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Dólar supera os R$ 4 em cotação mais alta desde a criação do Plano real, em 1994

Marca histórica foi atingida em meio a preocupações. Investidores estão apreensivos com votação no Congresso dos vetos de Dilma para tentar reajustar as contas públicas 22/09/2015 às 09:58
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Apesar da intervenção do Banco Central, a moeda norte-americana bateu recorde
Agências São Paulo

A cotação do dólar na manhã de hoje (22) alcançou R$ 4 e é a mais alta desde a criação do Plano Real, em 1994. Às 9h20, a cotação estava em R$ 4,0264. Ontem, apesar da intervenção do Banco Central (BC), a moeda norte-americana fechou o dia com alta de 0,57%, vendido a R$ 3,981. O recorde para o fechamento da moeda ocorreu em 10 outubro de 2002, quando o dólar fechou o dia cotado em R$ 3,99.

Ontem (21), além de vender dólares no mercado futuro, por meio da rolagem (renovação) dos leilões de swap cambial, o Banco Central ofertou US$ 3 bilhões por meio de um leilão de venda com compromisso de recompra. Nessa modalidade, o BC vende dólares das reservas internacionais, mas adquire a divisa de volta algum tempo depois.

Para hoje, embora o BC não tenha anunciado, até o momento, novo leilão de venda com compromisso de recompra, a instituição fará mais um leilão de rolagem de swap cambial. A cotação da moeda não tem caído nos últimos dias, apesar de o Federal Reserve (Fed), o Banco Central norte-americano, ter adiado o aumento da taxa básica de juros da maior economia do planeta, na reunião da última quinta-feira (17).

Desde o fim de 2008, os juros nos Estados Unidos estão entre 0% e 0,25% ao ano. Na época, o Fed cortou a taxa para estimular a economia americana em meio à crise no crédito imobiliário. A última elevação de juros nos EUA ocorreu em 2006.

Juros mais altos atraem capital para os títulos públicos americanos, considerados a aplicação mais segura do mundo. Os investidores retiram recursos de países emergentes, como o Brasil, pressionando a cotação do dólar.

Apreensão de investidores

A possibilidade de os juros subirem nos Estados Unidos ainda neste ano e a votação de vetos da presidente Dilma Rousseff no Congresso Nacional estão deixando os investidores apreensivos. “Essas dificuldades que o governo enfrenta no Congresso deixam o país quase ingovernável do ponto de vista fiscal”, disse o operador da corretora SLW, João Paulo de Gracia Correa. As preocupações seguiam fortes mesmo após o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, defender que esse veto deve ser mantido.

Investidores temem, sobretudo, que o Congresso derrube o veto ao reajuste dos servidores do Judiciário, dificultando ainda mais o reajuste das contas públicas e alimentando apostas de que o país pode perder o selo de bom pagador por outras agências de classificação de risco além da Standard & Poor's.

O panorama externo tampouco ajudava o ânimo dos investidores. O dólar subia globalmente após declarações de uma série de integrantes do Federal Reserve, banco central norte-americano, ressaltarem que podem dar início ao aperto monetário ainda neste ano, após postergar na semana passada esse movimento em meio a preocupações com a economia global.

O salto da moeda dos EUA alimentava nas mesas de câmbio que o Banco Central pode ampliar ainda mais sua intervenção, uma vez que cotações mais altas tendem a pressionar a inflação.

“(Resta) ao BC achar alguma saída para conter a desvalorização do real, pois leilão de linha não faz mais preço”, escreveu o operador da corretora Correparti, em nota a clientes, Guilherme França Esquelbek. O BC dará continuidade à rolagem dos swaps cambiais que vencem em outubro, com oferta de até 9,45 mil contratos, equivalentes a venda futura de dólares.

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