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Cotidiano
CRIME

Caderneta de Saúde da Criança é vendida ilegalmente por R$50

Há um ano, o documento está em falta nas maternidades de Manaus 12/03/2017 às 05:00
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A Caderneta de Saúde da Criança contém o histórico de saúde de 0 a 9 anos
Lídia Ferreira Manaus (AM)

Em falta há um ano em Manaus, a Caderneta de Saúde da Criança está à venda ilegalmente pela Internet ao valor de R$ 50. O documento, considerado o mais importante por conter o histórico de saúde da criança do nascimento até os 9 anos, deve ser distribuído gratuitamente  pelo Ministério da Saúde por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).

A administradora Neila Oliveira saiu da maternidade com uma caderneta improvisada após o nascimento da filha Maria Isis, há três meses. O documento contém apenas a capa original e dentro uma folha em um word impressa com parte de informações para anotar as informações apenas das vacinas. Na original, com 96 folhas, há informações como peso, altura,  diagnósticos, resultados de exames, entre outros detalhes. “É um absurdo isso, um descaso com a saúde das crianças. Essa caderneta é um documento importante. Não é só uma exigência do médico, ele serve para a vida toda”, ressalta. Ao longo desses meses, a Neila Oliveira procurou em hospitais particulares, nas maternidades Ana Braga, Balbina Mestrinho e nos postos de saúde e não encontrou o documento. “Quando eu conseguir, vou ter que ir em todos os lugares que ela já se vacinou, por exemplo, para carimbar tudo de novo. É muito trabalho e ainda corre o risco de você perder alguns desses comprovantes que estão soltos”, afirma.

A enfermeira Tatiane Borges complementa a “versão reduzida” do filho mais novo com a ajuda da caderneta do filho mais velho. “A falta é tanto em maternidade pública quanto em particular. Sou da área da Saúde, tentei com algumas colegas e não consegui. Todos falam que está em falta há praticamente um ano”, conta. De acordo com ela, tem pessoas que tiram cópia e colocam a venda por R$40 a R$50. “Na internet você encontra o pdf para imprimir, mas sai muito caro para um pai e uma mãe pagar a versão impressa que vai durar. A versão virtual é para ser pesquisada e não comercializada”, diz.  “É dever do Governo Federal dá essa caderneta para gente. A minha médica está fazendo o controle no prontuário, mas fica só com ela”, completa. 
O A CRITICA encontrou anúncios de venda em grupos de mães na rede social Facebook. Um dos anúncios é da Gráfica Freire. A reportagem tentou contato com o responsável pela  empresa, mas o endereço divulgado estava errado e o telefone ninguém atendeu. 
 

Para vida toda
O médico pediatra Kadu Nazareth reforça que a Caderneta da Criança  “é um documento para vida toda, imprescindível para o acompanhamento do desenvolvimento infantil e do histórico de saúde da pessoa até a fase adulta. Cada etapa, desde o nascimento, está contido nela”, diz. Segundo ele, a caderneta funciona como um documento oficial por comprovar os tratamentos, vacinas e evoluções da criança ao longo da vida. Além disso, há orientações científicas para os pais. “Ela é muito importante, é um guia para os pais. Minha filha, inclusive, precisou apresentar a dela na lista de documento para se matricular em uma faculdade no exterior, para se ter uma ideia da importância da caderneta”, diz. Algumas empresas exigem o documento para emitir licença maternidade e incluir dependentes, por exemplo. “Infelizmente as mães acabam comprando porque querem resolver o problema. Acaba sendo a única solução”, completa. 
 

Em licitação
Em nota, a Semsa informou que “O Ministério (da Saúde) não vem cumprindo com essa obrigatoriedade há mais de 1 ano”.   A secretaria ressaltou ainda que tentou amenizar a situação com a elaboração de  “uma carteira de vacina simplificada em quantidade suficiente, para que a história vacinal da criança possa estar devidamente registrada e que está à disposição nas maternidades de Manaus”, diz a nota. Apenas as maternidades recebem a distribuição das Cadernetas de Saúde.
Em nota, o Ministério da Saúde reforçou que a comercialização das Cadernetas da Saúde é ilegal e informou que “a impressão das novas cadernetas está em fase final de processo licitatório. Independentemente disso, é permitido às secretarias estaduais e municipais de saúde a impressão e distribuição das cadernetas à população”, diz a nota. O Ministério  ainda disponibiliza para a população um aplicativo para uso por smartphones e tablets contendo informações sobre vacinação.  
 

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