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Cotidiano
INTERNACIONALIZAÇÃO

Do Amazonas para o mundo: empresas locais abrem filiais no exterior

Empresários consolidados em Manaus dão passos ousados e levar seus negócios para países como Estados Unidos e Portugal 28/07/2018 às 15:43 - Atualizado em 29/07/2018 às 17:08
Show splash
Ana Tereza Braga e João Paulo Marques estão felizes e entusiasmados com a ‘Splash portuguesa’
Cinthia Guimarães Manaus (AM)

Coragem, ousadia e muito planejamento. Com esses ingredientes fundamentais, empresários do Amazonas, com negócios consolidados na capital, estão realizando novas empreitadas ‘além-mar’. Os destinos são Estados Unidos e Portugal, duas nações que têm aberto, nos últimos anos, as portas para milhares de brasileiros que migram em busca do sonho de uma vida mais digna do ponto de vista social e profissional.

O casal Ana Tereza Braga, 39 anos, e João Paulo Marques, 38 anos, juntou a fome com a vontade de comer e partiu para o ‘Velho Mundo’ rumo a novos desafios. Há três meses, eles comandam a pizzaria Splash, em Braga, Portugal, primeira filial internacional da tradicional rede amazonense, em atividade há 35 anos e com sete lojas em Manaus. Apesar de carregar Braga no sobrenome, Ana Tereza afirma que a escolha da cidade homônima não foi coincidência: “Foi destino!”

Portugal acolha 85 mil brasileiros atualmente. Só em 2017, o país emitiu 61,4 mil vistos de residência a estrangeiros, dos quais 11,6 mil para brasileiros.

“Sempre tivemos o sonho de expandir. Portugal está abrindo as portas para o empreendedorismo. Os portugueses são mais conservadores, os negócios são familiares e menores. Para começar, resolvemos ir devagar. Escolhemos Braga por ter custo 30% menor que Lisboa. A loja (localizada na Rua do Arco da Porta Nova, entrada da cidade) só tem três meses e nos surpreendeu”, diz otimista.

Para isso, o casal investiu em um plano de negócio, mas também contou com a experiência e a sensibilidade. “A pizza é o segundo alimento mais conhecido no mundo. Então é um ramo que tem muito potencial e é vendável em qualquer lugar do mundo”, diz ela.

Ana e João - que estavam em Manaus nos últimos dias - se revezam para cuidar dos negócios lá e cá. A decisão de mudar para a Europa foi para experimentar novos ares e dar mais qualidade de vida aos filhos. A administração das sete lojas da Splash fica dividida entre a família de Manaus.

A abertura da empresa e o visto para investidor também não foram complicados, segundo Ana. “Existe em Portugal o “Empresa em 1h”. Fizemos pela internet e foi muito fácil. Apresenta-se a documentação, o capital social e está aberta a empresa”, conta. A loja portuguesa possui quatro funcionários, sendo o gerente português. E o público? “60% português e 40% brasileiro, recebemos muitos turistas”. 

Mas os planos do casal não param por aí. “Estamos avançando em conversas com possíveis parceiros para abrir filiais da Splash em Porto, Lisboa e Algarve”, revela Ana Tereza sobre as expectativas da internacionalização.

 

Cachaça tipo exportação

O empresário André Parente ganhou fama em Manaus por causa da cachaça. O sócio-proprietário da Cachaçaria do Dedé, rede de restaurantes e empório, quer conquistar o mundo com a “Jambucana”, uma cachaça especial desenvolvida e lançada por ele, em 2015.

A matéria-prima é um ingrediente amazônico exótico: o jambu, uma erva ou "agrião silvestre" que confere um gosto picante que adormece o paladar. A bebida, maturada em Minas Gerais, também leva especiarias como canela, gengibre e melaço de cana. “Sempre acreditei muito na Jambucana. Quando nos posicionamos bem aqui, resolvi partir para fora. O produto está em primeiro lugar no site nacional da cachaça há dois anos”. 

Dedé está com tudo pronto para exportar a Jambucana para os Estados Unidos. O processo incluiu cadastro, pesquisa, licenças e parceria com distribuidor americano. A garrafa da ‘Jambucana tipo exportação’ foi feita na China.

“Pagamos uma consultoria para fazer um estudo para gente ver se teria aceitação e a empresa nos apresentou um relatório dizendo que era um produto viável. Até o rótulo mudou”, conta.

O primeiro lote terá 12 mil garrafas, que serão comercializadas em casas noturnas, lojas de conveniência e navios cruzeiros. A proposta é ganhar o gosto do americano como uma bebida destilada exótica.

Dedé também está desenvolvendo outro produto: a “Jambu Bier”, uma cerveja estilo summer, também feita de jambu.

 

Di Caputti avalia novos mercados

Há um ano, a pizzaria manauara Di Caputti abriu as portas com uma pequena loja em Ford Lauderdale, na Flórida, Estados Unidos.  No mês passado, o empresário Marcelo Indalesio, resolveu encerrar, temporariamente, as atividades porque o negócio arrefeceu em razão do movimento turístico de baixa temporada na região. “Estamos avaliando os negócios, com materiais parados para montar em outro ponto que não sofra interferência dessa sazonalidade. O aprendizado fica. Apesar de tudo, essa tentativa tem valor muito importante para mim”, afirma o empresário paulistano, que vive em Manaus há 35 anos, desses 20 anos que trabalha no ramo de pizza.

“Vimos a oportunidade pela situação do país e imaginamos em abrir essa porta. O estilo de vida americano não deixa de ser um sonho. Resolvemos, eu e um sobrinho, que é cidadão americano, investir. Foi com ele que fiz essa jornada, com a expectativa de abrir um novo leque de oportunidade. Quando estive lá fazendo pesquisa de mercado, fui em várias pizzarias. Um dos nossos diferenciais é a qualidade da massa e o molho. Mas a parte tributária é totalmente diferente”.

A Di Caputti funciona há três anos em Manaus, com unidades no Vieiralves e no Shopping Mundi, no Aleixo.

 

De vento em popa

Outro Marcelo que está se dando bem é o “de Castro”, que criou há quatro anos a marca Fruitiss, com objetivo de desenvolver uma linha de açaí premium para exportação. A partir daí, de Castro moldou uma rede de lojas chamada “Fruitiss Açaí e Café”, no estilo fast and healthy (rápido e saudável). A proposta é oferecer alimentos saudáveis e naturais como açaí, tapiocas e sucos com frutas tropicais, tais como cupuaçu, cajá, pitanga e graviola.  

“Estamos abrindo 10 lojas na Flórida e expandido para outros estados americanos. A nossa ideia é expandir a Fruitiss para vários países levando comidas e frutas tropicais do Brasil”, revela ele sobre o plano ambicioso do negócio.

A matéria prima vem do Norte do Brasil. “Trabalhamos com fornecedores do Amazonas e da do Pará. Processamos o nosso açaí no Norte, que depois desce para Santa Catarina e o produto final é enviado para o resto do Brasil e exportado”, explica o empresário

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