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Desemprego: Corte de 37 mil postos de trabalho nos setores de duas rodas

A indústria metalmecânica poderá apresentar o maior número de desempregados entre os setores produtivos do PIM que empregam atualmente 87 mil pessoas 27/02/2016 às 16:08
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O atual cenário de recessão econômica conduz os empresários ao sentimento de cautela principalmente em se tratando de captação de novos investimentos
Henrique Xavier Manaus (AM)

Imagine seu time preferido entrar em campo para jogar uma partida com o placar já marcando dois a zero para o adversário. E, para piorar, os jogadores e grande parte da torcida não acreditarem que o time tenha chances de empatar ou mesmo virar o jogo. Ruim, não? Mas é em uma situação semelhante a essa que o quadro de empregabilidade no Polo Industrial de Manaus (PIM) deve se manter ao longo deste ano.

Ancorados nas estatísticas observadas no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, os prognósticos para a virada do jogo nem de longe são favoráveis.

Em 2015, conforme o levantamento, foram extintos 37,03 mil postos de trabalho na indústria amazonense, o que representou uma retração acumulada de 7,89% no volume de empregabilidade puxada principalmente pelo setor industrial e de serviços.

No galope de uma retração que deve atingir a produção e faturamento do segmento de duas rodas e componentista do aço, a indústria metalmecânica poderá apresentar o maior número de desempregados entre os setores produtivos do PIM que empregam atualmente 87 mil pessoas.

O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus (Sinmen), Athaydes Mariano, estima que esse encolhimento no volume de contratações deva chegar a 20% até o fim do ano com o fechamento de cinco mil postos de trabalho no setor. Ele reforça que o pessimismo em relação à economia interna se pauta principalmente no aumento de juros, desconfiança do empresário e falta de crédito bancário.

Segundo o representante, o atual cenário de recessão econômica conduz os empresários do segmento metalmecânico ao sentimento de cautela principalmente em se tratando de captação de novos investimentos e expansão dos níveis de produção. “Se houver crescimento será bem pouco, pois não há encorajamento para a expansão das empresas. No geral, o setor acredita que este será um ano de estagnação com queda no faturamento e, portanto, redução da mão de obra”, afirmou Athaydes Mariano.

Salário mínimo

Apesar do pessimismo que parece se generalizar entre os empresários locais, um fator pode ajudar a economia industrial a cair menos do que o mercado espera. Trata-se do impacto que o reajuste do salário mínimo poderá causar no comércio. Como parte dos brasileiros tem renda vinculada ao piso do País, a elevação de mais de 10% desde janeiro pode ser fundamental para alavancar a demanda no setor varejista e, por consequência, a produção industrial.

Na avaliação do doutor em Economia pela Fundação Getúlio Vargas, Álvaro Smont, esse aumento do mínimo ajudará a melhorar o ímpeto de consumo das famílias. “Mas o desemprego este ano ainda vai pesar e muito no setor industrial, sem dúvida, pois há uma falta de confiança do empresariado em investir mais e do consumidor em se endividar”, completou o especialista.

“Sem perda, sem ganho”

Esse é o entendimento do presidente  do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, para quem a falta de confiança do consumidor resulta na retração do consumo e consequente queda da atividade industrial, vez que a demanda por novos produtos também cai.

“As pessoas que perderam o emprego perderam o poder de compra; os que estão empregados não têm a certeza de que permanecerão empregados e também reduzem o consumo e isso cria esse ciclo vicioso: menos emprego, menos consumo; menor demanda por novos produtos, menor atividade nas linhas de produção. Portanto, risco de mais desemprego. O governo federal precisa apresentar sem demora, de forma clara e convincente quais as ações para corrigir os rumos da economia do País”.


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