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Partidos de esquerda ensaiam frente ampla para eleição de outubro no Amazonas

Dirigentes e parlamentares de partidos de esquerda, no Amazonas, estudam, nos bastidores, a formação de uma ampla coligação para disputar o governo do Estado 25/02/2018 às 08:22
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As legendas marcharam isoladamente na corrida para governo ou como coadjuvantes em chapas majoritárias. Arte: A Crítica
Camila Pereira Manaus (AM)

Há cinco meses das convenções para a escolha dos candidatos que irão disputar as eleições gerais, partidos historicamente de esquerda negociam alianças para a construção de uma frente ampla para disputar o governo do Amazonas, diferente do que ocorreu nos últimos pleitos, quando as legendas marcharam isoladamente na corrida para governo ou como coadjuvantes em chapas majoritárias. 

Nas eleições para o governo de 2014, no primeiro turno, PSol, PMN, PSTU, PCB e PSB disputaram em chapas puro sangue. PT e PCdoB fizeram parte do arco de aliança de Eduardo Braga (PMDB), que formava chapa com Rebecca Garcia (PP). 

No pleito suplementar, realizado no ano passado, PT esteve sozinho, a Rede formou aliança com o Psol, o PSB ficou com o PMN.  PCdoB marcou presença novamente no apoio a Braga. Enquanto o PSTU e PCB não fizeram parte da disputa.

Atualmente, líderes desses partidos garantem que há diálogo entre PCdoB, PT e PSB. Na outra ponta, legendas como Rede e Psol conversam entre si, a exemplo do que aconteceu na eleição suplementar de 2017. Esse quadro também leva em consideração o cenário nacional com a possível candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que não é bem vista por Psol e Rede.

Para o presidente estadual do PCdoB, Eron Bezerra, o agrupamento das siglas deve ocorrer na fase de convenções. “É normal que nessa fase não haja ainda nenhum tipo de acordo, aliança formal. Mas é uma tendência natural que isso ocorra, por ser uma exigência da realidade”, afirmou.

Ele avaliou que é "natura" que os partidos encontrem convergência principalmente para atuar em defesa do trabalhador. “Se não juntarmos o nosso pessoal contra essas pautas, não poderemos ser levados a sério pela população, por isso o nosso objetivo central é esse. Não tenho dúvidas que vamos conseguir fazer isso. Dificuldades terão na política. Mas é uma exigência dos dias de hoje. As convenções serão de 20 de julho a 5 de agosto. Até lá vamos conseguir resolver isso”, apostou.

A presidente estadual do Psol, Pedrinha Lasmar, afirmou que a esquerda precisa ser fortalecida novamente. “Hoje, poucos são os partidos de esquerda. A única alternativa é o Psol. PSTU perdeu força, o PCB perdeu também. Estamos com poucas opções”, enfatizou. 

Questionada se seria possível uma aliança com o PT, por exemplo, Pedrinha destacou que não foi procurada pela sigla para nenhuma conversa. 

Oposição

Dentro do PT, fala-se da composição de uma frente ampla de oposição que incluem nomes como Luiz Castro (Rede), Serafim Corrêa (PSB) e Chico Preto (PMN). No entanto, nada foi formalizado. O PDT indica o nome de Amazonino Mendes para disputar a reeleição.

O presidente estadual do PDT, Hissa Abrahão, destacou que a formação desta frente é precipitada. “É prematuro fazer qualquer avaliação sobre a atuação e dizer que vai fazer oposição por oposição. O PT é muito maior que isso”.

Blog: Erick Nogueira, um dos porta-vozes da Rede no Amazonas

“A Rede não se classifica nestes termos de esquerda. Estamos no campo progressista. Partidos como PT, PCdoB e Psol também têm pensamento progressista. No entanto, diferenças ideológicas fazem com que haja essa separação dentro desse campo. Principalmente porque PT e PCdoB continuam com pensamentos divergentes do nosso. A Rede tem dialogado com o Psol, parceiro em 2017, e com o PMN, parceiro em 2016. Cegamente, o PT defende a candidatura do Lula, que está condenado. Podemos conversar, mas devido à visão cega é quase impossível, apesar de termos muitas coisas em comum”.

