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Cotidiano
Número pode aumentar

Doenças cardiovasculares fazem 300 mil vítimas por ano no Brasil

Uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que em 2024 o Brasil deve subir para a primeira posição no ranking de mortes cardiovasculares 29/05/2016 às 11:01
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'Doenças do coração' também causam os maiores custos com relação a internações hospitalares (Foto: Winnetou Almeida/Arquivo)
Luana Carvalho Manaus (AM)

As doenças cardiovasculares ainda são a principal causa de morte no Brasil. De acordo com a última Pesquisa Nacional da Saúde (PNS), essas doenças também causam os maiores custos com relação a internações hospitalares. Por ano, 300 mil pessoas são vítimas de infarto, derrame, insuficiência cardíaca e angina. A tendência, segundo especialistas, é que este número aumente ainda mais.   

Foi com base neste novo perfil demográfico que a Secretaria de Estado  de Saúde (Susam), para reduzir os custos com a saúde pública, apontou a necessidade de reforçar a oferta de serviços ambulatoriais voltado para a faixa etária adulta, extinguindo os Centros de Atendimento Integral à Criança e aos Idosos (Caics e Camis) e alguns Serviços de Pronto Atendimentos (SPAs), considerando, “sobretudo  o aumento das doenças crônicas como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares”. 

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a expectativa de vida do brasileiro, hoje com 75,2 anos, aumentou bastante em relação ao século passado, quando viviam até no máximo  40 anos.  Mas, ainda assim,  70% das causas de morte no Brasil estão relacionadas às doenças crônicas e cardiovasculares.

O cardiologista e diretor de Relacionamento com o Mercado do Laboratório Sabin, Anderson Rodrigues, relaciona o problema ao conceito de ‘cultura hospitalocêntrico’, ou seja,  os cuidados da saúde em hospitais, uma remediação com a doença já instalada, ao invés de utilizarem a forma de prevenção primária.

 “As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil e no mundo. Apesar de toda a informação de hoje, tanto os governantes e profissionais da saúde, quanto a população, não estão se preparando para esse envelhecimento. Se a tendência é que a população brasileira envelheça ainda mais, tinham que criar políticas voltadas para isso. Mas o Brasil caminha para tratar as consequências, com uma cultura que prima pelo tratamento e internação quando a doença já está estabelecida, ao invés de criar políticas de prevenção”.

Uma pesquisa feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS), confirma a análise do especialista: Em 2024, o Brasil deve subir para a primeira posição no ranking de mortes cardiovasculares no mundo. Um aumento de quase 250% se comparado aos anos 2000. “Nós não estamos fazendo a lição de casa e isso vai implicar em uma catástrofe cardiovascular”.

Dentre os fatores de risco para as doenças, o cardiologista destaca o tabagismo, consumo abusivo de álcool, sedentarismo, colesterol alterado, estresse, sobrepeso, pressão alta e consumo de alimentos com alto teor de gordura. Outros sintomas que não são muito citados, mas que também são fatores de risco, é a depressão, histórico familiar de infarto/derrame, poluição do ar (que pode causar aumento de arritmia) e doença periodontal. “Foi provado que quem tem quem muitos problemas dentários, são pessoas que mais têm entupimento das coronárias”, explica.

Anderson ressalta, ainda, que esses fatores de risco são os “gatilhos” para as doenças crônicas degenerativas. “Se não cuidar  e se alertar para esses fatores, se não prevenir, as chances de infarto e derrame são muito maiores”, frisa.

Como evitar os riscos de infarto

O cardiologista Anderson Rodrigues recomenda que, além de se manter ativo, praticar atividades físicas e ter uma alimentação balanceada, o paciente faça exames rotineiramente, a fim de evitar os riscos de infarto. “Muitas pessoas perguntam pelo sintomas, mas isso é muito abstrato. Os sintomas se baseiam em várias coisas e alguns pacientes vão apresentar sinais que o médico vai perceber, outros só ficam sabendo através de exames laboratoriais que finalizam para um risco de infarto”. 

Entre as centenas de exames disponíveis, o médico cita PCR-Us (proteína C-reativa de alta sensibilidade), que  é um teste de análise quantitativa de níveis muito baixos de proteína C-reativa  no sangue, visto que a metade de ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais ocorrem em pacientes possuem altos níveis de gordura no sangue, ou colesterol alto.  “O colesterol elevado é um sinal de alerta que merece uma atenção”, alerta. 

Uns dos sinais clínicos de pacientes que podem estar com colesterol alto são a xantelasmas e arco corneano, uma espécie de gordura que aparece nos olhos, cutuvelo ou joelhos. “O primeiro sinal de entupimento já pode levar a um infarto. Existem pacientes que chegam com queixas de dor no peito, no braço esquedo, na mandíbula, alguns se queixam de cansaço ou angina, suadeira e vontade de vomitar. Mas outros não. O diabético, por exemplo, infarta sem sintomas. Por isso, não é recomendado ficar esperando ter algum desses sintomas, pois tempo é “músculo”, demorou um poquinho pra procurar o médico, o músculo já pode infartar”, adverte.
 
Por isso, o médico recomenda que a a pessoa seja pró-ativa, busque seus fatores de risco antes que o pior aconteça e, principalmente, ficando alerta para a circunferência abdominal, controlar o estresse, parar de fumar e reduzir a ingestão de bebidas álcoolicas. “O conselho é sempre que a pessoa busque uma melhor qualidade de vida. Pois não adianta nada a expectativa de vida aumentar, se esta pessoa irá envelhecer com doenças carciovasculares e nem nenhuma qualidade de vida”

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