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Cotidiano
DIA DO HOMEM

A Crítica vai às ruas e ouve os medos e expectativas do universo masculino

'Eles' dizem que não têm medo de nada, porém vivem em média sete anos a menos que as mulheres, enquanto 'elas' querem menos violência e mais respeito. Município e Estado realizam ações para diminuir taxa de doenças 15/07/2016 às 21:46 - Atualizado em 15/07/2016 às 22:51
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Operador de máquinas, Francisco Neto diz que há uma tendência do homem só ir ao médico quando está passando mal (Fotos: Márcio Silva)
Silane Souza Manaus (AM)

Os homens aprendem, desde criança, que devem ser fortes e nunca demonstrar fraqueza. Diante disso, acabam levando esse estereótipo masculino ao pé da letra: dizem que não têm medo de nada, subestimam os cuidados com a saúde porque acreditam que não adoecem, enfim, vivem como se nada pudesse atingi-los, mas é aí que o “bicho pega”, literalmente. Eles vivem em média sete anos a menos que as mulheres e apresentam maior incidência de doenças cerebrais, cardíacas e infecções nas vias respiratórias.

Nesta sexta-feira (15), no Dia do Homem, A Crítica foi às ruas para saber quais são as expectativas, medos, sonhos e constatou que eles, apesar de serem considerados o sexo forte, no fundo, têm suas próprias angústias e, nesse período de crise, relatam que o cenário não está muito favorável. Falta de segurança e a crise política e econômica, que afetou em cheio o mercado de trabalho, são os que mais afligem os indivíduos do sexo masculino. Quanto à saúde, a maioria continua pensando que só é preciso ir ao médico quando se está doente.

“Mesmo quando eu tinha plano de saúde só fui uma vez ao médico”, revelou o operador de máquina Francisco Neto, 33.  Para ele, é uma tendência natural do homem não se preocupar com a saúde. “A gente não tem esse temor de ficar doente. Então, enquanto não nos sentimos mal ninguém tem porque ir ao consultório médico porque acreditamos que está tudo bem conosco. Sabemos que isso não é certo, mas é difícil mudar essa mentalidade”, contou, destacando que espera mais respeito desse mundo.

Mas na opinião do taxista José Mendonça, 60, falta maior ação de promoção a saúde do homem. “Nossa expectativa é termos mais segurança na cidade, principalmente por conta do nosso trabalho. A gente também pensa na saúde, seria bom se tivéssemos a nossa disposição mais exames, como de próstata, pois o câncer atinge muito os homens. Neste Dia do Homem, nós pedimos ao governo para se preocupar mais com a segurança e a saúde da população, especialmente da faixa etária de 50 e 60 anos”, afirmou.

O guia de turismo Márcio Souza, 38, também acredita que faltam mais atividades que estimulem o cuidado da saúde do homem. Conforme ele, embora os homens estejam buscando se cuidar mais para ter melhor qualidade de vida, ainda carece de muito incentivo para que façam isso. “Como tem ações no Dia da Mulher, tinha que ter no Dia do Homem também. Hoje, os homens estão mais abertos, mas ainda falta muita informação e é preciso levá-la para quem não tem acesso, ou seja, aos lugares carentes, ao gueto da sociedade, para melhorar a saúde como um todo”, disse.

As expectativas “delas”

No Dia do Homem, A Crítica também conversou com as mulheres para saber o que elas querem do sexo oposto, o que veem neles, quais suas qualidades e defeitos, ou seja, opiniões conforme à luz do sexto sentido feminino e a resposta unânime foi: eles precisam ser mais educados, respeitosos, companheiros e cavalheiros.

A empresária Marlene Campos Alves, 63, lembrou que os homens estão muito violentos dentro de casa. “Estão matando por brincadeira, não se pode mais nem olhar de cara feia. Falta companheirismo, eles não têm mais tanta delicadeza hoje em dia, são muito individualistas, não dão atenção nem para a própria mãe”, destacou. Ela afirmou que a mulher tem que ter autoridade, se impor diante do homem, pois o problema maior é ela ser dependente dele.

