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Cotidiano
ODEBRECHT

Dilma nega que tenha pedido doações ou autorizado caixa 2 em campanha

A ex-presidente rebateu as declarações do empresário Marcelo Odebrecht em depoimento à Corregedoria da Justiça Eleitoral na quarta-feira (1º) 02/03/2017 às 14:23 - Atualizado em 02/03/2017 às 14:25
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Foto: Andres Stapff/Reuters
Lisandra Paraguassu (Reuters) Brasília (DF)

A ex-presidente Dilma Rousseff negou hoje, em nota, que tenha pedido doações ou autorizado o uso de caixa 2 durante campanha presidencial, como afirmou o empresário Marcelo Odebrecht em depoimento à Corregedoria da Justiça Eleitoral na quarta-feira (1º).

Dilma afirmou que “a insistência em impor à ex-presidenta uma conduta suspeita ou lesiva à democracia ou ao processo eleitoral é um insulto à sua honestidade e um despropósito a quem quer conhecer a verdade sobre os fatos”.

No depoimento, feito por Odebrecht no processo que pode levar à cassação da chapa Dilma Rousseff/Michel Temer, eleita em 2014, o empresário afirma que negociou primeiro com o ex-ministro Antonio Palocci – preso pela operação Lava Jato – e depois com o ex-ministro Guido Mantega uma contrapartida pela aprovação de uma medida provisória em 2009 que beneficiaria o grupo. O empresário disse ainda que, a pedido do ex-ministro, teria organizado doações de outros empresários à campanha.

Os recursos não foram usados na campanha de 2010, segundo Odebrecht, e ficaram como crédito. Depois disso, o empresário ainda negociou uma “doação espontânea” por caixa 2 que, somados aos recursos anteriores, chegaria a 300 milhões de reais. Odebrecht afirmou ainda que, por conta desse crédito, Mantega teria pedido que ele então pagasse uma dívida de campanha com o publicitário João Santana, em um valor entre 20 e 40 milhões de reais.

Na nota, Dilma afirma que é “mentirosa” a afirmação de que teria pedido recursos a Odebrecht ou a outros empresários ou que tenha “autorizado pagamentos a prestadores de serviços fora do país, ou por meio de caixa dois, durante as campanhas presidenciais de 2010 e 2014”.

Dilma nega, também, que tenha indicado Mantega como representante para arrecadação financeira e que as campanhas tinham tesoureiros registrados.

“Por fim, cabe reiterar que todas as doações às campanhas de Dilma Rousseff foram feitas de acordo com a legislação, tendo as duas prestações de contas sido aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral”, diz o texto.

Também por conta do depoimento de quarta-feira, um dos advogados de Temer no processo afirmou que as declarações de Odebrecht são “basicamente o que estava na delação” premiada do executivo e que é cedo para ter um posicionamento da estratégia de defesa.

No Palácio do Planalto, as declarações de Odebrecht foram vistas com alívio, já que o empresário confirmou o jantar com Temer no Palácio do Jaburu, mas informou que foi uma conversa “genérica” sobre contribuição e não se falou de valores.

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