Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019
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Diretoria da PM solicita prisão preventiva de policiais suspeitos de torturar jovens em Manaus

Poderão ser expulsos da corporação os três PMs da Força Tática que aparecem em vídeo agredindo dois rapazes e uma moça com socos, pontapés e pauladas



1.jpg Vítimas com idades de 15, 18 e 22 anos ficaram com marcas de tortura pelo corpo
08/05/2015 às 16:36

ASSISTA AO VÍDEO

Os três policiais militares da Força Tática suspeitos de torturarem três jovens em Manaus na madrugada da última quarta-feira (6) poderão ser presos preventivamente e expulsos da corporação. A Diretoria de Justiça e Disciplina da Polícia Militar, onde tramita o inquérito policial militar (IPM), já solicitou da Justiça a prisão preventiva dos três policiais.



Agora, a Justiça poderá ou não aceitar e decretar a prisão preventiva dos suspeitos. Atualmente, os PMs estão apenas afastados das ruas e prestando serviços administrativos. Os nomes deles não foram revelados, mas foi informado que são um cabo que está há 15 anos na PM e outros dois soldados que têm entre 3 a 4 anos de corporação.

A expulsão dos policiais da corporação dependerá de outra investigação, que tramita administrativamente na Corregedoria Geral da Polícia Militar. Dependendo da análise da Corregedoria sobre a conduta dos policiais no caso de tortura, e da aptidão deles em exercer a profissão, os mesmos poderão sofrer sanções e até serem expulsos da PM.

Em um vídeo divulgado pelo Portal A Crítica, os policiais suspeitos do crime aparecem agredindo com socos, pontapés e golpes de pau dois rapazes e uma moça na comunidade Jesus me Deu, na Zona Norte de Manaus. Os jovens têm idades de 15, 18 e 22 anos, e ficaram com marcas de tortura nas nádegas e costas.

Denúncia

Segundo relato das vítimas, três policiais, um deles encapuzado, desceram da viatura, renderam os jovens e iniciaram as agressões. Primeiro eles abordam o auxiliar de padaria L.F.C.P., 22, que é empurrado para a parede e agredido com tapas e pontapés.

“Eu estava lanchando aqui na frente quando eles chegaram e me mandaram ir para parede e já foram me batendo. Não me revistaram, nem me algemaram e me mandaram ajoelhar”, disse a vítima. Ainda segundo o jovem, um dos policiais pegou um pedaço de tábua de madeira e bateu pelo menos 16 vezes nas costas e nas nádegas. “Não tinha motivo para eles fazerem isso. A gente não estava fazendo nada de errado”, afirmou.

A versão foi confirmada pela adolescente C.C.S, que disse ter levado 20 pauladas. Ela também foi agredida com tapas nas costas, obrigada a tirar a roupa na frente dos militares e depois a obrigaram bater nos colegas.

“Eles me mandaram ficar sem roupa e mandaram eu me abaixar. Um deles chegou a encostar o cuturno nas minhas partes íntimas, mas eu levantei. Depois eles me mandaram bater nos meninos, senão eu ia apanhar mais. Tive que bater”, contou a menina que para sentar, precisa usar uma almofada, já que os glúteos dela também ficaram com muitos hematomas.

Depoimento

As vítimas foram ouvidas na Corregedoria da PM e submetidas a exame de corpo de delito. Os jovens apresentaram fotografias das lesões causadas pelo espancamento. A maneira como os policiais agiram pode ser vista, no mínimo, como lesão corporal, mas também como tortura ou abuso de autoridade.


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