Serafim Corrêa: ‘Não tem partido da esquerda fazendo parte do governo’

O deputado estadual Serafim Corrêa (PSB) confirmou que existem conversas entre o seu partido, o PCdoB e o PT e assegurou que há uma boa relação entre eles. “Cada um tem o seu modo específico de ver as coisas. Mas todos nós temos preocupação de encontrar caminhos para o Amazonas, que tem patinado. Precisa aprofundar a transparência e melhorar a gestão”, afirmou Corrêa. 

O parlamentar disse estar confiante que os partidos de esquerda possam construir uma unidade para enfrentar a candidatura à reeleição de Amazonino. “Nós do PSB entendemos que não tem nenhum partido da esquerda fazendo parte do governo Amazonino (Mendes). Já formamos um bloco, querendo ou não. Mas temos que construir em torno do que nos une. Cada um colocará a sua agenda, o que vamos propor à sociedade. A partir daí colocamos nomes. Quem pode somar mais. Aí existirão divergências, mas depois convergência. Primeiro as ideias, depois os nomes”, destacou. 

Serafim Corrêa explica que no início do próximo mês haverá um congresso do PSB. “Vamos eleger a nova direção. No momento seguinte, caberá ao diretório eleito, traçar as diretrizes. Teremos que definir se teremos candidatura própria ou se teremos aliança”, frisou. “Tradicionalmente, o partido libera os estados para conversar, construir caminhos. Vamos procurar fazer aqui, com partidos que não estão alinhados com o governo estadual”.

Deputado defende bloco de oposição

Para o deputado estadual José Ricardo (PT), o fortalecimento da esquerda só seria possível com a formação de um bloco de oposição para as eleições gerais que serão realizadas este ano. Nas últimas eleições para o governo, o Partido dos Trabalhadores andou sozinho.

“O ideal seria termos essa união para ter uma candidatura majoritária e logicamente para outros cargos, porque no Amazonas temos que fazer uma grande mudança”, considerou o parlamentar.

José Ricardo considera que a aliança com os demais partidos possa ser possível. “Por enquanto, não temos nenhuma dificuldade, porque nada fechou ainda, ainda temos prazos. Muitos políticos estão esperando a janela partidária em março, para saber o que vai acontecer. Há partidos conversando com vistas alianças”, avaliou. “Acho que fazer alianças é possível. Embora, a gente defenda que o partido lance candidatura inclusive para o governo. Muita gente defende o nome próprio”. 

Para formar essa frente, José Ricardo destaca nomes que poderiam compor a aliança, mas pautados em cima de um plano de governo a ser elaborado posteriormente. 

“Se formos analisar em cada partido, temos nomes de competência. Luiz Castro é um nome que está dedicado ao trabalho, PCdoB, PSol, nomes citados que dependendo de apoios políticos. Marcelo (Ramos - PR) que já foi candidato, o David Almeida (PSD) se coloca agora. O próprio Serafim Correa (PSB). Nomes com experiência administrativa”, destacou o deputado estadual.

PT já têm pré-candidato ao governo

Na última semana, o Partido dos Trabalhadores (PT) durante reunião do diretório apontou o nome do ex-deputado federal Francisco Praciano (PT) para concorrer ao governo. No entanto, o presidente estadual da sigla, Sinésio Campos (PT) ressaltou que os nomes que representarão o partido ainda não foram definidos, o que só deve acontecer em abril ou maio.

“Anteriormente, discutimos o nome de Praciano para o Senado, ainda no ano passado. Agora não sei se ele vai. Ainda não temos time escalado. Temos quadros. Onde cada um estará disputando, o PT irá discutir. Também parte do PT nacional. Podemos ter candidatura própria, mas não tem nenhuma decisão”, afirmou Campos.

Nos bastidores, a informação é que a pretensão de Praciano ainda é disputar o Senado. 

Sinésio Campos afirmou que os nomes serão apresentados obedecendo calendário próprio. “Se tiver mais de um candidato (dentro do partido), teremos prévias. Outro caminho que se discute é uma candidatura fora do partido, para o governo. O que estamos fazendo agora é dialogar com os partidos. O PT está aberto para discussão e não estão em pauta os nomes, mas um programa de governo que possa contemplar o que pensamos”, assegurou o deputado.

Questionado se uma possível montagem de um palanque eleitoral para Lula acabaria por atrapalhar as conversas, Sinésio foi incisivo. “O PT já decidiu que o candidato para a presidência da República é o Lula. Isso já tá definido. Temos um candidato. Quem quiser coligar, coliga”, afirmou.

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