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Cotidiano
LÚPUS

Lúpus, uma doença sem cura, mas que pode ser controlada com tratamento adequado

No Dia Internacional de Atenção à Pessoa com Lúpus, especialistas alertam sobre a necessidade de políticas públicas de combate à doença, pouco conhecida 10/05/2018 às 15:45 - Atualizado em 10/05/2018 às 15:48
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Dayd diz que é preciso escolher conviver bem com a doença. Foto: Márcio Silva
Silane Souza Manaus (AM)

O Lúpus não tem cura, mas o tratamento adequado controla os sintomas e ajuda os pacientes a levarem uma vida normal. Em razão disso, a sensibilização sobre a importância do reconhecimento e tratamento da doença é fundamental. Tal iniciativa ganha um reforço especial na data desta quinta-feira (10), quando se comemora o Dia Internacional de Atenção à Pessoa com Lúpus.

A designer Dayd Gonçalves, 34, convive com Lúpus há dez anos. Ela chegou a ser levada ao hospital após sofrer derrame no coração em decorrência da doença, o que aconteceu no dia 1º de maio de 2008, uma semana antes de receber o diagnóstico, passou por inúmeras internações desde então, mas hoje é exemplo de que é possível ter qualidade de vida.

Ela trabalha normalmente, inclusive ganhou alguns prêmios em sua área de atuação – design, é casada, tem um filho, viaja frequentemente tanto a trabalho quanto de férias, entre outros. “Na minha vida não interfere. Mas é preciso ter disciplina (com o tratamento). Eu sempre digo que a doença é um estilo de vida, você tem que escolher viver bem com ela”, afirmou. 

De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), são reconhecidos dois tipos principais de Lúpus: o eritematoso, que atinge apenas a pele, provocando manchas avermelhadas em áreas mais expostas à luz solar, como braços, orelhas, rosto e colo; e o sistêmico, que pode prejudicar coração, rins e pulmões. Dayd tem este último, que é a forma mais grave. 

Para a designer é necessário conscientizar a população de que a doença não é contagiosa. “Há preconceito. A pessoa pergunta logo como passa, como pega”, comentou. Também é importante, em sua opinião, sensibilizar os pacientes. “Às vezes a gente peca pela vaidade. Mas é melhor fazer o tratamento correto para passar mais tempo bem do que não fazer e ficar mais tempo doente”. 

A universitária Letícia Misna, 21, tem a mesma opinião. Ela convive o tipo eritematoso da doença há três anos e diz que o Lúpus ainda é desconhecida pela população. “Quando as manchas voltam a aparecer no meu rosto, aonde vou, as pessoas ficam olhando. Isso me incomoda. Às vezes perguntam o que é e quando eu falo que é Lúpus tenho que explicar, pois ninguém conhece”.

Para ela, essa falta de informação é preocupante tendo em vista que a pessoa pode ter a doença e não saber. “Quando vejo uma pessoa com manchas procuro alertá-la”, revelou. A universitária disse que o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) também não é fácil. “Demora muito para realizar os exames. Eu tenho que ir ao médico a cada três meses, mas faz seis meses desde a última consulta porque ainda estou esperando pelos exames. Receber a medicação pelo SUS é outra burocracia”.

Letícia aponta que há muito desconhecimento e que o atendimento do SUS é ruim. Foto: arquivo pessoal

Ação na Ponta Negra

Em alusão ao Dia Internacional de Atenção à Pessoa com Lúpus, comemorado hoje, o Serviço de Reumatologia do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV) e a Sociedade Amazonense de Reumatologia realizarão, neste domingo, uma ação educativa na Ponta Negra. A atividade acontecerá de 8h30 às 11h30 na faixa liberada. O objetivo é sensibilizar as pessoas sobre a importância do reconhecimento e tratamento. 

De acordo com Helena Lúcia Pereira, o Lúpus é uma doença crônica ainda pouco conhecida e compreendida e de difícil diagnóstico. Por isso, campanhas educativas como essa são fundamentais para orientar a população sobre a doença. “O Lúpus não tem cura, mas com diagnóstico precoce é possível minimizar o seu impacto na saúde do paciente”, afirmou. 

A reumatologista explica que Lúpus é uma doença reumatológica que atinge principalmente mulheres – dez mulheres para cada homem – e acomete qualquer parte do corpo e pode matar. É mais comum em pessoas de 15 a 40/50 anos. Estima-se que no Brasil tenha 200 mil pessoas com Lúpus. 

Por ser uma doença do sistema imunológico, que é responsável pela produção de anticorpos e organização dos mecanismos de inflamação, quando a pessoa tem Lúpus pode ter diferentes tipos sintomas e vários locais do corpo. Há sinais gerais como febre, emagrecimento, perda de apetite, fraqueza e desânimo; e outros específicos como dor nas juntas, manchas na pele, inflamação da pleura, hipertensão e/ou problemas nos rins.

Helena Lúcia salienta que o atendimento e tratamento estão disponíveis pelo SUS. Em Manaus, o ambulatório Araújo Lima, do HUGV, é referência e tem dois dias de atendimento só para pacientes com Lúpus. Além disso, o atendimento também pode ser feito nas policlínicas. “É importante chamar a atenção das pessoas para o tratamento e também do governo para criação de políticas públicas”, apontou.

As causas  e o fator  genético

A causa do Lúpus não é conhecida, sabe-se que fatores genéticos, hormonais e ambientais participam de seu desenvolvimento.  Portanto, pessoas que nascem com susceptibilidade genética para desenvolver a doença, em algum momento, após uma interação com fatores ambientais (irradiação solar, infecções virais ou por outros micro-organismos).

A doença

O Lúpus é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune, cujos sintomas podem surgir em diversos órgãos de forma lenta e progressiva (em meses) ou mais rapidamente (em semanas) e variam com fases de atividade e de remissão.

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