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Disputa pela Suframa fica cada dia mais acirrada no AM

Com a nomeação do novo superintendente mais próxima de se concretizar, líderes empresariais e políticos se esforçam para emplacar seus ‘favoritos’ no comando da Suframa. Decisão deve ficar para fevereiro 26/01/2015 às 09:43
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O nome de quem vai ocupar o cargo e coordenar atividades como as reuniões do Conselho da Suframa CAS só deve ser divulgado após o Carnaval
Juliana Geraldo Manaus (AM)

Desde que Thomaz Nogueira anunciou sua decisão de entregar o cargo de superintendente da Suframa, no final de outubro do ano passado, os rumores sobre quem assumiria o seu lugar a frente da autarquia começaram instantaneamente. Mas a disputa pela posição estratégica tem ido além da permanência do superintendente em exercício, Gustavo Igrejas, ou de sua substituição por outros indicados, de cunho político. A discussão maior gira em torno do perfil do futuro superintendente: técnico ou político?

Conforme publicado em A CRÍTICA, articulações realizadas esta semana no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) dão conta de que a briga está equilibrada entre os dois lados.

Em uma extremidade, o ministro Eduardo Braga, de Minas e Energia, estaria unindo forças para “emplacar” no cargo um nome de seu grupo político. Na outra, a classe empresarial alega a necessidade de ter à frente da superintendência, um representante de perfil técnico.

A defesa pelo nome de Gustavo Igrejas na permanência do cargo começa a ficar mais clara. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga, teria ido ao Mdic em busca de apoio para Igrejas, a pedido de líderes empresariais amazonenses. Do lado de Braga, há informações de que ele já tem uma candidata de seu grupo aliado para ‘concorrer’ ao cargo e que conta com o apoio do PT-AM para confirmar a indicação.

Definições

O representante regional do partido, Valdemir Santana, declarou apoio a indicação a ser lançada por Eduardo Braga. Segundo ele, o mistério em torno das indicações deve ter fim nesta semana, quando um reunião a ser marcada com o governador José Melo promete pôr fim ao impasse em relação a este cargo e a outras cadeiras como a da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).

“A reunião deveria ter ocorrido já nesta última semana, mas precisou ser adiada. Embora já tenhamos definido nosso indicado, ouvir o professor (José Melo) é fundamental”, ponderou Santana.

“Aliançados” nesse quesito, PT e PMDB defendem que além de conhecimento técnico, o indicado tenha, como principal atributo, trânsito político com o governo federal. “A pessoa a ocupar o cargo precisa sim, de sensibilidade política, para resolver questões importantes para o modelo em Brasília, evitando situações críticas como as vividas em 2014”, alegou.

Entretanto, quem bate o martelo, definitivamente, é o próprio Mdic e a presidente Dilma Rousseff. A expectativa de parlamentares é de que a decisão seja comunicada oficialmente, depois da posse da nova legislatura, em fevereiro, possivelmente depois do Carnaval.

O perfil para ocupar o cargo

Baseado em seu conhecimento sobre a cidade e sobre a história da Suframa, o historiador Abrahim Baze, defendeu o conhecimento técnico da autarquia como indispensável para quem se propuser a ocupar o cargo. “ Em relação às forças políticas, é preciso lembrar que temos uma bancada amazonense em Brasília e é ela, que tem que se unir ao novo titular da Suframa, para juntos abrirem as portas necessárias no governo federal”, argumentou. Segundo ele, a experiência técnica dá ao novo titular do cargo uma larga vantagem para administrar demandas e contornar as crises. “Quem for responder pela autarquia precisa também sair do gabinete e ter um relacionamento intenso com as lideranças em Brasília. Esta pessoa terá que buscar os resultados”.

‘É Imprescindível termos um gestor técnico’

De acordo com o presidente do Cieam, Wilson Périco, a principal preocupação da classe empresarial é de que o cargo maior da Suframa seja ocupado por alguém que não tenha conhecimento técnico fundamental para comandar a autarquia. Ele defende que a superintendência tem grandes questões para resolver como buscar mais representatividade e autonomia para aprovar PPBs e administrar melhor os recursos. A autarquia também quer recuperar sua abrangência. “Esses desafios exigem conhecimento amplo e técnico. O apoio político faz parte do pacote, mas pode ser buscado no percurso”.

‘Defendemos mais articulação com o governo federal’

O atual ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB), não descarta a necessidade do conhecimento técnico como característica do substituto de Thomaz Nogueira. Entretanto, ele dá ênfase maior, conforme já demonstrou anteriormente, à característica política desse candidato e é nesse sentido que o seu partido, o PMDB, trabalha para formular uma indicação, que deve passar ainda pelo aval do governador José Melo. “Não se trata de ver a questão como um assunto político, mas defendo, sim, que o novo titular da Suframa tenha um perfil que contemple mais articulação e mais aproximação junto ao governo federal”.

Os maiores desafios do próximo superintendente

Independentemente da escolha a ser feita pelo Mdic para assumir a Suframa, o novo superintendente deve ter em vista os desafios que tem pela frente. Os últimos dois anos não foram fáceis para a autarquia que, além de queda no faturamento em alguns de seus principais setores, precisou lidar com crises internas e externas. Em maio de 2013, por exemplo, os colaboradores terceirizados com a Fucapi tiveram que ser desligados da autarquia, em obediência à recomendações dos órgãos de controle que julgaram as atividades realizadas por eles, correlatas as de servidores de carreira. Os novos servidores, aprovados em concurso público só chegaram à autarquia para preencher essa lacuna, em agosto de 2014. Neste intervalo, uma grande greve e paralisações - relâmpago ocorreram evidenciando os ajustes salariais e de plano de carreira como uma das prioridades a ser resolvida pelo novo titular da pasta.

Reestruturação

Em entrevista concedida a A CRÍTICA, logo após assumir interinamente o comando da autarquia, Gustavo Igrejas mencionou que a reestruturação completa da Suframa é a grande missão daqui para frente. “Para o futuro, as ações da Suframa têm que contemplar diversos aspectos, mas a infraestrutura e a logística são fundamentais. Induzir o desenvolvimento dos produtos do PIM e interiorizar as atividades da autarquia também devem estar no topo da lista de prioridades”, enfatizou na ocasião.

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