Domingo, 13 de Outubro de 2019
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Dilma escolhe atual presidente do Banco do Brasil como novo diretor executivo da Petrobras

Decisão não oficial foi divulgada por fontes ligadas ao governo. Presidente anterior, Graça Foster, pediu demissão junto com cinco diretores em meio a escândalos de corrupção e desvio de dinheiro público na estatal



1.gif Aldemir Bendine

A presidente Dilma Rousseff escolheu um homem de sua confiança, o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, para assumir o comando da Petrobras (PETR4.SA: Cotações), disseram três fontes do governo nesta sexta-feira, desapontando investidores que torciam por um nome do mercado para recuperar a imagem da petroleira arranhada por um escândalo de corrupção.

Bendine, funcionário de carreira do BB (BBAS3.SA: Cotações), está à frente do maior banco da América Latina desde 2009. Sob sua chefia, a instituição federal liderou uma ofensiva do governo petista no crédito para atenuar os efeitos da crise financeira global na economia brasileira.

A escolha de Bendine indica as dificuldades que Dilma teve para costurar a sucessão na Petrobras de forma súbita, em 48 horas, com a renúncia repentina da presidente Maria das Graças Foster e de outros cinco diretores da companhia, em um movimento que surpreendeu o Palácio do Planalto.

Além disso, por ser bastante alinhado às políticas do atual governo, a colocação de Bendine na liderança da Petrobras frustra expectativas de investidores e analistas de que o novo líder da petroleira viesse do mercado.

O Conselho de Administração da Petrobras está reunido nesta sexta para eleger um nome indicado pela Presidência da República para ocupar a cadeira de presidente-executivo da petroleira, que está no centro de um escândalo bilionário de corrupção.

Além de Bendine, o Conselho apontará o atual vice-presidente financeiro do BB, Ivan Monteiro, para a diretoria de Finanças da Petrobras, segundo disse à Reuters uma fonte próxima ao banco, que falou sob condição de anonimato.

Após a notícia de que Bendine assumirá a Petrobras, as ações da empresa tinham forte queda. Às 12h, as preferenciais e as ordinárias recuavam 6,2 e 5,7 por cento, respectivamente. O Ibovespa .BVSP tinha desvalorização de 1,5 por cento.

“O Bendine é uma pessoa muito identificada com a primeira gestão do governo Dilma. O BB foi absolutamente comandado pelo governo na primeira gestão e a Petrobras precisaria de alguém mais independente, que peitasse o governo em determinadas situações e não fizesse loteamento de cargos", disse à Reuters o sócio da Órama Investimentos Álvaro Bandeira, no Rio de Janeiro.

Para Bandeira, nomes que vinham circulando na mídia para a Petrobras, como o de Murilo Ferreira, presidente da Vale (VALE5.SA: Cotações), e o de José Carlos Grubisich, ex-presidente da Braskem (BRKM5.SA: Cotações), seriam opções melhores. "Pesa por não ser alguém do setor, mas pesa mais por ser identificado com a primeira gestão de Dilma”, afirmou.

O novo comando da empresa terá entre seus desafios iniciais a regularização da publicação das demonstrações financeiras da estatal. Isso em meio à apuração de um escândalo de corrupção que exigirá que a companhia realize baixas contábeis bilionárias de ativos sobrevalorizados.

Renúncia coletiva

A renúncia de seis altos executivos da Petrobras na quarta-feira surpreendeu autoridades em Brasília, que previam uma mudança na diretoria da estatal apenas no fim do mês.

Na terça-feira, Dilma aceitou o pedido de demissão de Graça Foster, mas tinha acertado a permanência da executiva no cargo por mais algumas semanas. Mas outros cinco diretores da Petrobras não aceitaram ficar por mais tempo, precipitando a saída também de Graça Foster.

Já bastante desgastados, os diretores da Petrobras que estão deixando os postos não quiseram mais ser diretamente associados ao escândalo de corrupção, o maior da história do país, com denúncias de sobrepreço de contratos para beneficiar ex-funcionários, executivos de empreiteiras e políticos.

Procurada, a Petrobras informou que não comentaria a informação de que Bendine será o novo presidente da estatal e disse que qualquer comunicação oficial será feita por meio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).


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