Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2021
Novembro azul

Diagnóstico precoce de câncer evita amputação de pênis de pacientes

A população mais propensa a desenvolver esse tipo de doença é de homens com 50 anos ou mais



Sem_t_tulo_94C74B4E-36C1-48E9-9D13-8DADF687EA3D.jpg Médico da FCecon, Giuseppe Figliuolo, durante cirurgia urológica
16/11/2020 às 11:52

O diagnóstico precoce do câncer pode evitar a circuncisão e/ou a penectomia – retirada parcial ou total – do pênis, que traz consequências físicas, sexuais e psicológicas ao homem. O câncer de pênis é causado pelo Papilomavírus Humano (HPV) de alto risco associado a outros fatores, como a fimose e a não higienização adequada, explica o urologista da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), Giuseppe Figliuolo.

No Brasil, o câncer de pênis é mais comum nas regiões Norte e Nordeste, representando 2% de todos os tipos de câncer que atingem os homens, segundo o Ministério da Saúde (MS).



Na FCecon, órgão vinculado à Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), são registrados em média 15 casos de câncer de pênis ao ano. Em 2017 e 2018, foram registrados, respectivamente, 8 e 13 casos. No Amazonas, a doença atinge principalmente homens entre 21 a 55 anos, devido à falta de informação e higiene.

Conforme o médico urologista, normalmente, as pessoas relacionam HPV apenas ao câncer de colo de útero. Todavia, esse vírus também causa o de pênis, ânus, vagina, vulva, orofaringe e boca. Ele alerta que o diagnóstico precoce é fundamental para evitar a evolução do tumor.

“O HPV oncogênico associado à fimose e não higienização (acúmulo de esmegma/secreção na glande do pênis) pode levar ao desenvolvimento de lesões precursoras e, quando não tratadas em tempo hábil, ao aparecimento da doença. Dependendo da evolução do câncer, são indicadas a circuncisão – uma cirurgia menor – e a penectomia, sendo essa mais invasiva e traumática para o homem”, alerta Figliuolo.

Atividade sexual – O médico urologista frisa que é possível preservar o coto peniano, quando o câncer é diagnosticado na fase inicial e, assim, o homem consegue manter a atividade sexual. Ele diz que, nos casos avançados, com o comprometimento do pênis, é feita a amputação. “Hoje, entretanto, a maioria das cirurgias consegue preservar a haste peniana e a vida sexual do paciente”, pontua.

Pesquisas – A pesquisadora da FCecon, farmacêutica-bioquímica Valquíria Martins, pontua que atualmente na unidade hospitalar há cinco estudos sobre câncer de pênis, os quais visam compreender e propor soluções para o diagnóstico, prevenção e tratamento da doença no Amazonas. Ela diz que alguns desses trabalhos também tratam sobre a qualidade de vida de pacientes que passaram pela circuncisão ou penectomia.

“São pesquisas desenvolvidas tanto por pesquisadores vinculados à Diretoria de Ensino e Pesquisa quanto por outros setores, por exemplo, o de Psicologia, que trabalha na qualidade de vida e tratamento do paciente que teve o pênis amputado. O conhecimento acumulado dessas pesquisas pode ter grande impacto no delineamento de estratégias na prevenção e tratamento desta neoplasia”, pontua Martins.

Sintomas – São sinais de alerta: tumoração na glande (cabeça do pênis), na pele que encobre a glande, no corpo do pênis, secreção branca constante e aumento anormal do tecido da glande. Ao observar esses sintomas, o homem deve procurar avaliação de um médico urologista.

Diagnóstico – É feito através de análise clínica e biópsia – retirada de fragmento para análise patológica –, que determinará o tipo de câncer a ser tratado.

Tipos de câncer – Além do carcinoma de células escamosas, há outros tipos de câncer de pênis, como o melanoma (mais associado à pele – prepúcio) e o carcinoma basocelular (também de pele, mas de crescimento mais lento, que geralmente não se dissemina para outras partes do corpo).

 

News portal1 841523c7 f273 4620 9850 2a115840b1c3
Jornalismo com credibilidade

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.