Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2020
SAÚDE

Conheça o aparelho CPAP, que combate efetivamente a apneia do sono

De acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de 50% da população brasileira se queixa de qualidade de sono ruim e 33% sofre de apneia do sono



zVIDA0611-2F.JPG (Fotos: Antônio Lima)
11/06/2017 às 05:00

O sono é um momento de tranquilidade, onde o corpo repousa suavemente após um dia de trabalho e movimentos físicos. Para muitos, a sensação é de descanso e reposição de forças e preparação do organismo para o dia seguinte, porém, para alguns, esse momento pode se tornar um verdadeiro pesadelo acordado.

O advogado Almir Braga, 66, fazia parte dos 33% de brasileiros, que, segundo o Ministério da Saúde, sofrem de apneia do sono, distúrbio potencialmente grave em que a pessoa para de respirar, por alguns segundos, diversas vezes durante a noite.



Pessoas com apneia obstrutiva do sono podem, inclusive, não estar cientes de que têm o problema. Almir era uma dessas pessoas e, para ele, o agravamento do ronco trouxe como consequência a apneia grave. “Para a maioria das pessoas, não há a preocupação em resolver o problema do ronco. Acham normal, e não é”, explica.

Ele conta que, durante exames de rotina que realizou no Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, detectaram a apneia. “Fiz uma polissonografia e ficou constatado que eu tinha uma apneia grave. Achava que dormia bem, não acordava cansado, mas não sabia que esse problema estava prejudicando a minha saúde”, afirma. Almir ressalta que, muitas vezes, a questão do sono é ignorada em exames de check-up. “Vamos num cardiologista e, dificilmente, perguntam se você ronca. Acho importante tratar do ronco”, complementa.

Marconis Baçal, 53, também era outra vítima da apneia. No caso dele, a esposa começou a manifestar a insônia, e Marconis achava que o problema estava com ela. “Eu roncava e pensava que isso era normal. Eu tinha paradas respiratórias. Fui numa clínica especializada em sono e fiz a polissonografia”, conta.

De acordo com Marconis, foi constatado que ele tinha cerca de 270 paradas respiratória numa média de seis horas de sono. “Consegui entender que eu não dormia, acordava estressado, mal-humorado, com sono durante o dia, não conseguia emagrecer”, explica.

Solução

Tanto Almir, quando Marconis procuraram auxílio na clínica Sonoar (rua Dr. Thomas, 115, Sala 06 Vieiralves - Nossa Sra das Graças) e foram consultados com as fisioterapeutas do sono Luciane Andrade e Renata Mansur.

Após os exames e ajustes, os pacientes passaram a utilizar um aparelho da linha CPAP, sigla em inglês para “Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas”. É o método mais recomendado para o tratamento de distúrbios respiratórios como ronco e apneia obstrutiva do sono.

Almir chegou ao consultório com 57 apneias por hora e já na primeira semana de uso, o número baixou pra 8. “Um simples aparelho que faz com que sua vida seja melhor. Melhorou minha qualidade do sono, humor, memória, disposição e até a pressão ocular", conta o advogado. Atualmente, dois anos após o início do tratamento com o CPAP, o número de apneias do paciente baixou para menos de uma, por hora.

No caso de Marconis, a situação era mais grave. “Me indicaram a Sonoar, e fiz um teste com o aparelho e minha apneia caiu de  270 por hora para seis, e o normal é cinco para uma pessoa normal”, relata. “Hoje acordo descansado, recuperado, tenho 0,3 apneias por hora de sono, mais saudável que pessoas normais que não usam o aparelho”, complementa.

Tratamento com especialista

De acordo com a fisioterapeuta Luciane Andrade, a inserção do aparelho na vida do paciente é totalmente personalizada. “Quando o paciente chega aqui fazemos uma avaliação, já com o exame de polissonografia. Experimentamos o aparelho nele, medimos rosto, nariz, selecionando a melhor máscara que se adapte ao paciente”, diz.

A fisioterapeuta Renata Mansur ressalta a importância dos ajustes no aparelho e acompanhamento feito pelas profissionais da área.  “Cerca de 80% da adesão do tratamento é a escolha da máscara. Na escolha errada, o paciente não vai se adequar e vai abandonar o tratamento. Outras vezes, quando o paciente é diagnosticado com a apneia, ele geralmente vai pra internet, vê a máscara, o aparelho, e não vem procurar o tratamento”, afirma. “Seu Almir, por exemplo, continua vindo regularmente, para verificarmos o resultado e avanços do tratamento, pois muita gente vem aqui, faz o ajuste e pronto, mas, é necessário esse acompanhamento”, complementa.

Sobre o medo e receio de utilizar as máscaras, as fisioterapeutas desmistificam o uso. “As máscaras são cada vez mais leves, feitas com silicone para o paciente ficar bem. A consequência positiva vem”, garante.

O que é o CPAP?

O CPAP é um aparelho que envia um fluxo de ar contínuo para as vias respiratórias, por meio de uma máscara, evitando a apneia do sono. A quantidade do fluxo de ar enviado é determinada pela pressão informada no exame de polissonografia.

O que causa apneia?

Todas as pessoas podem apresentar apneia do sono, até mesmo crianças. Alguns fatores de risco, no entanto, costumam ser elencados pelos médicos. Eles variam de acordo com o tipo da doença, mas pelo menos duas características são comuns: ser do sexo masculino e ter mais de 50 anos de idade. Os homens, em geral, são duas vezes mais propensos a desenvolver a doença do que as mulheres, que têm seu risco aumentado se estiverem acima do peso e também após a menopausa. Fatores como: circunferência do pescoço, estreitamento de vias aéreas e congestão nasal também propiciam o surgimento da apneia.


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