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‘Devemos orar porque o caos está instalado’, diz pastor José João em entrevista

Líder da Igreja Presbiteriana acredita que a sociedade está doente porque muitas pessoas viraram as costas para Deus e que a oração e a fé fazem parte do caminho para superar qualquer crise que apareça 20/12/2015 às 14:15
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O pastor José João Mesquita já dedica 40 anos de sua vida à associação religiosa
oswaldo neto Manaus (AM)

Com oito mil fiéis, a Igreja Presbiteriana de Manaus é um dos espaços religiosos mais importantes da capital. À frente dela estão homens e mulheres dispostos a proclamar e receber o Evangelho e assim contribuir com a discussão sobre temas como família, amor e Deus. O pastor José João Mesquita, religioso que há 40 anos dedica sua vida à associação religiosa, é o entrevistado deste domingo. À reportagem ele contou um pouco sobre o trabalho realizado dentro da igreja, assim como os seus pensamentos que envolvem política, sociedade e as expectativas para o futuro do País.

O que é a Igreja Presbiteriana?
A Igreja Presbiteriana é uma associação religiosa e igreja evangélica. Ela existe no seu Estatuto para proclamar o Evangelho, fazer boas obras e ensinar desde as criancinhas até os adultos as verdades do Evangelho. Eu diria que a igreja trabalha muito mais a formação do caráter do indivíduo, então desde as crianças, quando se trabalha os heróis da Bíblia do Novo Testamento, se trabalha o caráter, a formação de valores, que está faltando muito na sociedade. A igreja também trabalha muito com a questão da centralidade da família, relações de pais e filhos, a fidelidade entre um e outro, o amor entre os membros da família, então a família é fundamental para o nosso modo de entender a caminhada da Igreja. E que o cristão seja cristão no seu ambiente de trabalho, na sua universidade e não só na igreja, para que não exista essa dicotomia.

O senhor iniciou sua carreira na Igreja Presbiteriana como voluntário. Ter se tornado um pastor efetivo lhe trouxe mais responsabilidades?
Muito mais. Hoje nós somos um rebanho de mais de oito mil pessoas que pensam nessa sociedade em que vivemos, que estão envolvidos em todas essas questões que tem a ver com a família, trabalho, desemprego... Realmente é muito mais responsabilidade.

O que o fiel busca na igreja?
Eu penso que as expectativas são diferentes. Por exemplo, tem gente que vem pra igreja procurando uma igreja séria, que não se envolve com política partidária. Outros vêm procurando uma igreja porque eles ouvem falar do caráter da liderança. Outros vêm desesperados por causa da sua vida difícil, por causa do casamento quebrado... procurando uma solução pra sua vida. Outros vêm por conta de dependência química... São muitas as expectativas. Basicamente a pessoa sabe que precisa de Jesus na vida dela por ter aquele vazio existencial. Muita gente até conseguiu prosperar, mas sente que aquele vazio ainda continua. E esse vazio que faz muita gente consumir álcool, drogas, sexo, porque essas pessoas estão procurando alguma coisa para dar sentido a vida deles.

Qual a importância da religião em uma época marcada por escândalos políticos, tragédias no meio ambiente e casos de violência?
O Brasil está passando um momento muito complicado. Através da religião temos que ver os valores morais e espirituais. A sociedade está empobrecida desses valores e nós estamos procurando construir uma nova sociedade, só que os cristãos mais comprometidos e mais sérios são uma minoria até dentro dos cristãos. Nós vivemos num país dado à mentira, à corrupção, a desvio de dinheiro, ali falta cristãos verdadeiros para dizer “isso é errado”, “isso é pecado”. Antigamente em todo o filme de bang bang o bandido acabava preso, e hoje essa não é mensagem passada nos filmes. A igreja precisa se envolver orando por nosso País, devemos orar pelas autoridades, porque o caos está instalado até em Brasília, onde os três poderes estão um contra o outro. Quem sofre com isso é a população, e os mais pobres sofrem mais.

O senhor acredita que a sociedade se tornou mais intolerante?
A sociedade está muito mais violenta. A intolerância existe em alguns aspectos, como na questão sexual, na cor de pele, na classe social, mas a violência urbana é terrível, essa intolerância com outro. Se a gente não tiver cuidado, no trânsito por exemplo pode ocorrer uma tragédia por uma simples discussão. Todos estão com os nervos à flor da pele. Mas preciso destacar o abuso contra a criança e o adolescente. Hoje esse tipo de violência é absurda. É um tipo de coisa que os governantes precisam ver, pois quando se investe dinheiro no Carnaval você está incentivando a pedofilia, a prostituição e muito homossexualismo. Gera crianças maltratadas e com um futuro incerto. Acho que estamos intolerantes com algumas coisas, mas tolerantes com outras. A sociedade está doente porque muitas pessoas viraram as costas pra Deus.

O que o senhor espera para o próximo ano?
Em termos econômicos eu não espero melhoras pro próximo ano. Vai ser um ano muito apertado. Agora digo que mesmo nessa época de recessão, aqueles que colocarem sua confiança em Deus e não no dinheiro, eles podem aprender a viver com menos e se voltar pra Deus e para a família. O Brasil pode melhorar se o homem olhar pra cima. Deus há de ter misericórdia de nós.


Perfil: José João Mesquita

Nome Completo:  José João de Moreira Mesquita 

Idade: 64

Formação: Formado em Administração e Teologia

Experiência: Atualmente é pastor efetivo da Igreja Presbiteriana de Manaus, porém já atuou como corretor de imóveis e foi sócio de uma imobiliária. Proclama o Evangelho desde os 25 anos de idade, onde começou como voluntário.


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