Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
PREOCUPAÇÃO

Donos de embarcações investem em segurança tecnológica e armada no AM

Ação de piratas nos rios do Amazonas obrigou os donos de embarcações a contratarem seguranças armados e a investir em tecnologia, como câmeras de monitoramento



agora_agorinha_barco_6EADC5C9-5A0F-4FF2-9F79-F9AC97DEA40E.JPG Foto: Junio Matos/Freelancer
13/07/2019 às 18:44

A insegurança nos rios da Amazônia por ação de piratas ocasiona alterações no transporte aquaviário. Com a frequência dos ataques, trabalhadores de barcos de recreio, que transportam pessoas e cargas, optam por contratar segurança armada e investir em tecnologia, através de câmeras de segurança para evitar ou mitigar a ocorrência de assaltos.

Dos 62 municípios do Amazonas, em 19 o acesso às comunidades e a área urbana da cidade se dá exclusivamente por barcos de pequeno e médio porte e grandes embarcações.

A reportagem de A CRÍTICA esteve no porto público de Manaus e no porto da Manaus Moderna, nas balsas coloridas, no Centro, e ouviu relatos de donos de embarcação e comandantes cada vez mais inseguros e receosos com os perigos constantes nas águas da Amazônia.

 Depoimento

O proprietário do barco Manoel Monteiro, com destino a Japurá, Wanderson Souza, de 35 anos, conta que há dois meses quando estava se aproximando do município de Coari uma lancha de piratas tentou  encostar na embarcação e abordar os tripulantes e passageiros. “Imediatamente ligamos todas as luzes e ficamos a postos. Ando com uma caixa de foguete 19 tiros e é um modo de repreender, mirar e lançar neles. É a única coisa que podemos fazer para nos defender já que não pode andar armado. Hoje, ando com segurança armado. Tive que contratar porque já fui alvo de piratas”, disse.

Zona de risco

De acordo com tripulantes, os ataques dos piratas costumam ocorrer na ‘Boca do Jacaré’, área localizada na zona rural de Manacapuru, no trecho entre os municípios de Codajás e Coari (na região conhecida como Laranjal) e Coari e Tefé, no Rio Solimões. Nessas áreas não funciona comunicação telefônica, operando apenas pelos rádios de comunicação naútica.

“Quando tem um assalto, o barco já avisa e os companheiros ficam esperto. À noite também, os barcos que estão mais à frente comunicam a passagem de lanchas. Aqui na minha embarcação tem 48 câmeras filmadoras. Quando aconteceu o ataque: assaltou, levou e não adianta reclamar. É por isso que ninguém vai fazer boletim de ocorrência”, declarou o dono do barco José Lemos Izaias Cintra, de 38 anos. Ele e o irmão, também atua com navegação fluvial, possuem armamento legalizado e realizam a segurança do barco.

Práticas adotadas

Com o perigo constante, impera nos rios a cautela em não conceder carona para populações na beirada dos rios ou até mesmo permitir a aproximação de pequenas embarcações.

“A embarcação somente atraca nos portos da cidade já definidos. Não reduzimos a velocidade em hipótese alguma e não é dado carona para não ter o perigo de alguém que embarcar cometer um assalto ou uma agressão aos passageiros ou tripulantes’, relatou Domingos Pinho Mafra, de 56 anos, comandante do barco M Monteiro, com destino a cidade de Tabatinga, no Alto Solimões.

“Nos rios é Deus por nós”

Sandro Batista Ribeiro, de 38 anos, atua há mais de 20 anos com recreio nos rios da Amazônia. Ele é proprietário do Barco Natal, com destino ao município de  Juruá, e conta com pessoas capacitadas  e tripulação armada para garantir a segurança dos passageiros e das cargas.

“Impera nos rios a insegurança. Nos rios é Deus por nós. Já precisei mudar de horários e também adoto algumas medidas de segurança. À noite é mais perigosa e precisamos ter mais responsabilidade e cautela.Todas as pessoas que contrato são conhecedoras dos rios da Amazônia“, disse.

Blog

Romicley Chaves - comandante do barco Portela Pinheiro

“Eu já fui assaltado por piratas no porto de Coari. Há um ano, estávamos no porto e os piratas chegaram encostando o bote do lado do barco, subiram e meteram a arma na minha cabeça durante cinco minutos.  Eles queriam algo de valor e levaram o  bote, celulares e  tablete. Com dinheiro já não andamos. Você não pode reagir e nem procurar a quem se defender. Não tem policiamento nos rios. É só rezando para não ‘topar’com eles. Difícil querer competir com um pirata que usa um fuzil. Infelizmente, as ações de piratas são frequentes e corriqueiras”.

Vários órgãos fiscalizam

A assessoria de imprensa da Marinha do Brasil, através do Comando do 9º Distrito Naval (Com9ºDN), informou, por meio de nota, que fiscaliza o cumprimento das normas que garantem uma navegação sem acidentes, a salvaguarda da vida humana e a prevenção da poluição hídrica nos rios da Amazônia.

“A MB, por meio das Organizações Militares subordinadas ao Com9ºDN, atua nos rios da Amazônia Ocidental cumprindo suas atribuições, de acordo com a Lei Complementar n.º 97/1999”, diz a nota.

Segundo a asssessoria, entre os municípios de Coari e Tefé, a Marinha é representada pela Agência Fluvial de Tefé, subordinada à Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental e na região do Alto Solimões é representada pela Capitania Fluvial de Tabatinga, subordinada diretamente ao Com9ºDN, ambas realizam ações voltadas à segurança da navegação e à salvaguarda da vida humana nos rios.

A Marinha explicou que as fiscalizações realizadas pelas Capitanias, Delegacia e Agências Fluviais acontecem diariamente. A fiscalização abrange a área portuária, praias e as calhas dos rios, onde haja tráfego de embarcações e obras às margens, sob e sobre os rios.

A Secretária de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informou, por meio de nota, que a  Polícia Militar tem feito patrulhamentos em rios do Amazonas e operações têm sido deflagradas para reforçar o combate à criminalidade. "Em Coari, por exemplo, as operações integradas para o combate ao narcotráfico e o patrulhamento de rotina resultaram na redução da criminalidade na cidade", diz a nota.

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