Esse pensando é seguido tanto pela mulher mais velha quanto pela mais nova, como a estudante Raquel Sandy Santos. Para ela, as mulheres esperam mais respeito dos homens. “Tem muitos namorados, maridos desrespeitando suas namoradas e esposas. As tratam com violência. A sociedade precisa de homens mais cavalheiros, mais educados para que nesse dia deles a gente tenha o que comemorar. Essa data é boa para fazer essa conscientização”, declarou.

A assistente social Gilmara Souza, 21, disse que os homens têm muitos defeitos, mas não é preciso generalizá-los, uma vez que cada um tem seu modo de ser e, portanto, suas próprias qualidades. Ela cita como exemplo o esposo João Guilherme da Costa, 26, que a trata como uma verdadeira “rainha”. “É certo que homens e mulheres têm suas diferenças, mas com respeito, de ambas as partes, não tem como dar errado”, garantiu.

Check up uma vez ao ano

Ontem, não teve nenhuma ação específica voltada para os homens na capital, mas a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) promoveu de segunda até ontem atividades educativas e roda de conversa em todos os distritos de saúde sobre a saúde do homem visando estimular a ida desses indivíduos ao médico.  “Nosso objetivo é fazer com que os homens procurem mais pelos serviços de saúde e assim ter uma qualidade de vida melhor”, afirmou a coordenadora do  Núcleo de Saúde do Homem, Maria Eliny da Rocha.

Ela ressaltou que o ideal é que o homem vá pelo menos uma vez ao ano ao médico para fazer um “check up”. Mas se durante esse intervalo de tempo sentir algum sintoma diferente tem que voltar a procurar o profissional de saúde para saber do que se tratar, visto que a maioria das doenças que atingem os homens é grave. “São doenças que a partir do momento que se apresentam impactam para o resto da vida, ou seja, não tem cura, apenas controle como a hipertensão e diabetes”, frisou.

Eliny salientou que é característica do homem ser o provedor da casa e o trabalho lhe toma todo o seu tempo contribuindo para que não procure ir ao médico com frequência. Além disso, ainda há certo receio, que deve ser quebrado. “Frente a essas responsabilidades que toma para si ele tem certeza que precisa cuidar do outro e esquece-se de cuidar de si mesmo. É uma questão cultural, mas nós precisamos quebrar esse paradigma”, defende.

Metas

No Amazonas há quase um milhão de homens entre 20 e 59 anos e mais da metade está na capital. Tanto o município quanto o Estado vem realizando diversas ações com o objetivo de definir diretrizes e ações a serem desenvolvidas para diminuir as taxas de doenças e mortes entre os homens dessa faixa etária em questão. Em junho, por exemplo, foi realizado pela Semsa e Susam a 1ª Oficina de Alinhamento da Política de Saúde do Homem na Atenção Básica de Manaus. Com foco em estratégias para levar esses indivíduos ao médico.

Bruna La Close – presidente da AALGT

“A rede Globo está de parabéns em exibir essa cena de amor entre dois homens homossexuais na novela Liberdade, Liberdade. Até agora foi a única emissora aberta a fazer isso. Mas nós acreditamos que essa abordagem veio atrasada. Estamos no século 21 e a comunidade de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros (LGBT) ainda enfrenta muitos preconceitos. Mas a cena foi louvável porque se tornou uma forma de quebrar barreira de preconceito, pois as emissoras são os principais meios de comunicação e divulgação de informações para a população. A disseminação de cena como essa diminui o preconceito e a homofobia porque, evidentemente, quem nunca viu vai querer saber e aí entra a questão da orientação sexual. É a hora de a família abraçar a causa e informar o que é sexualidade e o que é LGBT aos seus filhos. A TV não está incentivando o homossexualismo, mas despertando a curiosidade de saber do que se trata. Afinal, os preconceitos que surgem são de pessoas que não tem informação e que não buscam o conhecimento sobre a realidade do que é ser um LGBT: não é uma opção ser gay, é nossa orientação sexual”.

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