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Divulgação de casos de ebola diminuiu procura por mão de obra haitiana no Brasil

Haitianos que entram no País costumam ser enviados para trabalhar em estados do Sul. Governo acredita que divulgação da ebola, em países da África, seja responsável por falta de interesse do empresariado 11/11/2014 às 16:24
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Há quatro anos, tem ocorrido forte imigração de haitianos no Brasil
Graziele Bezerra (Agência Brasil) Brasília (DF)

A Secretaria de Justiça e Direitos humanos do Acre constatou nos últimos meses a queda na procura por empresários – especialmente de estados do Sul – de mão de obra haitiana. Há quatro anos, tem ocorrido uma forte imigração de haitianos que entram, geralmente, de forma ilegal no país pelos municípios de Brasileia, fronteira com a Bolívia, e de Assis Brasil, fronteira com o Peru.

Ao chegar aos municípios brasileiros, os haitianos têm vistos provisórios emitidos pela Polícia Federal. Entretanto, de acordo com o secretário Nilson Mourão, nos últimos dois meses, apenas uma empresa mostrou interesse em recrutar os estrangeiros, coincidentemente mesmo período quando começaram a ser divulgados casos de ebola em negros africanos.

Segundo o secretário local, nos meses anteriores ocorriam cerca de 100 contratações por semana. Nilson acredita que a epidemia do ebola, em países da África, seja responsável por falta de interesse do empresariado. “Nós atribuímos isso ao fenômeno da divulgação ampla, no mundo inteiro, a respeito dos perigos do ebola. Essa deve ter sido a causa principal”, disse.

“De fato, já faz tempo que nenhuma empresa se apresenta para recrutar imigrantes. Nós temos procurado tomar os cuidados devidos, mas não há dúvidas que as informações que circulam nos meios de comunicação levam as pessoas a ficarem cautelosas”, ressaltou Mourão. Acredita-se que empresários prefiram contratar imigrantes alojados em São Paulo, ao invés de contratar haitianos que entram no país pelo Acre.

 “Hoje existe um encaminhamento desses imigrantes do Acre para São Paulo. Então, o empresariado que se dispõe a contratá-los encontra a possibilidade de procurar essa força de trabalho imigrante no centro de São Paulo, onde funciona uma estrutura de serviço público da prefeitura. Eles podem ser localizados com certa facilidade”, disse o secretário.

O padre Paolo Parise, coordenador da Casa do Migrante, em São Paulo, local onde os haitianos vindos do Acre ficam instalados, confirma a informação. “Algumas empresas comentaram que antigamente elas iam para o Acre e, agora, vem para cá, depois que ficaram sabendo que a gente oferecia esse serviço de encontro entre as empresas e imigrantes haitianos e de outras nacionalidades”.

Parise acrescentou que as empresas, geralmente do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, já procuram os serviços de estrangeiros, em São Paulo, para oferecer vagas aos imigrantes haitianos. Segundo ele, algumas empresas contrataram os haitianos em 2013 e retornaram ao estado para contratar novos imigrantes.

Os haitianos começaram a migrar para o Brasil em dezembro de 2010. De lá para cá, entraram de forma irregular, pelo Acre, mais de 20 mil pessoas. A Casa do Migrante de São Paulo, atendeu 3.231 imigrantes de vários países, entre fevereiro e junho do ano passado. Desse total, 27% eram haitianos.

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