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Cotidiano
DISCUSSÃO

'Discriminação se encontra em todo lugar', diz trans sobre combate ao preconceito

Militante Joice Gomes falou sobre problemas em audiência pública realizada ontem na Assembleia Legislativa do Amazonas. Conselho Estadual LGBT foi definido para atuar em todo o Estado 27/04/2017 às 09:42
Show trans
Militante trans falou sobre dificuldades por falta de políticas públicas voltadas para o público LGBT (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Isabelle Valois Manaus (AM)

A transexual Joice Gomes relembra com detalhes todos os preconceitos passados durante os seus 27 anos de vida. Natural de Fonte Boa (a 680 quilômetros da capital), a universitária do último período de serviço social afirma que ainda não é fácil para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT) assumir publicamente sua orientação sexual, por medo da violência e pela falta de políticas públicas. Esses problemas, inclusive, estiveram em pauta numa audiência pública realizada ontem na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM).

No Amazonas, a criminalidde é considerada alta. Em 2016, 28 crimes bárbaros foram registrados no Estado, lembrou Joice. A trans descara a batalha diária. Até dentro da faculdade, há discriminação, inclusive pelos próprios universitários. “Sempre encontramos muitas barreiras para seguir uma vida comum como todos. Uma colega de sala me disse que estava no lugar errado por assumir minha postura de querer ser mulher”.

Quando ainda criança, Joice descobriu o desejo de ser mulher. Vinda de uma família com seis filhos homens, ela é a caçula. Por causa do jeito feminino, dentro da própria casa passou por diversas discriminações. “Por conta disso, comecei a procurar emprego ainda bem jovem e aos 17 anos saí de casa. Por não ser aceito pela minha família e por ter a necessidade de sobreviver, tive que fazer como quase 90% dos transexuais e travestis, fui me prostituir”, comentou.

Com 20 anos, Joice recebeu o convite para vir morar em Manaus. A ideia era poder aproveitar a oportunidade para estudar e crescer na vida. Com dois anos se estabilizando na capital, a transexual começou a se preparar ao vestibular e no meio tempo conseguiu uma bolsa de estudos por meio dos programas do governo federal para cursar serviço social, mas foi com a ocorrência em sala de aula que ela resolveu entrar na militância LGBT.

“Discriminação se encontra em todo lugar, desde dentro de casa até quando vamos para uma entrevista de emprego. Como é necessário colocarmos o nome civil no currículo quando se deparam com a transformação, logo somos desclassificados, por isso que há uma porcentagem alta na prostituição”, disse.

Outro problema clássico do preconceito apontado por Joice é a utilização do banheiro público. Por conta disso, muitas das vezes elas decidem até não ir para evitar assédio no banheiro masculino ou por serem expulsas no banheiro feminino.

Papel de fiscalizar

Um dos papéis do conselho será de cobrar a efetiva apuração dos crimes contra as pessoas que assumem fazer parte da comunidade Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT) e cobrar planos estratégicos de ação para políticas públicas.

Conselho funcionará em 60 dias

Em uma audiência pública para discutir a violência contra a pessoa LGBT, foi definido a formação de um Conselho Estadual LGBT para atuar em todo o Estado.

A iniciativa é da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc). A previsão é que em 60 dias conselho esteja instalado e tenha seus rendimentos internos para se dar continuidade nas discussões dos temas relacionados com o movimento além de buscar traçar meios de desenvolver políticas públicas a entrarem em vigor em melhoria de vida e proteção deste público.

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