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Cotidiano
Ciência e Tecnologia

Dilema da Comunicação Científica é tema da aula magna de pós-graduação da Ufam

Pesquisador australiano William Magnusson vai abordar assunto na aula de abertura das atividades de pós-graduação da instituição, nesta quarta-feira, a partir de 14h30, na Faculdade de Direito 23/08/2016 às 21:53 - Atualizado em 24/08/2016 às 08:55
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William Magnusson é um dos membros da Academia Brasileira de Ciências / Foto: Euzivaldo Queiroz
Paulo André Nunes Manaus (AM)

O tema “Comunicação Científica”, suas dificuldades e problemas, é o assunto a ser abordado nesta quarta-feira às 14h30 pelo pesquisador australiano William Ernest Magnusson, que vai ministrar a aula magna das atividades acadêmicas dos Programas de Pós-Graduação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). O local é o auditório da Faculdade de Direito da Ufam, e a organização da pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propesp) comunica que a aula de abertura das atividades acadêmicas dos Programas de Pós-Graduação da Ufam (2016/2),

O especialista em biodiversidade vai falar das dificuldades no comunicar no âmbito da ciência e também da divulgação para o público em geral. “As pessoas acham que divulgação científica é fácil,mas não: é muito complicado. A maioria dos pesquisadores do Brasil, no mundo inclusive, não conseguem divulgar bem os trabalhos, as pesquisas que têm. Os dados são perdidos em gavetas, e normalmente o estudo morre com as pessoas. . Nós queremos mudar isso porquê o povo investe muito em ciência, então é preciso devolver isso para eles. Se nós não estamos usando essas informações, ou disponibilizando para as pessoas usarem, na realidade é um pouco imoral”, explica  ele, que é membro da Academia Brasileira de Ciências, pesquisador 1A do CNPq e titular 3 do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e coordenador do Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para a Biodiversidade Amazônica (INCT-Cenbam) e o Programa de Pesquisa em Biodiversidade para Amazônia Ocidental (PPBio-AmOc). 

Perfil

O principal motivo dessa dificuldade de divulgação de conhecimentos por parte dos pesquisadores é o próprio perfil atual da categoria, salienta Magnusson.

“É isso que eu vou levar 1h para explicar na aula magna. Basicamente estamos falando de comunicação. E comunicação é uma das coisas mais complicadas que já fizemos, pois muitas coisas achamos que é simples. Quando você encontra alguém e fala um ‘tudo bem!’, você não espera que a outra pessoa vá responder dizendo tudo que está sentindo, se o sapato está apertado e se precisa ir ao banheiro. Então, muita da nossa comunicação é só para se manter os laços sociais. Mas, em Ciências, é preciso ir além disso, e não estamos preparados para isso. Nossa consciência, de alguma forma, não permite que façamos isso. Então é uma luta para comunicar bem. Eu diria que, para a comunicação ao público em geral,a  situação não é boa. Se levarmos em conta que, em termos de comunicação na ciência, 99% dos dados que estão gerados ‘são jogados fora’ e nunca comunicados para ninguém, aí a situação é considerada muito grave. É muito dinheiro para um País que tem pouco dinheiro. É preciso aproveitar”, destaca  o especialista.

CNPq dá 'forcinha' para divulgação

Pelo mundo, o jornalismo científico brasileiro está atrás de outros países, que estão avançados. Mas William Magnusson diz que essa não é o problema-chave.

“Nosso problema não são os meios de comunicação, não são os jornalistas em geral que estão abertos às nossas informações, mas é que os cientistas não são treinados nem para saber que eles precisam divulgar, e quando querem, não sabem bem como comunicar nem para o público e nem para os jornalistas. Esse é um problema universal onde várias instituições estão trabalhando para isso. Inclusive o site do CNPq (cnpq.br) abriu uma seção, a Currículo Lates, para que as pessoas divulguem o que estão fazendo, em várias formas. Com isso o CNPq está reconhecendo que isso é tão importante como a geração das informações”.

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