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Dia de São Cristovão: Volante certeiro

Famosos ou anônimos, ricos ou pobres, todo mundo tem uma história para contar quando assume o lado motorista nas ruas 25/07/2013 às 22:07
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Manoel do Carmo Chaves, o ‘Maneca’, aprendeu a dirigir em 1965 e desde lá a paixão só aumentou, assim como a coleção de carros antigos que lembram o pai dele
CAROLINA SILVA Manaus (AM)

Entre tantos motoristas que circulam diariamente em Manaus, muitos pedem a intercessão de São Cristóvão para vencer as loucuras e os desafios do trânsito. O santo católico, homenageado ontem por milhares de devotos espalhados pelo País, é considerado o padroeiro de motoristas de todo tipo de veículo e não apenas motoristas profissionais.

Gilberto da Silva, 62, há 13 anos é motorista de UTI móvel, pela rede estadual de saúde. O servidor público diz sempre pedir proteção antes e depois do trabalho. Silva precisa ter uma atenção redobrada por conta da responsabilidade que tem quando assume a direção.

“Quando estou dirigindo a ambulância, sou responsável por cinco vidas: a do  médico, do enfermeiro, do paciente, do acompanhante e a minha. Além disso, ainda sou responsável pelo veículo”, conta.

O motorista aprendeu a dirigir no quartel, quando serviu ao Exército. Mas, na época, não pretendia exercer essa profissão. “Queria dirigir pra mim, mas acabei me tornando um motorista profissional”, disse. No quartel, Gilberto carregava armamentos nos veículos que conduzia.

Muito tempo depois que serviu ao Exército, Gilberto foi convencido de entrar para o funcionalismo público e posteriormente começou a trabalhar como motorista da UTI Móvel. Ele diz pedir proteção proteger a sua vida e a de quem anda com ele na ambulância.

“Até hoje, nenhum paciente morreu enquanto estava comigo na ambulância. Já cheguei a dirigir por cima de canteiro para salvar vidas. Não peço intercessão somente de São Cristóvão, mas de Deus. Peço proteção quando acordo. Antes de dormir também peço que me protejam, mas não deixo de agradecer”, disse. Gilberto trabalha por 12 horas e folga 48 horas após a jornada de trabalho. “Trabalho um dia e folgo dois, pois o trabalho exige atenção redobrada”.

Longe do trabalho, Gilberto assume outra direção: a da Veraneio 1976. O veículo foi o preferido pela polícia e pelos órgãos de repressão na década de 60. O motorista comprou o veículo de um ferro velho na Cidade Nova, Zona Norte, por R$ 3 mil. “Comprei ela em 2000. Eu sempre quis um carro forte, no sentido de ser resistente e poder ir para qualquer lugar com ele”, contou.

Como fundador  e técnico do Primatas Futebol Clube, do bairro Colônia Santo Antônio, Zona Norte, Gilberto também assume o papel de motorista do time de jovens que disputam torneios de peladas na cidade, como o Peladinho. “Sempre gostei de dirigir, por isso longe do trabalho também dou essa força pros meninos irem pros jogos. E a gente faz o esforço de colocar todo mundo dentro do carro”.

Para o servidor público, a Veraneio 1976 é uma relíquia e um patrimônio que ele não deixa mais ninguém dirigir, nem mesmo os filhos. “Tenho ciúmes dela”, assume Gilberto.

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