Terça-feira, 16 de Julho de 2019
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Disputa pelo Governo em 2014 trará reflexos na bancada amazonense em Brasília

Pelas contas dos mais experientes, nas eleições de 2014, haverá entre 18 a 20 nomes “muito fortes” que devem concorrer às oito ou nove vagas da Câmara dos Deputados



1.jpg Omar Aziz pode figurar para o senado em chapa majoritária encabeçada pelo atual prefeito de Manaus, Artur Neto (PSDB)
26/08/2013 às 09:14

A completa indefinição no quadro sucessório ao Governo do Estado do Amazonas, a dez meses das convenções partidárias para a escolha dos candidatos das chapas majoritárias e proporcionais – processo que se completará até o final de junho de 2014 –, está deixando a bancada de deputados federais preocupada com os rumos dos mandatos e da reeleição parlamentar. Pelas contas dos mais experientes, nas eleições de 2014, haverá entre 18 a 20 nomes “muito fortes” que devem concorrer as oito ou nove vagas da Câmara dos Deputados a partir dos grupos majoritários que estariam formados hoje.

O primeiro bloco é o que traz o governador Omar Aziz, candidato ao Senado, apoiando uma chapa do vice-governador José Melo ao Governo do Estado. Há possibilidade também de a deputada federal Rebecca Garcia (PP-AM) ser a candidata de Omar. Essa formação, pelas últimas pesquisas internas e veiculadas, elegeria entre três e quatro deputados federais dependendo do número de vagas. Nessa lista, os nomes de peso são os dos atuais deputados federais Silas Câmara (PSD), Átila Lins (PSD), Henrique Oliveira – se conseguir saída do PR – Carlos Souza (PSD), Luiz Fernando (PSD) e o secretário estadual de Produção Rural, Eron Bezerra (PCdoB).

A segunda frente é formada pelo senador Eduardo Braga (PDMB), que diz “não saber se é candidato ao Governo”, mas se move como tal; Alfredo Nascimento (PR) e Amazonino Mendes (PDT). Os candidatos proporcionais desse grupo, a uma das vagas a deputado federal, seriam o próprio Alfredo Nascimento – embora tenha lançado sua candidatura à reeleição ao Senado em recente entrevista concedida ao jornal A CRÍTICA – Henrique Oliveira, caso permaneça do PR, Francisco Praciano (PT), Marcos Rotta (PMDB), Gedeão Amorim (PMDB), João Pedro (PT) e Sabino Castelo Branco (PTB). Pelas sondagens, o grupo de Braga também elegeria entre três e quatro deputados federais.

A terceira via vem do time que venceu as eleições de 2012 e comanda a Prefeitura de Manaus, formada por Artur Virgílio Neto (PSDB), Hissa Abrahão (PPS) e Serafim Correa (PSB). Nesse cenário, o nome para o Governo do Estado é o do vice-prefeito (Hissa) e o grupo elegeria dois deputados federais com uma chapa forte comandada pelo ex-prefeito Serafim Correa, Artur Bisneto (PSDB), Pauderney Avelino (DEM) e Plínio Valério (PSDB), atualmente ocupando uma das oito vagas na Câmara como suplente.

O vice-prefeito Hissa Abrahão já anunciou sua pré-candidatura a governador no ano que vem, mas Artur Neto disse que a Prefeitura de Manaus não vai ter candidato nem anunciou o apoio ao companheiro. Membros desse bloco afirmam que Hissa não representa o grupo e que preferem apoiar o candidato do governador Omar Aziz.

Médio a grande

O presidente nacional do PR, senador Alfredo Nascimento, disse desconhecer o desejo do deputado Henrique Oliveira de deixar o partido. Lembrou que apoiou a candidatura do deputado a prefeito de Manaus, em 2012, e que ele precisará de um partido médio a grande, com tempo de TV e recursos para disputar uma eleição majoritária. Ser permanecer na legenda, Henrique terá o aval dele para concorrer ao Governo do Estado.

