Sexta-feira, 10 de Julho de 2020
mudanças

Diálogo com novo superintendente da Suframa deve ser positivo, avalia Fieam

General Algacir Polsin é o nome mais cotado para assumir o cargo no lugar do coronel da reserva Alfredo Menezes



suframa_2D88FA87-500F-4FE3-AB09-017695F08938.jpg Foto: Divulgação
03/06/2020 às 17:48

O presidente Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, declarou que o diálogo com o novo titular da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) será mais fácil que anteriormente e com a mudança frisou a retomada das articulações entre o setor industrial e o empresariado. A avaliação positiva também é compartilhada pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva.

“Toda mudança traz certo desconforto, incerteza, mas estamos falando que da mesma nós criamos essa relação com todos os superintendentes passados e confiando no entendimento, no conhecimento, da relevância da nossa região, da importância do modelo Zona Franca para o nosso Estado e para o país. Acho que essa interlocução com o substituto do Menezes, general [Algacir] Polsin, deve ficar muito fácil do que foi anteriormente. Temos que voltar a ter as explicações, conversas e o entendimento, mas isso faz parte”, afirmou o empresário Wilson Périco.



O presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) confirmou a saída do coronel Alfredo Menezes do cargo de superintendente da Suframa. A apoiadores, na saída do Palácio do Alvorada, nesta quarta-feira (3), Bolsonaro negou que a troca seja uma imposição dos parlamentares do ‘Centrão’. “Trocou a Suframa. Saiu o coronel, entrou um cara. A imprensa disse que foi o Centrão. Imprensa, o general que tá na Suframa não é do Centrão”, disse o presidente. Na terça-feira, A Crítica noticiou, na coluna "Pinga Fogo", que a mudança havia sido uma decisão técnica de Bolsonaro e não política.

A demissão de Alfredo Menezes, que é padrinho de casamento do presidente, foi noticiada, no início da noite de segunda-feira, pelo site O Antagonista. Segundo o site, Menezes será substituído pelo general da reserva Algacir Polsin, que comandou o Centro de Coordenação de Operações do Comando Militar da Amazônia.

“A pessoa para estar lá (naquela cadeira) precisa ter um alinhamento e um acesso à presidência da República para que as coisas e questões que envolvam a Amazônia como um todo, não só a Zona Franca de Manaus, possam acontecer. Vejo na figura do general Polsin uma pessoa também alinhada com o poder executivo central (federal), não tão próxima assim do presidente Jair Bolsonaro, mas que tem um alinhamento com os generais que estão lá, por exemplo, o Mourão (vice-presidente), Augusto Heleno (ministro do Gabinete de Segurança Institucional) e pode dar continuidade ao trabalho feito até agora pelo Menezes”, avalia Périco.

O presidente da Fieam, Antonio Silva, disse que surpreendeu a saída de Menezes. Segundo o empresário, o coronel engajou-se para solucionar problemas que dependiam da sua atuação, realizou parcerias para beneficiar a Zona Franca de Manaus e deu dinamismo ao trabalho da Suframa, autarquia vinculada ao Ministério da Economia, chefiado por Paulo Guedes. “Com certeza, deverá partir para novas missões já que sua disposição para o trabalho lhe credencia a novos desafios. Com relação a troca de superintendente do órgão, acho que só tende a melhorar, pois o possível indicado, general Algacir Polsin, é um homem de ação e conhecedor dos problemas regionais. Acredito que dará uma significativa contribuição para que o órgão continue na sua rota em busca do desenvolvimento socioeconômico da Amazônia Ocidental”, avalia.

Antonio Silva defendeu que o cargo deve ser ocupado por uma pessoa que tenha acesso as principais autoridades do governo federal. “Quando qualquer superintendente não tiver acesso ao dirigente do seu Ministério será apenas uma figura decorativa. Precisamos sempre que a Suframa tenha na sua direção, como se diz, uma pessoa que tenha condições de abrir portas no Planalto. Com certeza o novo Superintendente a ser indicado terá essa capacidade. Nós, das classes produtoras, estamos sempre prontos para somar esforços em prol do desenvolvimento”, afirmou.

Em janeiro de 2019, Menezes foi confirmado como novo titular da autarquia, mas a nomeação, pelo presidente, ocorreu no dia 15 de fevereiro de 2019 com o registro no Diário Oficial da União (DOU). Na mesma edição do DOU, foi publicada a exoneração de Appio Tolentino, que esteve à frente da Suframa desde junho de 2017. Menezes foi o terceiro militar a assumir a autarquia desde a criação. Ele articulou a campanha presidencial de Bolsonaro na região amazônica e coordenou, no início deste ano, a coleta de assinaturas para criação da sigla partidária Aliança pelo Brasil, em formação.

Nos bastidores, especula-se que Menezes ocupe um cargo na Secretaria Nacional de Meio Ambiente, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente. Na avaliação de Wilson Périco se confirmada a saída de Menezes da Suframa e a ida para pasta do Meio Ambiente será positiva a mudança para o Estado do Amazonas. “Temos dentro dos desafios que são desenvolver as novas matrizes econômicas, além dos muros da capital focando nas potencialidades do interior passaríamos por essa pasta (Meio Ambiente) para ter as licenças”, enfatizou o presidente do Cieam.

Saiba Mais

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e o coronel Alfredo Menezes ainda não se manifestaram publicamente sobre o assunto. A assessoria de imprensa da Suframa informou que até o ato (de exoneração) ser oficializado o superintendente atua normalmente na autarquia. O órgão explicou que qualquer posicionamento da Suframa será após eventual oficialização através de publicação da exoneração no Diário Oficial da União (DOU).

Opinião: Nelson Azevedo, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam)

“Nunca se cogitou a alteração no comando da Suframa. Recebemos a notícia com surpresa, principalmente, no momento que estamos vivendo da pandemia da covid-19. Sabíamos que, neste momento, a Suframa estava em um bom caminho. Ele (Alfredo Menezes) era muito entrosado com a classe empresarial de modo geral. Várias coisas estavam acontecendo dentro do CBA (Centro de Biotecnologia da Amazônia) que estava cuidando de fármacos e com afinco para conquista da personalidade jurídica, CNPJ. (A Suframa) estava com uma boa equipe e de repente acontece isso (mudança). Lamentamos a saída, sabemos que o comando da superintendência é sempre um cargo passageiro, já foram vários que passaram por lá, e que a probabilidade é muito grande do general Polsin assumir. Ele é conhecido nosso, conhece muito bem a Amazônia, serviu no Comando Militar da Amazônia e tem raízes aqui. Acredito que vai ter o mesmo apoio e interlocução da classe empresarial com o novo superintendente. Quem vier será bem-vindo. Esperamos que seja uma pessoa que tenha a disposição de defender a nossa região, nossa instituição e tentar buscar, de uma forma definitiva, a autonomia na Suframa para não ter os obstáculos e intempéries à Zona Franca de Manaus. Desejamos que o coronel Menezes assuma esse cargo que está sendo cogitado e será mais um aliado junto ao novo superintendente da Suframa para nós ajudar. Pelo espírito dele de militar, cívico e regional é mais um que vai somar esforços em defesa da nossa região e do nosso modelo de desenvolvimento”.

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Repórter de A Crítica

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