças e Luciana Terças e Flávicia Dias de Souza, além dos servidores do judiciário, entre eles  Brígido Augusto dos Santos auxiliar  de  gabinete  de Encarnação Salgado.

O juiz titular da Vara de Execuções Penais (Vep), Luís Carlos Valois Coelho, ainda está colhendo documentos e informações sobre a motivação de estar sendo investigado por determinação do STJ. Até o início da tarde de ontem, ele ainda não tinha sido ouvido, segundo informou o superintendente.

Os magistrados, servidores do judiciário e advogados foram alvos da segunda fase da operação “La Muralla”, por conta de indícios que surgiram na primeira fase da operação. Estes indícios, segundo o superintendente, apontavam a existência de um esquema envolvendo magistrados, membros do judiciário e advogado para favorecer os investigados da La Muralla, todos integrantes da Família do Norte (FDN).

Os nomes dos magistrados apareceram em conversas entre advogados da facção e criminosos desde a primeira fase da operação.  Um desses  monitoramentos feitos no terminal telefônico da advogada Rosângela Amorim da Silva, presa na primeira fase da ação, aponta que a mesma estaria envolvida em diversos possíveis episódios de corrupção, que ocorreriam nos períodos de chamado “plantão bom”, e que mesma  possui  estreita  relação  com  Brígido. 

De acordo com o relatório da La Muralla, em uma das conversas entre Expedido, marido de Rosângela e Brígido, este pergunta sobre a advogada, e o marido responde, que ele e ela estão verificando um negócio e que assim que obtiverem uma confirmação passariam a situação para Brígido, para que este acione a “amiga”, dando a entender se tratar da Desembargadora Encarnação.

Números

Ao todo, R$ 1, 1 mil mensagens de chamadas telefônicas foram interceptadas durante seis meses pela Polícia Federal, relacionadas a todos tipo de prática criminosas, sendo coletadas importantes informações e provas de crimes, como tráfico.

Processo corre em segredo de justiça, diz Polícia Federal

O superintendente da Polícia Federal, Marcelo Rezende, informou que todo processo corre em segredo de justiça.  Ele preferiu não revelar como funcionava o esquema envolvendo os magistrados, advogados e promotores, mas não descartou a possibilidade de haver prisões nessa segunda fase da operação. Conforme o superintendente, os indícios são originários de mensagens e gravações interceptadas durante as investigações. Como a polícia não pode investigar diretamente pessoas, em função dessa prerrogativa, todo esse material foi encaminhado ao STJ, que agora decidiu que medidas precisavam ser cumpridas para complementar que já havia sido coletado, além de buscar novos indícios para instruir o procedimento que por lá tramita.

Na operação da última quinta-feira, os policiais deram cumprimento a 15 mandados de busca e apreensão e apreenderam documentos e HDs nas casas dos investigados e em seus locais de trabalho.

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