Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
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Doação de órgãos renova vidas

Doação muda a vida de quem recebe e da família que faz a doação



1.jpg Com o filho agonizando no hospital, vítima de um aneurisma fulminante aos 14 anos, Isabel dormiu no quarto dele, em casa, acordou com a palavra ‘doa’ na cabeça
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07/08/2013 às 08:13

A generosidade de Isabel Andrade de Souza, 40, também uma das características mais admiradas do filho Vitor Hugo, 14, transformou e salvou quatro vidas. Há seis meses o menino morreu vítima de um aneurisma cerebral e a família autorizou a doação dos rins e das córneas.

No Amazonas, aproximadamente 500 pessoas estão na fila de espera para o transplante de córneas e pelo menos 650 esperam pelo transplante de rins. A estimativa é da coordenadora da Central de Transplantes do Estado, Leny Passos.

Isabel conta que Vitor Hugo sempre levou uma vida saudável e nunca apresentou qualquer sintoma de um aneurisma cerebral. Depois de retornar de uma viagem de férias com a família, no início do ano, tudo continuava, aparentemente, normal com a saúde do menino. Isabel lembra que era evidente a alegria do filho por ter viajado com a família.

“No dia 14 de fevereiro, numa quinta-feira, ele acordou por volta de 5h30. Tinha dormido bem na noite anterior e não havia reclamado de nada. Entrei no quarto dele, dei bom dia, me respondeu e foi pro banheiro tomar banho. Enquanto isso, fui pra cozinha preparar o café”.

Isabel ouviu um forte barulho vindo da banheiro e se deparou com o filho desmaiado, sem saber o motivo. “Pedi ajuda dos vizinhos e fizemos massagem no peito dele achando que era um problema no coração”.

Vitor Hugo foi levado para a sala de reanimação e depois entubado no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto. Logo em seguida, a tomografia confirmou que ele havia sofrido um aneurisma fulminante e não tinha mais função cerebral.

Chegou a ser transferido para o Hospital e Pronto-Socorro Dr. João Lúcio por onde passaria por uma bateria de exames. “Na sexta-feira, fui pra casa e senti a necessidade de dormir no quarto dele. No sábado, acordei e a palavra ‘doa’ me vinha a todo momento na mente e eu não entendia o quê. Achava que tinha que doar as coisas do quarto dele. Fui pro hospital, com uma angústia, e por volta de 12h o médico me disse que meu filho tinha falecido”, contou Isabel.

Foi ela quem decidiu doar os órgãos do filho. Decisão que foi aceita pela família. “Fizemos a nossa parte. Com certeza, se a decisão estivesse nas mãos dele, também tomaria a mesma atitude. Ajudamos outras famílias a pararem de sofrer, e hoje não me arrependo e me sinto muito bem por ter feito isso”.

Ela conta que o sentimento de amor ao próximo sempre foi demonstrado pelo filho. Foi o que a levou tomar tal decisão, pois nunca havia conversado com ele sobre doação de órgãos. “A saudade é muito grande, mas é gratificante saber que hoje tem pessoas que ganharam outra vida, que estão tendo outra oportunidade porque receberam os órgãos do meu filho. Eu acredito que ele cumpriu a missão dele. O que me conforta é saber que tem outras famílias vivendo uma vida melhor”, falou emocionada.

Os dois receptores dos rins de Vitor Hugo são de outras cidades fora do Amazonas, e as córneas foram transplantadas em Manaus.

Rins param e mudam Ebenezer

O auxiliar administrativo Ebenezer Rodrigues Sales Junior, 41, precisou parar de exercer a profissão depois que começou a fazer hemodiálise três vezes por semana em 2010.

A doença renal foi diagnosticada depois que percebeu que a urina vinha avermelhada. “Fui em cinco médicos e todos me diziam que precisava fazer a hemodiálise”.

Cinco meses depois, Ebenezer viu que precisava começar o tratamento por conta de policistos nos rins. Enquanto isso, entrava na fila de espera para receber um rim. “Pensei que passaria o resto da vida precisando fazer hemodiálise e tinha medo de morrer ali”, desabafou.

Durante um ano e meio ficou fazendo hemodiálise. Segundo o Ministério da Saúde, as doenças renais atingem 10 milhões de brasileiros e muitos estão na fila pelo transplante.

“Precisei retirar os dois rins. Recebi um rim de um doador falecido há um ano. Ganhei uma nova chance de viver”, disse Enbenezer.

Hoje ele é voluntário num grupo de teatro do hospital onde fazia a hemodiálise e onde recebeu o rim. Ebenezer atua em peças sobre a questão da doação de órgãos.

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