Artur como candidato de Omar

Todo esse quadro pré-eleitoral, com os três grupos na eleição majoritária, sofrerá significativas alterações se for confirmada, até junho de 2014, a candidatura de Artur Virgílio Neto ao governo do Estado com o apoio de Omar Aziz. Nesse cenário, segundo a análise de parlamentares, analistas e observadores da política local, o governador viria na chapa majoritária, concorrendo ao Senado, deixando José Melo na cadeira de governador até 31 de dezembro ou o próprio Omar renunciaria a quase certa eleição de senador para poder “bancar” a candidatura de Artur.segundo turnoUnindo PSD, PSDB, PPS, PSB, DEM, PP e outros partidos menores, aliando outras candidaturas ao Governo, esse grupo levaria a eleição para o segundo turno com o senador Eduardo Braga com chances reais de vencer.

O “blocão” também pode vir a eleger até seis deputados federais. “O problema é que esse palanque vai ser preparado para o presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG) e Omar teria que romper de vez com o Governo da presidente Dilma Rousseff. Se ficar com a candidatura do José Melo – caso este consiga um novo partido, agora que se desligou do PMDB – ou Rebecca, o governador poderá dividir atenção do Palácio do Planalto já que o PSD dá mostras de que vai apoiar a reeleição da presidente e também não se indisporá tanto com Eduardo Braga, pois José Melo foi indicação do senador”, avalia um experiente político amazonense. Há ainda a possibilidade, cada vez mais remota, de Omar Aziz se realinhar a Braga. “Com certeza, ele vence a eleição para o Senado, mas no dia seguinte ele perde a liderança que tem hoje no Amazonas”, dizem os analistas políticos.

“Trabalhando duro para continuar crescendo”

Nas últimas pesquisas para eleições proporcionais, divulgadas no Amazonas, o deputado federal Silas Câmara é um dos que estão entre os candidatos que teriam reeleição garantida. Satisfeito com a sondagem, ele diz que é o único deputado da bancada que vem crescendo a cada pleito. A meta dele é chegar a 150 mil votos nas eleições de 2014 e se tornar o mais votado. Silas foi eleito deputado federal, pela primeira vez, em 1998. Com um reduto eleitoral evangélico e sem ter experiência parlamentar, ele obteve 38.310 votos, sendo o oitavo deputado eleito. Quatro anos depois, sua votação subiu para 71.578 votos, ficando em quinto entre os oito deputados. Em 2006, fica na quarta colocação, com 104.965 votos e no último pleito sobe para 127.134 votos. “Eu trabalhando duro para continuar essa curva ascendente das últimas quatro eleições”, diz Silas Câmara.

Candidatura de Henrique Oliveira a governador

Com um pé fora do Partido da República (PR), o deputado federal Henrique Oliveira (AM) figura entre os primeiros nomes na pesquisa para ocupar uma das oito (ou nove) vagas à Câmara dos Deputados. No entanto, ele acaba de anunciar que vai concorrer ao Governo do Estado. Para isso, ele precisa deixar o PR, do senador Alfredo Nascimento. Mesmo não tendo oficializado a saída nem conversado com o “cacique republicano” local, Oliveira diz a todo mundo que vai deixar a sigla. As duas legendas prováveis seriam o Solidariedade, do Paulinho da Força, ou o PROS (Partido Republicano da Ordem Social), com a possibilidade de comandar a sigla no Amazonas.

A insatisfação de Henrique com o PR e Nascimento não é de agora. Ele se queixa que não recebeu apoio da legenda nas eleições de 2012, quando ficou em terceiro lugar na disputa pela Prefeitura de Manaus, com 156.648 votos. Se repetir a façanha na eleição para deputado federal, o “Cabeção”, como é chamado, será mesmo o mais votado da bancada. Mas, as diferenças entre os políticos do PR ocorrem justamente porque um ameaça o outro na vaga de deputado federal em 2014.

Questionado sobre a candidatura de Henrique Oliveira a governador, o senador Alfredo Nascimento diz que o deputado ainda não conversou com ele sobre a decisão, mas diz que terá o apoio dele caso permaneça no partido. “É uma boa candidatura. Como eu não tenho interesse no Governo do Estado, nada impede que ele seja candidato, mas é preciso construir apoios e acordos”, disse Nascimento.

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