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Cotidiano
POLÍTICA

Dez anos da morte do senador Jefferson Carpinteiro Péres: lições e saudades

Uma década após a morte do senador amazonense, ele continua sendo exemplo de que é possível fazer política com ética e honestidade 24/05/2018 às 09:52 - Atualizado em 24/05/2018 às 11:53
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Meses antes de falecer, Péres anunciou no Senado que pretendia deixar a política partidária
Ana Sena Manaus (AM)

Há uma década, a política do Amazonas perdia um de seus maiores representantes. Dono de uma figura moral e postura política marcante, o senador Jefferson Carpinteiro Péres que morreu dia 23 de maio de 2008, completou ontem dez anos de sua partida. Mesmo depois de tantos anos, o senador ainda é lembrado por sua ética e dedicação à vida política.

A ausência do ex-senador ainda é sentida, segundo o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, “O senador ainda faz muita falta tanto no partido, como na política nacional. Sou testemunha da lisura, da ética que era sua marca registrada, sua boa prática e cuidado com o dinheiro público. Trabalhar ao lado de Jefferson Péres durante 10 anos foi uma honra e um privilégio. Acredito que ele jamais será esquecido, pelo tamanho de sua representação política no País”, afirmou.

Para o deputado Adjuto Afonso (PDT), único representante do partido na Assembleia Legislativa, o senador representou um ícone na luta por uma política ética e transparente. “O Jefferson é uma figura que extrapolou as fronteiras do Amazonas e foi conhecido no Brasil inteiro, principalmente pela postura e compromisso que ele tinha com o Estado”, disse Adjuto, completando com algumas obras em Manaus que foram ação do senador falecido: “Um exemplo foi o Palácio da Cultura que estava localizado na Praça da Saudade, era um prédio construído em cima da praça, a remoção da construção foi uma das ações dele como vereador. Lembro que ele colocou na porta do gabinete um aviso que ali não era local de dar coisas, que não batessem na porta para pedir, mas sim para encaminhar ideias, interferir”, relembrou. Adjuto disse que o senador faz falta, principalmente nos tempos atuais, de “crise moral”.

Péres era querido e respeitado por seus aliados e até por não aliados. Alguns políticos foram alunos de faculdade do senador, como é o caso do deputado Serafim Corrêa (PSB), que mantém seu saudosismo e respeito aos ensinamentos do professor. “Tive o privilégio de conviver com ele desde 1986 na faculdade. Por onde ele passou, deixou coragem, clareza nas ideias. Era um exemplo!”, disse.

Outros planos

Meses antes de falecer, Péres discursou no Senado sobre a tristeza que sentia com a política brasileira, que na época passava pelo escândalo do mensalão. Ele afirmou que pretendia deixar a vida pública ao final de seu mandato em 2010.

Para a viúva do ex-senador, a juíza aposentada Marlídice Péres, ele estaria extremamente decepcionado com o atual cenário da política brasileira, em tempos de operação Lava Jato. Marlídice afirmou ainda que, mesmo com a decepção, Jéfferson não deixaria de contribuir com o conhecimento que tinha.

“Ele não iria se aposentar. O que ele pretendia era abandonar, por desencanto, o exercício de cargos eletivos. Mas a intenção dele era permanecer em atividade na cátedra, dando palestras e aulas gratuitas e abraçando as ideias da correção do serviço público”, finalizou.Senado Federal/Arquivo Jefferson Péres era respeitado por aliados e até mesmo pelos adversários

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