Sábado, 29 de Fevereiro de 2020
Notícias

Dilma faz apelo a líderes por aprovação de medidas de ajuste fiscal no Congresso

Presidente pediu ajuda a parlamentares da base aliada na Câmara e no Senado para aprovar projeto de lei que trata de desonerações tributárias para vários setores



1.jpg Dilma quer mostrar importância do ajuste fiscal para retomada das bases para crescimento da economia
04/03/2015 às 16:27

Pressionada por aliados e com dificuldades para dar andamento ao ajuste fiscal no Congresso, a presidente Dilma Rousseff reuniu-se nesta quarta-feira (2) com os líderes de partidos aliados da Câmara e do Senado e fez um apelo pela aprovação do projeto de lei que trata de desonerações tributárias para vários setores e de outras medidas que miram o ajuste das contas públicas.

Nas reuniões, Dilma tentou mostrar aos parlamentares a importância do ajuste fiscal para o país retomar as bases para o crescimento da economia, mas ela não se comprometeu, segundo relatos de deputados e senadores, com um horizonte para a volta do crescimento econômico.



A petista se comprometeu, porém, a discutir previamente com os aliados as medidas a ser adotadas pelo governo, desde que não sejam ações que tenham impacto direto no mercado.

“Ela assumiu o compromisso de que todas as medidas provisórias, projetos de lei e até mesmo medidas do governo que não tenham necessidade de se transformar em lei serão discutidas previamente com os líderes da base no Congresso Nacional. À exceção daquelas que possam impactar de imediato no mercado financeiro”, disse o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), a jornalistas após a reunião com a presidente.

A decisão de Dilma, entretanto, chega depois de o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ter rejeitado a medida provisória 669 com mudanças em desonerações tributárias para vários setores da economia, editada pelo governo na última sexta-feira.

Ao rejeitar a medida, o peemedebista, até então considerado um dos melhores aliados do governo no Congresso, disse que não se pode fazer ajuste fiscal “por medida provisória” e que o governo precisava negociar previamente com o Congresso como isso será feito. Segundo os parlamentares ouvidos pela Reuters, a ação de Renan não foi discutida na reunião com a presidente.

Após a rejeição da MP 669, o governo editou às pressas um projeto de lei com urgência constitucional com as mudanças da desoneração da folha de pagamento e do Reintegra, anunciadas na sexta, e que podem gerar uma receita para o governo da ordem de 14,6 bilhões de reais neste ano, contribuindo para o cumprimento da meta fiscal.

O projeto de lei eleva as alíquotas de Contribuição Previdenciária das empresas sobre receita bruta, reduzindo na prática a desoneração da folha de pagamentos.

O ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas, disse que apesar da rejeição da MP o governo não considera Renan “um adversário”. “O que nós temos que fazer é conversar e dialogar com ele”, afirmou. E admitiu que o governo precisa também “intensificar o debate” com os aliados.

As reuniões de Dilma com os aliados podem inaugurar um novo e esperado ciclo da relação entre o governo e o Congresso, mas em outros momento de crise política durante o primeiro mandato a presidente já prometeu maior proximidade com os partidos da sua coalizão, o que acabou sem cumprir.

Desde a semana passada, o PMDB, maior partido aliado no Congresso, tem aumentado o tom das críticas à articulação política de Dilma. A decisão de Renan na noite de terça-feira, rejeitando a MP, é mais uma demonstração de que o partido não está confiante numa mudança de postura da presidente.

O líder do governo na Câmara, José Guimarães, disse que o governo passa por um momento de “rearticulação” da base aliada no Congresso. "Precisamos agora garantir a estabilidade política na Câmara", disse.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.