Domingo, 15 de Setembro de 2019
AÇAÍ

Preparo do açaí sem higiene é causa de Doença de Chagas, alerta FVS

A questão foi levantada em função dos sete casos de doença de Chagas registrados em Lábrea. Investigações concluíram que a doença foi transmitida por meio da ingestão de suco de açaí contaminado



a_ai.JPG O açaí não pode ser visto como vilão, no caso de transmissão de doença de Chagas (Fotos: Jair Araújo)
11/01/2018 às 08:54

O açaí não pode ser visto como vilão no caso de transmissão de Doença de Chagas. O diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), Bernardino Albuquerque, afirmou que não é o produto que está suscetível à contaminação, e sim, o modo como ele é preparado. Sendo assim, a população deve manter-se atenta aos cuidados básicos de higiene na hora da compra, preparação, conservação e consumo do alimento.

A questão foi levantada em função dos sete casos de Doença de Chagas registrados em Lábrea (a 702 quilômetros de Manaus). As investigações concluíram que a doença foi transmitida por meio da ingestão de suco de açaí contaminado. Isso porque, de acordo com a FVS-AM, todas as pessoas infectadas pertencem ao mesmo núcleo familiar e disseram ter ingerido o alimento. Aquelas que não tomaram o suco do açaí não apresentaram nenhum sintoma.

A notícia deixou algumas pessoas de “cabelo em pé” em Manaus. Conforme o vendedor de açaí Ewerton Dantas, 20, tem gente que chegou a perguntar se o açaí que ele prepara veio de Lábrea.

“A informação influencia as pessoas, mas como a maioria dos nossos clientes é fixa, conhece o nosso trabalho, não atrapalha as vendas. E como também eles veem a gente preparando na hora, tomando todos os cuidados, a desconfiança desaparece”, afirmou.

A família do vendedor de açaí Eduardo da Silva, 17, trabalha com o produto há mais de 40 anos e ele destaca que a preparação do suco de açaí é sempre uma preocupação. “O açaí vem dentro de sacos, principalmente de Codajás (município a 240 quilômetros de Manaus), quando chega nós colocamos os caroços em água morna para amolecer, depois lavamos no mínimo duas vezes para tirar toda a sujeira e só após isso levamos para a máquina”, contou.

A doméstica Eulália Melo dos Santos, 73, consumidora assídua de açaí, disse que nunca se apavora quando fica sabendo que alguém pegou a Doença de Chagas por consumir o produto.

Primeiro, conforme ela, porque acontece mais no interior e, segundo, porque sempre compra açaí no lugar de confiança. “Há 40 anos compro açaí na venda da família do Eduardo e nunca tive nenhum problema. Sei que eles trabalham bem por isso não me preocupo”, afirmou.

O agente de endemias Elismar Soares, 40, é outro que procura comprar açaí sempre no mesmo lugar, onde conhece o trabalho das pessoas que preparam o suco. Ele salientou que o ideal também é comprar com vendedores que fazem na hora o suco do açaí porque dá  para acompanhar o processo de preparação.

“Comprar açaí onde você desconhece a procedência pode não ser uma boa ideia, pois ninguém sabe como ele foi preparado”, destacou.

Registros não afetam aprodução

Os casos de Doença de Chagas, vinculados comprovadamente ao consumo de açaí, não influenciam em absolutamente nada na produção do fruto no Amazonas, de acordo com a Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror). Isso porque tais ocorrências são pontuais e o problema nesse caso não diz respeito à forma como é produzido o açaí, mas como o mesmo é acondicionado e posteriormente processado. 

A pasta informou ainda que a maioria do açaí processado no Amazonas é feita em pequenas usinas e nem sempre as regras de segurança e higiene são respeitadas e isso leva, esporadicamente, a problemas como o ocorrido em Lábrea.

Pacientes acompanhados

Dos sete pacientes confirmados com a Doença de Chagas no Amazonas este ano, quatro estão fazendo acompanhamento ambulatorial. Eles têm passado por consultas no Hospital Universitário Francisca Mendes (HUFM) e na Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).

Outros dois estão fazendo acompanhamento em Lábrea (a 702 quilômetros de Manaus). Apenas uma criança está internada na FMT, mas o estado de saúde é considerado estável. A internação foi uma determinação dos médicos por se tratar de uma criança. As informações são da Secretaria de Estado de Saúde (Susam).

Outras frutas, carne e leite podem contaminar

Segundo a  FVS, outros alimentos podem estar envolvidos na transmissão oral do parasita (T. Cruzi) vetor da doença. São exemplos: frutas, outros vegetais e as suas preparações, como suco de cana de açúcar, patauá, buriti, bacaba, carne crua, sangue de mamíferos silvestres e leite cru.

Em números

1.626.767,3 sacas de 50 quilos de açaí foram produzidas entre os meses de janeiro e setembro de 2017, no Amazonas.O volume é maior do que o obtido em todo o ano de 2016, quando foram 1.590.881 sacas.


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