Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019
PARA REFLETIR

Dia da Consciência Negra marca importância da denúncia contra o racismo

Neste 20 de novembro, vítimas  falam sobre a importância de denunciar os casos de preconceito racial  para fortalecer o combate ao crime



images__8__0F7A8384-2D13-4A18-8CF1-3A71A2891B0C.jpg Foto: Reprodução/Internet
19/11/2019 às 20:45

Às vezes disfarçado e às vezes explícito, o preconceito racial é uma realidade no Brasil, ainda que muitos prefiram negar. Neste Dia da Consciência Negra, A CRÍTICA mostra relatos que ajudam a ilustrar essa afirmação e que também servem para orientar a quem for vítima como proceder para que o criminoso seja punido.

Em agosto do ano passado, a professora Tereza de Jesus, 34, foi vítima do preconceito de alguém que nunca esperava: um colega da mesma profissão e escola onde dá aulas. “Ele gostava de cantar músicas de negros escravizados que aparecem em cenas de novela lavando roupa e em outras situações associando a parte negativa. Certa vez faltou energia em nossa escola e ele comentou ‘Ah, tem que ligar a luz porque não consigo enxergar a Tereza: ela não aparece na escuridão’”.



Constrangida, Tereza sentiu revolta, mas não denunciou o colega à direção da escola, o que foi feito por outro professor. A direção chamou a atenção do servidor, ele afirmou que o fato não se repetiria.

Se a situação ocorresse hoje, Tereza afirma que com certeza denunciaria o caso  à polícia.

“Hoje eu faria diferente e denunciaria o professor racista sim, para visibilizar essas vozes que são caladas, pois o racismo existe e marca. A própria direção da escola me orientou que eu poderia denunciá-lo por injúria racial. Isso é uma violência que marca a vida das pessoas para sempre, que desumaniza. O racismo é uma violência pior que a física, pois a física sara e o racismo não sara nem com o tempo. O bullying te descaracteriza, mas o racismo te desumaniza. É importante denunciar, nem que seja para mostrar que ainda vivemos em uma sociedade racista. É democracia racial: precisamos respeitar as pessoas”, conta ela, que tem dois filhos e está grávida.

Em outro caso, a vítima foi a enfermeira Francineth Santos Junior, 43, em 21 de janeiro de 2018.

“Eu estava fazendo meu plantão como enfermeira assistencial do setor de emergência de pediatria em um hospital no qual trabalhava, assistindo aos pacientes e, citando a lei do hospital sobre permanência dos acompanhantes, pedi para que um acompanhante de um casal se retirasse pra que fosse exercido o que a unidade prega. Mas, a genitora simplesmente começou a dizer palavras ofensivas, como ‘por que uma enfermeira preta está nessa posição?’. Me chamava de ‘enfermeira nojenta’, que nunca ia deixar o filho dela ser carregado por uma enfermeira preta. Isso tudo ocorreu na frente dos pacientes que estavam em observação/internados, dos meus colegas de trabalho técnicas de enfermagem e limpeza”,comentou a profissional.

Na mesma noite do ocorrido ela fez um Boletim de Ocorrência. No entanto, por mais incrível que isso possa parecer, a suspeita nunca foi encontrada pela polícia para depor mesmo passados quase dois do fato, afirma Francineth. “A polícia não encontrou até hoje essa pessoa no endereço dela”, disse.

Na expectativa que a justiça seja feita, ela manda um recado para quem, como ela, foi vítima de racismo: “Que as pessoas vão à luta, que procurem seus direitos”.

A Delegacia Especializada em Ordem e Política Social (Deops) é a unidade especializada na apuração dos casos, mas o registro do Boletim de Ocorrência pode ser feito em qualquer Distrito Integrado de Polícia (DIP) e até mesmo pela internet na Delegacia Interativa (clique aqui).

Previsto na lei 7.716/1989, o crime de racismo é inafiançável e imprescritível, ou seja, a vítima pode fazer a denúncia mesmo anos após ter sofrido a discriminação.

Repórter de A Crítica

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.