Terça-feira, 20 de Outubro de 2020
na pandemia

Desemprego força profissionais a se reinventarem em busca da renda própria

Índice de desocupação bate novo recorde e tem forçado os demitidos a improvisarem para obter renda



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21/09/2020 às 09:17

A taxa de desocupação na última semana de agosto atingiu o maior índice na série histórica iniciada em maio pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Covid-19. O levantamento, divulgado na sexta-feira, registrou 14,3% no índice de desemprego, o que representa aumento de 1,1 ponto percentual em relação à semana anterior.

O levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica acréscimo de 1,1 milhão de pessoas sem emprego, perfazendo 13,7 milhões de cidadãos.



Em tempos de limitação da atividade econômica instaurada pela pandemia de Covid-19, profissionais que trabalhavam de carteira assinada e foram demitidos tiveram de resgatar talentos para sobreviver.

Antes da “tie-dye” (amarrar e tingir) virar moda pelo mundo, a relações públicas Viviane Oliveira, 37, decidiu investir na técnica de customização de camisetas para garantir a renda no auge da pandemia, em abril. Ela havia sido demitida do cargo de comunicadora social e educadora ambiental de um consórcio ligado à BR-319 naquele mês, e decidiu aliar a necessidade de encontrar uma fonte de subsistência à vontade de ajudar as pessoas num período tão difícil.


Viviane está confeccionando camisas customizadas e kits para customização

“Comecei a fazer pesquisas com familiares e amigos sobre os negócios que poderiam cativar o público infantil”, conta. “Uma amiga falou sobre o tie-diye, que estava começando a surgir. Aproveitei alguns talentos desenvolvidos na infância para me entreter em casa e conseguir algum dinheiro, e produzi biscoitos de maisena e picolé para agregar aos produtos”.

Os kits contêm tintas, bisnagas e luvas. Viviane criou uma maleta com 24 tintas para a confecção de looks em casa. “Às vezes o cliente tem uma camiseta guardada que gostaria de aproveitar”, comenta.

No auge da pandemia, a comunicadora vendia cerca de 10 kits por dia. Desde então, a ideia acabou sendo copiada em larga escala e a demanda diminuiu. No entanto, Viviane, que recebe o auxílio do governo federal, pretende converter a atividade em sua principal fonte de renda. “As pessoas me chamam para fazer demonstrações da técnica em aniversários, tenho vários agendamentos”, comemora.

Depois de ser demitida de um estúdio onde trabalhava desde 2018, a gestora cultura Sarah Gabriela Farias, 29, fez uma pesquisa de mercado em busca de clientes para serviços de ilustração e design. Ela cursou algumas disciplinas do curso na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), porém resolveu abrir mão da formação acadêmica para investir na independência financeira.

“Empreendi durante a maior parte da minha vida profissional. Trabalhava com gestão cultural, mas a mudança política neste cenário, que se intensificou em 2016, fez com que eu buscasse o mercado formal”, conta. “Desde então tenho tentado recolocação nas minhas áreas, mas não tenho conseguido com êxito”.

Hoje. Farias divide a rotina entre a produção de artes para mídias sociais, ilustrações e anúncios para empresas e clientes individuais, além da elaboração de quadrinhos, capas de livros e aulas de desenho para crianças em sistema presencial e online.

“Estou buscando a segurança da formalidade. Porque por mais que eu consiga me manter, é sempre inseguro, eu preciso correr atrás dos clientes e dos serviços”, explica. Farias atribuiu a crise à falta de investimento do governo federal em setores estratégicos, como a construção civil, o que geraria mais empregos, renda e demanda por outros serviços, consolidando a recolocação de vários profissionais no trabalho com carteira assinada.

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Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

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